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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

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Sinopse: Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.

A minha opinião: Brilhante. Admirável Mundo Novo é uma referência no que diz respeito a distopias e, a meu ver, o seu lugar é merecido.

A sociedade descrita é inesquecível. Cada indivíduo foi condicionado aquando a sua gestação para se conformar com as normas desta sociedade. Deste modo, sente-se perfeitamente integrado na sua casta e convencido de que esta é a melhor para ele. Quer seja alfa (os mais evoluídos) ou epsilon (os que fazem trabalhos de escravo), o condicionamento é eficaz e, caso haja sentimentos anormais, estes são apagados facilmente pelo soma, a droga reconhecida.

São várias as questões que a leitura motiva. A óbvia é, claramente, quão longe estamos nós do relatado. Mas há mais. Quão facilmente somos manipulados à nascença ou quantas crenças limitam drasticamente a nossa visão? Quão frequentemente nos refugiamos em somas? Como olhamos nós aqueles que fogem à normalidade? Até que ponto conseguimos perder a nossa individualidade em prol da sociedade?

Escrevo esta opinião passadas já umas semanas da leitura do livro. Porém, dei por mim a relembrar em diversos momentos algumas passagens sobre religião, arte, política. A verdade é que, às vezes, só conseguimos notar como um livro nos marcou quando este sobrevive à passagem do tempo. Não tenho dúvidas de que este é o caso de Admirável Mundo Novo.

É ainda de destacar o excelente trabalho do tradutor, Mário Henrique Leiria, pelas várias notas que ajudam a compreender referências extra-textuais que aparecem ao longo da narrativa.

Recomendadíssimo.

Classificação: 9/10 - Excelente

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Flor Oculta, de Pearl S. Buck

Sinopse: A Flor Oculta é uma bela e pungente história de amor, cujos protagonistas - uma japonesa e um americano - vivem um drama intenso e doloroso. Mas, das ruínas do amor aniquilado pelos preconceitos, brota a "flor oculta", o pequeno Lennie, que vai encontrar, à sua volta, a dádiva generosa da mais profunda simpatia humana

A minha opinião: Parti um pouco à aventura para a leitura deste livro, pois o único que sabia era que a autora tinha ganho o prémio nobel. De facto, desde cedo se nota a qualidade da escrita de Pearl S. Buck. As partes descritivas intercalam com as narrativas na dose certa, fornecendo ao leitor imagens belíssimas ou cruamente realistas do que está a ocorrer. 

N' A Flor Oculta, Pearl S. Buck apresenta-nos a história de Josui, uma japonesa de uma família que vivera na Califórnia, que conhece Alenn, um soldado americano que se encontra, por um período, no Japão. Os dois apaixonam-se, todavia terão de lutar contra o preconceito racial que sofrem, quer no Japão, quer nos Estados Unidos. Esta questão da mistura de raças era algo que preocupava a autora, o que se espelha, então, nos livros que escreveu. Deste modo, ainda que, agora, estes não sejam tão revolucionários quanto isso, servem para, de facto, nos relembrarmos da profunda mudança de mentalidade que ocorreu no século XX e que, contudo, deve continuar a ocorrer, pois o caminho para uma completa igualdade é, ainda, longo.

A Flor Oculta apresenta brilhantemente um confronto de filosofias de vida - japonesa e americana - bastante realista, sem cair em algo desinteressante. As personagens são muito credíveis e representam magnificamente os seus papéis, revelando-se submissas e resignadas ao destino, em certas alturas, mas, noutras, rebeldes e ansiosas por tomar ação, sendo que a autora consegue fazer transparecer esses estados de espírito na perfeição. Pelos vários momentos que vivem as personagens, é impossível não rever nelas outros acontecimentos relacionados connosco ou com quem conhecemos - a sensação de inadptação, a incompreensão devida a preconceitos por parte de quem nos ama, a influência da mentalidade da sociedade ou a sensação de que os esforços feitos foram inúteis, de que, afinal, remamos contra a maré. Neste livro, a reflexão é motivada por uma temática que faz, de algum modo, lembrar Madame Butterfly, devido à angústia de Josui  por ficar, para sempre, entre a cultura nipónica e americana, nunca pertencendo verdadeiramente a nenhuma. O mais incrível, porém, é a evolução abismal da personagem ao longo do livro, sendo o seu sofrimento quase palpável. Porque todos nos sentimos, nalgum momento, na terra de ninguém.

