segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Sangue Felino, de Charlaine Harris

Sinopse: Traída pelo seu namorado vampiro de longa data, Sookie Stackhouse, empregada de bar do Louisiana, vê-se obrigada não apenas a lidar com um possível novo homem na sua vida (Quinn, um metamorfo muito atraente), mas também com uma cimeira de vampiros há muito agendada. Com o seu poder enfraquecido pelos estragos do furacão em Nova Orleães, a rainha dos vampiros locais encontra-se em posição vulnerável perante todos aqueles que anseiam roubar o seu poder. Sookie vê-se obrigada a decidir de que lado ficará. E a sua escolha poderá significar a diferença entre a sobrevivência e a catástrofe completa...

A minha opinião: A cada livro que leio, mais me convenço que esta será uma série que acompanharei até ao fim. Sangue Felino revelou-se num livro empolgante e viciante à semelhança dos volumes anteriores.


Em Sangue Felino, Sookie dirige-se a uma cimeira de vampiros, ao serviço da rainha do Louisiana, Sophie- Anne, que será julgada pela morte do marido. Claro está que o envolvimento de Sookie se deve à sua telepatia e também por ser testemunha da referida morte no livro anterior. 

Deste modo, neste 7º volume, Harris desvendou o véu que cobria a organização política e social dos vampiros que tinha vindo a ser aflorada anteriormente, ao mesmo tempo que desenvolveu algumas personagens, como Eric, Pam e a própria Sookie, que me pareceu muito mais perspicaz neste livro. Apesar de Sookie estar com Quinn (sim, a vida amorosa dela continua confusa), penso que o elo que criou com Eric terá consequências interessantes no que diz respeito ao avanço da sua relação, ou assim espero :)

Os pontos altos deste livro, que o distinguem dos anteriores, são, sem dúvida, a descoberta desta personagem que tinha passado meio despercebida nos meus olhos, Pam, assim como a variedade de situações com que Sookie se depara, desde o convívio com os vampiros e a irmandade do Sol até as conversas telepáticas entre Sookie e outro telepata, Barry. 

O próprio final do livro, que justifica o título em inglês (All together dead), merece também destaque, pois fez-me ver, com alguma estranheza, como os poderosos vampiros podiam afinal ser tão vulneráveis.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

Saga Sangue Fresco - opiniões :

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vento Suão, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse: Quando faleceu, a 2 de Fevereiro de 2010, Rosa Lobato de Faria deixou inacabado este Vento Suão. Pôs-se então a hipótese de pedir a um(a) autor(a) das suas relações que imaginasse um desenvolvimento para a história que a morte não deixara chegar ao fim e terminasse o livro inacabado. Depressa se concluiu, no entanto, que tal não era a melhor solução - primeiro, porque não se tinha a certeza de que a autora aprovasse essa inclusão de uma voz alheia no interior do seu próprio fluir narrativo; depois, porque, apesar de inacabado, o romance tinha o desenvolvimento suficiente para se deixar ler como um todo com sentido. Aqui fica, pois, este Vento Suão tal e qual como Rosa Lobato de Faria o deixou. E como derradeira homenagem a uma escritora cuja obra teve como eixos fundamentais " a força da vida, o conhecimento profundo da realidade e do meio em que se agitam os seus fantoches ficcionais, o domínio das minúcias, o fôlego narrativo, a irrupção imparável de um vento negro de violência que impões uma aura de tragédia intemporal ao que parece quase inócuo."

A minha opinião: Este livro cheira a despedida. 

Sabemos e sentimos desde o início que este é um livro inacabado, pelos traços estilísticos ainda em bruto, onde certamente haveria arestas por limar e pela história que nos deixa assim, subitamente, com tanto por contar.

