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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Terra Abençoada, de Pearl S. Buck

Sinopse: Terra Abençoaada é um clássico da literatura mundial, uma história bela e intemporal que nos recorda a importância dos verdadeiros valores da vida. No reinado do último imperador da China, uma criada casa com um homem humilde. Juntos dão início a uma família e encetam uma viagem épica, envolvente e inesquecível... O- lan é uma criada na maior casa da aldeia.  Quando casa com Wang Lung, um humilde agricultor, labuta arduamente ao longo de quatro gravidezes pela sobrevivência da sua família. Ao princípio, as recompensas são poucas, mas o trabalho é fonte de esperança e há sustento na terra. Até a fome chegar e mudar a vida de todos. 

A minha opinião: De Pearl S. Buck tinha lido A Flor Oculta, um romance entre o Oriente e o Ocidente que me despertou o interesse para ler mais livros dela. Mas este Terra Abençoada nada tem a ver. Neste livro, a autora mostra-nos uma China profunda, em que os camponeses, o trabalho e a terra têm os papéis principais.

A China retratada é uma China por um lado pobre, presa às tradições, onde os dias são longos e a vida é dura. Por outro, é a China do ópio e do ócio, onde as pessoas se deixam corromper. Mas os valores transmitidos do trabalho e do sacrifício pela família são universais e muito fazem lembrar aldeias por esse mundo fora, onde também existem pais que se sacrificam e filhos esbanjadores, pessoas que vivem do seu trabalho e outras de estratégias manipuladoras.

A narrativa é assim realista e as personagens credíveis, comovendo o leitor com as suas dificuldades ou desiludindo-o quando se desviam dos seus valores. O livro encerra uma bela mensagem de sacrifíco e persistência, mas também da importância de aproveitar as pequenas oportunidades que o destino nos coloca à frente.

Não sei verbalizar exatamente o que não me fez adorar o livro. Talvez procurasse um pouco mais de factos históricos ou personagens que me apelassem mais. De certa forma, foi como se o seu carácter down-to-earth me tivesse mantido também menos apegada emocionalmente.  

Ainda assim, Pearl S. Buck continua como uma escritora que quero continuar a ler no futuro.

Classificação: 7/10 - Bom

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Flor Oculta, de Pearl S. Buck

Sinopse: A Flor Oculta é uma bela e pungente história de amor, cujos protagonistas - uma japonesa e um americano - vivem um drama intenso e doloroso. Mas, das ruínas do amor aniquilado pelos preconceitos, brota a "flor oculta", o pequeno Lennie, que vai encontrar, à sua volta, a dádiva generosa da mais profunda simpatia humana

A minha opinião: Parti um pouco à aventura para a leitura deste livro, pois o único que sabia era que a autora tinha ganho o prémio nobel. De facto, desde cedo se nota a qualidade da escrita de Pearl S. Buck. As partes descritivas intercalam com as narrativas na dose certa, fornecendo ao leitor imagens belíssimas ou cruamente realistas do que está a ocorrer. 

N' A Flor Oculta, Pearl S. Buck apresenta-nos a história de Josui, uma japonesa de uma família que vivera na Califórnia, que conhece Alenn, um soldado americano que se encontra, por um período, no Japão. Os dois apaixonam-se, todavia terão de lutar contra o preconceito racial que sofrem, quer no Japão, quer nos Estados Unidos. Esta questão da mistura de raças era algo que preocupava a autora, o que se espelha, então, nos livros que escreveu. Deste modo, ainda que, agora, estes não sejam tão revolucionários quanto isso, servem para, de facto, nos relembrarmos da profunda mudança de mentalidade que ocorreu no século XX e que, contudo, deve continuar a ocorrer, pois o caminho para uma completa igualdade é, ainda, longo.

A Flor Oculta apresenta brilhantemente um confronto de filosofias de vida - japonesa e americana - bastante realista, sem cair em algo desinteressante. As personagens são muito credíveis e representam magnificamente os seus papéis, revelando-se submissas e resignadas ao destino, em certas alturas, mas, noutras, rebeldes e ansiosas por tomar ação, sendo que a autora consegue fazer transparecer esses estados de espírito na perfeição. Pelos vários momentos que vivem as personagens, é impossível não rever nelas outros acontecimentos relacionados connosco ou com quem conhecemos - a sensação de inadptação, a incompreensão devida a preconceitos por parte de quem nos ama, a influência da mentalidade da sociedade ou a sensação de que os esforços feitos foram inúteis, de que, afinal, remamos contra a maré. Neste livro, a reflexão é motivada por uma temática que faz, de algum modo, lembrar Madame Butterfly, devido à angústia de Josui  por ficar, para sempre, entre a cultura nipónica e americana, nunca pertencendo verdadeiramente a nenhuma. O mais incrível, porém, é a evolução abismal da personagem ao longo do livro, sendo o seu sofrimento quase palpável. Porque todos nos sentimos, nalgum momento, na terra de ninguém.

Este livro vale, assim, não por uma história imprevisível, ainda que dolorosamente bela, mas pela impressão que provoca no leitor, pela reflexão que nele motiva. Talvez ter gostado bastante deste livro se deva a uma ótima combinação entre o livro e a altura em que o leio, mas o facto é que as personagens e a sua história acabaram por me tocar mais do que estaria à espera, agora que olho objetivamente para aquilo que li. Porém, ao escrever a crítica, tenho plena consciência de que, afinal de contas, não é um nobel que faz uma boa experiência de leitura, é a conjugação de milhares de variáveis. Não conheço mais de Pearl S. Buck, mas é uma autora cujos livros tenciono descobrir.


Classificação: 8/10 - Muito Bom