Este livro vale, assim, não por uma história imprevisível, ainda que dolorosamente bela, mas pela impressão que provoca no leitor, pela reflexão que nele motiva. Talvez ter gostado bastante deste livro se deva a uma ótima combinação entre o livro e a altura em que o leio, mas o facto é que as personagens e a sua história acabaram por me tocar mais do que estaria à espera, agora que olho objetivamente para aquilo que li. Porém, ao escrever a crítica, tenho plena consciência de que, afinal de contas, não é um nobel que faz uma boa experiência de leitura, é a conjugação de milhares de variáveis. Não conheço mais de Pearl S. Buck, mas é uma autora cujos livros tenciono descobrir.


Classificação: 8/10 - Muito Bom

sábado, 10 de agosto de 2013

Homenagem à Catalunha, de George Orwell


Sinopse: A Revolução Espanhola ocupa um lugar-charneira na obra de George Orwell. Escrita no final da guerra civil espanhola (1936-1939) a partir da sua própria experiência na frente de combate Homenagem à Catalunha é uma obra ímpar onde o autor descreve com o agudo poder de observação que o caracterizava o confronto entre os vários grupos revolucionários incluindo as suas clivagens internas e os fascistas. De facto Orwell tinha uma franqueza rara entre a esquerda militante: dizia o que via mesmo que isso pusesse em causa o que até então havia pensado oferecendo-nos aqui um retrato lúcido das peripécias da guerra civil.


A minha opinião: Homenagem à Catalunha é um relato da experiência do escritor inglês, George Orwell, na milícia do POUM na guerra civil espanhola. Apesar de, como o próprio afirma, este relato ser bastante parcial, o facto é que, por isso, se torna bastante interessante ler sobre este conflito aos olhos de um inglês comunista que, se a princípio parece encantado com o comunismo e a sua forma de ser vivido nos primeiros tempos de guerra, no final, parece já desencantado, transmitindo-se um pouco dessa desilusão para o leitor.

Apesar de não ser uma leitura muito leve, fornece bastantes detalhes sobre o combate do lado das milícias republicanas e da perseguição final aos militantes do POUM. Alternando alguns capítulos em que Orwell explica o contexto político, os partidos existentes e a intervenção e imprensa estrangeira na guerra com a sua própria experiência pessoal, o leitor fica com uma ideia mais completa do conflito. Ao mesmo tempo, o livro serve de homenagem aos homens que combateram na guerra e que, como acontece frequentemente, acabam por cair no esquecimento. Neste livro, os espanhóis e ingleses que combateram com Orwell revivem, a Barcelona em que este viveu é vista novamente, a mudança do seu clima e atmosfera revolucionária é novamente observada pelos leitores contemporâneos.

Acabando por cair, em alguns momentos, na monotonia de relatos históricos nos quais as páginas passam e a ação pouco se desenrola, o facto é que assim se espelha a frustração de estar nas trincheiras ao frio e com fome, na ânsia do combate que não chega, no sentimento de inutilidade que nos rodeia, na desilusão de ver os ideiais que defendemos derrotados.

Classificação: 7/10 - Bom

segunda-feira, 18 de março de 2013

Os Maias, de Eça de Queiroz

Os Maias, de Eça de Queiroz, a obra que dispensa apresentações.

Fazendo parte do programa de português do 11º ano, já há muito tempo que estava mentalizada que teria de ler o livro obrigatoriamente quando lá chegasse. E estava quase certa que não ia gostar, precisamente por este rótulo de obrigatório aliado às várias frases que se ouvem de que a história até é gira, mas o Eça descreve demasiado ou li até à página 100, mas mais não consegui ou era demasiado aborrecido, mas também não te preocupes, não precisas de ler tudo... 

Aviso já que aqueles que vieram aqui para um resumo ou crítica d' Os Maias, voltem para trás. Peguem no livro, vão com vontade de ler e dêem uma oportunidade a uma obra cuja imagem entre os jovens não lhe faz, de todo, justiça. Começar a ler, quando é obrigatório, para mim é o mais difícil, mas no caso d' Os Maias, ao fim de 20 páginas, já me tinha esquecido de que o lia para uma disciplina, de tal maneira estava mergulhada no mundo e escrita queirosianos, na sociedade lisboeta do século XIX.

"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente, o Ramalhete." É assim que começa esta obra, merecidamente uma referência na literatura portuguesa, cuja história fica para sempre gravada na memória dos leitores e cuja escrita prima pela qualidade e pela exatidão na descrição.*

Os Maias têm uma intriga que poderia facilmente ser resumida em poucas frases, porque o objetivo para Eça de Queiroz não era escrever uma novela para ler aos serões. Inserida no realismo, a obra pretende acima de tudo, criticar a sociedade. A história da família Maia, principalmente de Carlos, entretém, sem dúvida, mas este entretenimento serve apenas de pretexto para Eça fazer um retrato minucioso da alta sociedade portuguesa, criticá-la e expôndo-a tal como era. 