O livro inicia-se com a reunião de Sofia e Luísa, duas amigas de infância do Alentejo, que acabaram por crescer separadas uma da outra, mas cujas memórias da infância partilhada não esqueciam. Os seus sonhos de criança tinham muito em comum, como é normal nas amigas de tenra idade, mas as suas vidas acabaram por tomar rumos diferentes. É curioso que, tal como n' Os Pássaros de Seda, as personagens são conhecidas, logo no primeiro capítulo, sem que saibamos "por que caminhos " chegaram ali.

Atenção : As secções [] são as minhas considerações sobre o rumo que a história poderia tomar, apenas com base no que li, podem conter revelações sobre o enredo.

As duas enfrentam problemas. Sofia, por rebeldia interior, aceita casar-se com um homem que mal conhece, tornando-se numa vítima doméstica que parece não querer libertar-se desse abuso. [A meu ver, esta personagem iria sofrer um grande desenvolvimento nas páginas que se seguiriam se o livro não acabasse, porque penso que a sua independência  e vontade de viver da juventude, sugadas pelo marido, ressurgiriam. O choque inicial e a culpa pela morte de Mateus seriam substituídos por um alívio interior e pela vontade de sair da casa que partilhara com ele. Sofia começaria de novo, na casa da avó, lembrando-se ainda carinhosamente dos criados que, tão fielmente, na vida anterior, a tinham acompanhado, mas com a vontade de viver renovada.]

Luísa, pelo seu lado, libertou-se de Zé, o homem que amava e que a traiu, apesar de toda a sua dedicação. Ao regressar ao Alentejo, esperam-na 10 anos de felicidade, ao lado de Duarte. [A meu ver, a história de Luísa seria mais desenvolvida se o livro tivesse terminado, sendo muito interessante perceber o que se seguiria na sua vida, após a sua  felicidade ter sido arrancada, assim, sem aviso. Como se sabe, pelo primeiro capítulo, ela regressa a casa dos pais, com os filhos. Porém, seria o seu caminho até lá que nos faria a nós, leitores, conhecer esta personagem, porque é nos momentos de adversidade que se revela o carácter das pessoas e as suas motivações.]

Por conhecer um pouco de Rosa Lobato de Faria, penso que este livro encerraria uma poderosa mensagem sobre a amizade de infância duradoura e a sua persistência perante as adversidades da vida, [que seria evidente quando as duas vidas se articulassem, novamente, com o regresso de ambas às origens].

Vento suão lembra a importância de mantermos junto a nós aqueles que amamos e que nos querem bem. E lembra também uma flor colhida antes do tempo. Uma bela escrita ainda em bruto, onde tanto ficou por dizer.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

Confesso que a classificação que pensei antes de terminar a minha análise sobre o livro era inferior. Porém, este livro deu-me uma nova experiência. Terminar a história do livro foi um exercício maravilhoso que me relembrou as subtilezas da escrita de Rosa Lobato de Faria e o facto dos seus livros não primarem pela sua imprevisibilidade, mas sim pela sua habilidade de nos apresentar uma história mundana, real que nos faz sempre relembrar situações, pessoas  ou ações que nos são familiares.

Felizmente, ainda tenho alguns livros dela para ler :)

Para aqueles que ainda não leram nada  de Rosa Lobato de Faria, recomendaria antes outros livros da autora, para se ambientarem ao seu estilo.

Os que leram Vento Suão, qual é a vossa opinião sobre a continuação da história?

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Traição de Sangue, de Charlaine Harris

Sinopse: Sookie Stackhouse, uma empregada de bar na pequena vila Bon Temps em Louisiana, tem tão poucos parentes vivos que a entristece perder mais um; neste caso a sua prima Hadley, amante da rainha dos vampiros de Nova Orleães. Hadley deixou tudo o que tinha a Sookie, mas reclamar essa herança tem riscos elevados. Há quem não queira que ela vasculhe demasiado o passado e as posses da prima - nomeadamente uma pulseira valiosa que faz parte de um conjunto oferecido pelo rei vampiro do Arkansas à rainha do Louisiana, e que Hadley roubou e escondeu antes de ser assassinada. Sookie tenta evitar um conflito diplomático entre os dois reis mas, mais uma vez, a sua vida está em perigo pois  alguém fará qualquer coisa para a travar...



A minha opinião:  True Blood é a saga a que recorro quando quero ler algo viciante e que não seja demasiado estimulante intelectualmente, pois assim retomo sempre o meu gosto pela leitura em tempos mais cansativos. Com este 6º livro, confirmam-se, mais uma vez, estes atributos.

Na Traição de Sangue, voltamos ao mundo vampírico (yay!), depois de no livro anterior Sookie se ter aventurado pelo mundo dos metamorfos. Após 5 livros, é evidente que reconhecemos a receita: Sookie desloca-se, desta vez, a Nova Orleães devido ao falecimento da sua prima vampira Hadley, mas acaba por se ver no meio de acontecimentos perigosos do mundo sobrenatural, com grandes consequências na dinâmica dos vampiros da sua área. 

Porém, a meu ver, este livro destaca-se pelo maior contacto com a realeza vampírica e consequentemente com o aumento da compreensão que temos sobre estes seres. Confesso que a história do "renascer" de cada vampiro é sempre uma curiosidade que gosto de ir vendo saciada :) E porque a vida amorosa de Sookie tarda em assentar e é, naturalmente, tema de conversa, apesar de começar a gostar um pouco de Quinn, espero ansiosamente por Eric.

Pelo facto de, passados tantos livros, a série continuar a manter-me bastante interessada, apenas posso recomendar os livros àqueles que gostem de uma mistura de mistério com o mundo sobrenatural, recheado de criaturas sensuais e cativantes, mas perigosas.

Classificação: 7/10 - Bom

Saga Sangue Fresco - opiniões :

Sangue Fresco -  2 Dívida de Sangue - 3 Clube de Sangue - 4 Sangue Oculto - Sangue Furtivo 6-Traição de Sangue 7- Sangue Felino


terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Flor Oculta, de Pearl S. Buck

Sinopse: A Flor Oculta é uma bela e pungente história de amor, cujos protagonistas - uma japonesa e um americano - vivem um drama intenso e doloroso. Mas, das ruínas do amor aniquilado pelos preconceitos, brota a "flor oculta", o pequeno Lennie, que vai encontrar, à sua volta, a dádiva generosa da mais profunda simpatia humana

A minha opinião: Parti um pouco à aventura para a leitura deste livro, pois o único que sabia era que a autora tinha ganho o prémio nobel. De facto, desde cedo se nota a qualidade da escrita de Pearl S. Buck. As partes descritivas intercalam com as narrativas na dose certa, fornecendo ao leitor imagens belíssimas ou cruamente realistas do que está a ocorrer. 

N' A Flor Oculta, Pearl S. Buck apresenta-nos a história de Josui, uma japonesa de uma família que vivera na Califórnia, que conhece Alenn, um soldado americano que se encontra, por um período, no Japão. Os dois apaixonam-se, todavia terão de lutar contra o preconceito racial que sofrem, quer no Japão, quer nos Estados Unidos. Esta questão da mistura de raças era algo que preocupava a autora, o que se espelha, então, nos livros que escreveu. Deste modo, ainda que, agora, estes não sejam tão revolucionários quanto isso, servem para, de facto, nos relembrarmos da profunda mudança de mentalidade que ocorreu no século XX e que, contudo, deve continuar a ocorrer, pois o caminho para uma completa igualdade é, ainda, longo.