De facto, apesar de ter uma história cativante e personagens interessantes, estas não seriam suficentes para preencher 700 páginas. A vida de Carlos da Maia, os seus devaneios com a condessa Gouvarinho, a paixão por Maria Eduarda ou os seus encontros sociais com João da Ega, Alencar e outros têm um certo interesse, deixando o leitor com saudades quando abandona a Lisboa de Carlos da Maia. Porém, é preciso outro conteúdo, que nos é dado em pequenas (grandes) interrupções no primeiro plano da ação, dando lugar a debates acesos sobre a educação, a política, a literatura, as finanças, entre outros. E é então nesses momentos que o leitor se depara com a falta de cultura e de civismo da elite, a corrupção, a ausência de espírito crítico, o conservadorismo, o atraso e o ridículo em que cai a classe portuguesa.


É assim que a crónica dos costumes impressiona. É assim que o retrato das camadas mais abastadas e a crítica impiedosa de Queiroz fazem de um livro de novela uma obra imponente e intemporal. Porque o facto de Carlos se apaixonar pela irmã não choca já ninguém, o leitor é até preparado para isso, o que choca, sim, é o incesto consciente que assistimos no final do livro, praticado por uma pessoa submetida a uma educação rigorosa, pertencente à alta sociedade, que, no entanto, no dilema, sucumbe à paixão em detrimento da moral. 

Classificação : 9/10  - Excelente

*Convido os leitores a fazer os passeios queirosianos em Lisboa e Sintra e constatarem que, ao levar o livro, as descrições de Eça espelham nitidamente o local onde nos encontramos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway

Sinopse: Neste livro de Hemingway, por muitos considerado a mais monumental, complexa e profundamente humana das suas obras, o leitor encontra não só um documentário imparcial de uma luta trágica que marcou um dos momentos de consciência do nosso tempo, mas, acima de tudo, quanto a Hemingway ao longo da sua obra tem sido mais caro: a piedade, o heroísmo, o amor das responsabilidades livremente assumidas e a sua paixão pela Espanha, de que tem sido um dos mais atentos intérpretes estrangeiros. Na sua linguagem simples e nua, não há situação difícil, sentimento delicado, assomo de coragem, caracterização típica, que não atinjam uma riqueza e uma compreensão humana das mais belas da literatura contemporânea. Moralista no mais alto sentido da palavra, artista consumado, repórter das mais subtis ou das mais violentas reacções humanas, Hemingway aqui patenteia essas qualidades que lhe mereceram a mais elevada consagração da literatura: o prémio Nobel.

A minha opinião: Já queria ler este livro há bastante tempo. No entanto, só arranjei a oportunidade quando me encontrei a pesquisar sobre a Guerra Civil Espanhola e lembrei-me que esta poderia ser uma boa leitura nessa semana.

Se por um lado, posso dizer que gostei do relato da guerra (afinal, sendo Hemingway um jornalista, isto devia ser fácil para ele), por outro, a escrita, seca, não me agarrou nada, ainda que este não fosse de todo um livro de leitura compulsiva.

Para o propósito, ler este livro revelou-se bastante bom, aprendi imensas coisas sobre esta época, gostei bastante das personagens e houve vários aspectos focados que achei muito interessantes. Ainda assim, senti que faltava alguma coisa na história, o que fez com que não pudesse desfrutar completamente deste clássico.

Por quem os sinos dobram, é sem dúvida um bom relato a ler, mas no que me diz respeito, desiludiu-me um pouco no resto.

Classificação: 7/10 - Bom

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Rebeca, de Daphne du Maurier

Sinopse: Publicado em 1938, Rebecca é talvez o romance por que Daphne du Maurier é hoje mais lembrada. Ao lê-lo entramos numa atmosfera onírica, sombria, alimentada por segredos que os códigos sociais obrigam a permanecer ocultos e que se concentram na misteriosa mansão Manderley. É para esta mansão que a narradora, uma jovem humilde, vai viver com o viúvo Maxim de Winter, ao aceitar o seu pedido de casamento. Mas então descobre que a memória da falecida esposa, Rebecca, se encontra ainda viva e que esta era tudo o que ela nunca será. À medida que o enredo se desenvolve, ela terá de redefinir a sua identidade num cenário em que os sonhos ameaçam tornar-se pesadelos…

A minha opinião: Vi este livro na minha escola e o título chamou-me a atenção por ser um nome invulgar e também por ser da colecção Dois Mundos, que tem muitos livros que gostei. "Este livro parece interessante" pensei eu. Este livro não era interessante... Depois, com outras críticas que vi, passei-o para uma das minhas prioridades. Pedi-o a uma tia minha que o tinha e comecei a ler.