A Flor Oculta apresenta brilhantemente um confronto de filosofias de vida - japonesa e americana - bastante realista, sem cair em algo desinteressante. As personagens são muito credíveis e representam magnificamente os seus papéis, revelando-se submissas e resignadas ao destino, em certas alturas, mas, noutras, rebeldes e ansiosas por tomar ação, sendo que a autora consegue fazer transparecer esses estados de espírito na perfeição. Pelos vários momentos que vivem as personagens, é impossível não rever nelas outros acontecimentos relacionados connosco ou com quem conhecemos - a sensação de inadptação, a incompreensão devida a preconceitos por parte de quem nos ama, a influência da mentalidade da sociedade ou a sensação de que os esforços feitos foram inúteis, de que, afinal, remamos contra a maré. Neste livro, a reflexão é motivada por uma temática que faz, de algum modo, lembrar Madame Butterfly, devido à angústia de Josui  por ficar, para sempre, entre a cultura nipónica e americana, nunca pertencendo verdadeiramente a nenhuma. O mais incrível, porém, é a evolução abismal da personagem ao longo do livro, sendo o seu sofrimento quase palpável. Porque todos nos sentimos, nalgum momento, na terra de ninguém.

Este livro vale, assim, não por uma história imprevisível, ainda que dolorosamente bela, mas pela impressão que provoca no leitor, pela reflexão que nele motiva. Talvez ter gostado bastante deste livro se deva a uma ótima combinação entre o livro e a altura em que o leio, mas o facto é que as personagens e a sua história acabaram por me tocar mais do que estaria à espera, agora que olho objetivamente para aquilo que li. Porém, ao escrever a crítica, tenho plena consciência de que, afinal de contas, não é um nobel que faz uma boa experiência de leitura, é a conjugação de milhares de variáveis. Não conheço mais de Pearl S. Buck, mas é uma autora cujos livros tenciono descobrir.


Classificação: 8/10 - Muito Bom

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Todos - caminhada de culturas [Aromas e Especiarias do Oriente]

Caros leitores, 

se procuram um progama diferente, em Lisboa, nos dias 12, 13, 14 e 15 de setembro, convido-vos a experimentar o festival Todos, que se realiza na zona de S. Bento/Poço dos Negros. Esta será a 5ªedição do festival TODOS, que se realizava no Intendente, sendo que este ano se associou às "Noites de São Bento", decorrendo em paralelo.

São 4 dias recheados de música, dança, teatro e cinema, assim como visitas guiadas a museus e ruas, conversas sobre o transcendente ou a língua persa, entre outros, grande parte de entrada livre. Para (re)descobrir um bairro característico de Lisboa e a sua multiculturalidade, das 10 h até às 24h, atividades não faltam.

O aroma da arte, nas ruas de Lisboa.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Pássaros de Seda, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse: Graças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcendência de lugar mágico. O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e morrer.
Assim terminam as memórias de Mário, um dos protagonistas de Os Pássaros de Seda, um livro soobre a condição humana, que opões os valores perenes da infância, do maravilhoso e do amor à precariedade das paixões e dos transes da fortuna.
Um magnífico romance que, depois de O Pranto de Lúcifer, confirma a sua autora como uma presença incontornável no panorama da nova ficção portuguesa.

A minha opinião: Belíssimo. Este pequeno livro de 200 páginas encerra em si uma história mundana, de um amor silenciosamente incorrespondido. Algo cliché, é certo, mas em Rosa Lobato de Faria o que nos toca não é um enredo com grande mistérios e acontecimentos imprevisíveis. O que nos toca, sim, é a beleza da escrita, os pormenores e os detalhes que transformam, aos ouvidos, a prosa em poesia.

Os Pássaros de Seda  são, praticamente, as memórias de Mário, filho de uma criada, que vive com ela, o tio-avô - Zebra - e Diamantina, que foi adoptada pela mãe e o tio. Companheiros inseparáveis enquanto crianças, Mário cedo evoluiu para um amor sincero por Diamantina, a qual não via em Mário senão um irmão. A vida de ambos segue rumos muito diferentes, mas sendo Diamantina a protagonista da vida de Mário é, também, ela a protagonista deste livro.

Os Pássaros de Seda apresenta-nos, assim, uma história que nos dá asas para reflectir sobre as relações humanas, os erros do passado, o apreço que damos, mas principalmente, o que não damos ao que nos rodeia, e o facto das nossas memórias serem feitas de pequenos momentos, mas esses momentos fazerem toda a diferença. No fundo, Os Pássaros de Seda fala-nos da vida.

E essa reflexão deve-se às personagens que nos lembram os nossos próprios amigos, namorados, irmãos, pais, avós, desde os contos do tio Zebra que, metaforicamente, descrevem tantos momentos e erros nas vidas de Diamantina e Mário, aos pensamentos das personagens, quer principais quer secundárias, que nos ferem o coração de tão dolorosamente verdadeiras e aplicáveis à nossa vida.

Ao acabar de lê-lo, a única palavra que tenho em mente é bravo. O final dói pela morte de Mário, uma personagem cuja intervenção quase parece um detalhe na história, mas que nos proporcionou um livro belíssimo que nos envolve subtilmente mas de maneira incontornável.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami

Sinopse: Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida.
Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendentes como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar.
Crónica do Pássaro de Corda, ao qual foi atribuído o Prémio Yomiuri, é considerado, por muitos, a obra-prima de Murakami. 

A minha opinião: Murakami é um escritor único, cujas obras primam pela atmosfera surreal em que o leitor é envolvido. Apesar da peculiaridade das personagens e acontecimentos narrados, que chegam a ser muito bizarros, o facto é que as histórias costumam ser sempre cativantes.

Na Crónica do Pássaro de Corda, Murakami apresenta-nos Toru Okada, um homem que aparenta levar uma vida banal até que recebe uma chamada anónima de uma mulher, sendo que, a partir daí, a sua vida vai estar repleta de acontecimentos que parecem ilógicos, mas que, na realidade não são tão obscuros ou deslocados da realidade. 

Confesso que, no início, me foi difícil gostar do livro. Isto, porque se revelava já uma tendência para muitas pontas soltas e histórias paralelas ao longo da leitura que, ainda que se tenham mantido ao longo desta e até tenha gostado, foram difíceis de me habituar inicialmente.

Mas, se primeiro se estranha, depois entranha-se e o facto é que a leitura foi ganhando ritmo. Este livro foi, dos que li de Murakami, aquele com que deparei com personagens mais inusuais, que por se distanciarem das opções de vida habituais, revelam uma sabedoria e liberdade fascinantes. Dentro das pessoas com que Toru contacta, conhecemos espírito livres e jovens, personagens que abraçam o sobrenatural, mas também seres sem escrúpulos e manipuladores, que reconhecem os mais vulneráveis e deles se aproveitam. Com eles reflectimos sobre o destino, a dualidade do ser humano, o conhecimento que temos sobre as pessoas e os impulsos, a fronteira ténue entre consciente e inconsciente, sendo várias as passagens convidativas a estas reflexões pessoais, que me fizeram parar a leitura, diversas vezes, para absorver o que estava a ler.  Aliás, a diferença tão subtil entre sono e vigília afectaram, inclusivamente, uma noite que seria, para mim, calma e tranquila, mas que Murakami não deixou sossegada.

Confesso que gostaria de ter gostado tanto deste livro como dos outros que li dele, mas o facto é que me deixou um vazio no final. Talvez por ter sentido pouco interesse em algumas partes da leitura ou por Murakami ter levado mais ao extremo as pontas soltas em alguns momentos do livro, não desfrutei tanto da história da Crónica do Pássaro de Corda. Porém, a leitura de excertos onde há um apelo magnífico  às sensações, que me levam a descobrir obras de música clássica maravilhosas e as reflexões que o livro incitou valeram bem a pena.


Classificação: 7/10 - Bom  

PS - Para os leitores que gostariam de começar a ler Murakami, Sputnik, Meu Amor ou A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol seriam melhores escolhas, a meu ver, para se ambientarem ao estilo de Murakami.