Começa de uma forma fantástica. A escrita da autora é simplesmente fascinante. Daphne du Maurier descreve tudo tão detalhadamente e todos os pormenor da história, mas fa-lo com tamanha delicadeza e suavidade como eu nunca li. Gostei tanto da escrita que fiquei com a sensação que podia escrever mais páginas e páginas a descrever Manderley, a vida de cada pessoa, e eu nem me aperceberia, tal era o prazer de o ler...

Quanto à história de Rebecca, esta é esplêndida e totalmente imprevisível. Enquanto o lia, pensava que a história ia tomar um rumo, mas logo de seguida percebia que isso não ia acontecer e tomava um rumo totalmente inesperado. A história começa com o final do livro para quem já o leu, o levantar do véu para que não o fez. Fantástica forma de começar, prendeu-me desde o início.

Contada na primeira pessoa, partimos então para a analepse (que se vai prolongar até ao final do livro). Não vou falar sobre a primeira parte do livro, pois está bem descrita na sinopse. Vou apenas falar de Rebecca. Ela está ominipresente em Manderley. Quando a narradora chega, apercebe-se de imediato disso. Todos os criados seguem as suas regras e todos a comparam com Rebecca. Apesar dela se encontrar morta, vai claramente ser a principal atenção do leitor. Afinal, quem era ela, porque todos a adoravam? E é assim que nos vamos viciando cada vez mais no enredo, querendo saber mais e mais sobre esta pessoa. Interessante é que, tudo o que sabemos sobre ela vai mudando lentamente até termos uma Rebecca muito diferente da que conhecemos no inicio...

Enquanto escrevi isto, olhei para o livro da minha tia. Está um verdadeiro caos. A capa saiu no inicio, a lombada partiu-se em duas partes a meio e a contra capa quase que saiu no final. Apesar de tudo, gosto de o ver assim. É sinal de que foi lido por muitos e andou por muitos sítios. Agora vou pôr-lhe alguma fita-cola. E vou fazê-lo sabendo que alguém o vai desfrutar certamente tanto como eu. Talvez, quem sabe, um dia voltarei a lê-lo e a sensação será a mesma: a de um livro que superou todas as expectativas.

sábado, 18 de julho de 2009

No rasto de Anne Frank, de Ernst Schnabel

Encaro este livro como um complemento ao diário. Através dos testemunhos das 42 pessoas que estiveram em contacto com Anne, sabemos um pouco mais sobre a sua vida e temos uma perspectiva diferente das coisas que aconteciam ao redor dela. Temos uma perspectiva mais adulta do contexto histórico que a envolvia, através dos testemunhos dos mais velhos na altura e temos também acesso às datas em que saíam novas leis para os judeus, por exemplo. Pessoalmente, percebi muito melhor com este livro essa parte, pois ainda não tive a oportunidade de a estudar mais a fundo. Com este livro, sabemos ainda o que lhe aconteceu depois de ser descoberta pela gestapo, através dos testemunhos de pessoas que estavam com ela nos campos (não as que tinham "mergulhado" com ela, pois essas não acabaram por sobreviver).

Foi óptimo ter descoberto este livro, pois fiquei a compreender muito melhor o seu diário, os sacrifícios das pessoas que a ajudaram e outros "pedaços" de vidas desta época. Um livro que aconselho a todos os que leram o Diário de Anne Frank.

Diário de Anne Frank

Esta é uma obra diferente. Este diário nada tem de irreal nem de fantástico. No entanto, não é por isso que é simplesmente um diário de uma rapariga comum, Anne, que escreve a sua amiga Kitty, desde que esta tinha 13 até aos seus 15 anos. No início, poderá parecer, pois toda a sua vida era bastante calma, com os problemas que uma rapariga tem. No entanto, à medida que se avança no tempo, ela vai ganhando uma complexidade na escrita e na forma de ver as coisas. A sua vida no "anexo" mostra um pequeno pedaço da história dos judeus "mergulhados" no período do Holocausto.

Gostei muitíssimo de ler o seu diário, porque como o li com a mesma idade que ela, fez-me mudar algumas coisas da minha forma de pensar. Apesar de tudo o que ela viveu, ela continuava a ter os mesmos problemas que as adolescentes, mas no entanto era muito mais "crescida" por dentro e bem mais forte. Além disso, apesar de não ser uma fonte histórica tão boa como certos livros sobre esse período, li aquilo que eu provavelmente pensaria de tudo o que se estava a passar à minha volta, duma maneira um pouco menos complexa, mas não menos realista. Um clássico que todos deviam ler.