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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Matar é Fácil, de Agatha Christie

Sinopse: Luke Fitzwilliam não deu qualquer importância àquilo que, para ele, não passava de um fantasioso produto da imaginação de Miss Lavinia Pinkerton, a quem acabara de conhecer no comboio e cuja teoria a levava a dirigirse à Scoland Yard. Segundo a velhinha, as mortes que assolaram a pacata aldeia onde vivia deviam-se à acção de um assassino em série. Mas Lavinia não se ficava por aqui e acreditava conhecer a identidade da próxima vítima: Dr. Humbleby, o médico local. Algumas horas depois, Miss Pinkerton morre vítima de atropelamento. Mera Coincidência? Luke sentia-se inclinado a acreditar que sim… até que ao ler o The Times se depara com a notícia da inesperada morte do Dr. Humbleby…

A minha opinião: Um policial com o selo Christie é uma garantia de uma boa leitura e Matar é fácil não foi exceção. Apesar de não contar com a intervenção das habituais personagens - Poirot ou Miss Marple - nem de Luke ser propriamente um detective excepcional, o enredo e personagens eram apelativos e o interesse por descobrir o assassino por detrás de tantas mortes não cessa até à sua descoberta, como aliás já é habitual.

Neste livro, Luke é abordado numa viagem de comboio por Lavinia Pinkerton, que lhe dá a conhecer o elevado número de mortes que está a ocorrer na sua aldeia. Após o seu atropelamento, Luke decide ir para a referida aldeia, a fim de descobrir se a história da velhinha teria um fundo de verdade ou se seria apenas fruto da sua imaginação. Rapidamente se apercebe que os "acidentes" que causaram estas mortes tratavam-se, na realidade, de assassinatos e inicia assim a sua investigação. 

O ambiente pacato da aldeia aliado à inexperiência de Luke como detective (a minha lista de suspeitos e motivos era bastante semelhante à sua) tornam a leitura bastante interessante, levando-nos a crer que a descoberta da identidade do assassino estará ao nosso alcance. Porém, trata-se de Agatha Christie e os pormenores a que não demos atenção são aqueles que, no final, nos fazem ver que o assassino é inequivocamente o que ela aponta e não as nossas (várias) hipóteses.

Mas o mais divertido foi o facto de que Matar é Fácil mostra que, se pensamos que é difícil matar, desenganemo-nos. Tal como Lavinia afirma na viagem de comboio, "Matar é muito fácil... desde que as suspeitas não recaiam sobre nós. E sabe, a pessoa em questão é precisamente a última de quem alguém suspeitaria!"

Agatha Christie é, portanto, uma autora recomendadíssima.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Pássaros de Seda, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse: Graças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcendência de lugar mágico. O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e morrer.
Assim terminam as memórias de Mário, um dos protagonistas de Os Pássaros de Seda, um livro soobre a condição humana, que opões os valores perenes da infância, do maravilhoso e do amor à precariedade das paixões e dos transes da fortuna.
Um magnífico romance que, depois de O Pranto de Lúcifer, confirma a sua autora como uma presença incontornável no panorama da nova ficção portuguesa.

A minha opinião: Belíssimo. Este pequeno livro de 200 páginas encerra em si uma história mundana, de um amor silenciosamente incorrespondido. Algo cliché, é certo, mas em Rosa Lobato de Faria o que nos toca não é um enredo com grande mistérios e acontecimentos imprevisíveis. O que nos toca, sim, é a beleza da escrita, os pormenores e os detalhes que transformam, aos ouvidos, a prosa em poesia.

Os Pássaros de Seda  são, praticamente, as memórias de Mário, filho de uma criada, que vive com ela, o tio-avô - Zebra - e Diamantina, que foi adoptada pela mãe e o tio. Companheiros inseparáveis enquanto crianças, Mário cedo evoluiu para um amor sincero por Diamantina, a qual não via em Mário senão um irmão. A vida de ambos segue rumos muito diferentes, mas sendo Diamantina a protagonista da vida de Mário é, também, ela a protagonista deste livro.

Os Pássaros de Seda apresenta-nos, assim, uma história que nos dá asas para reflectir sobre as relações humanas, os erros do passado, o apreço que damos, mas principalmente, o que não damos ao que nos rodeia, e o facto das nossas memórias serem feitas de pequenos momentos, mas esses momentos fazerem toda a diferença. No fundo, Os Pássaros de Seda fala-nos da vida.

E essa reflexão deve-se às personagens que nos lembram os nossos próprios amigos, namorados, irmãos, pais, avós, desde os contos do tio Zebra que, metaforicamente, descrevem tantos momentos e erros nas vidas de Diamantina e Mário, aos pensamentos das personagens, quer principais quer secundárias, que nos ferem o coração de tão dolorosamente verdadeiras e aplicáveis à nossa vida.

Ao acabar de lê-lo, a única palavra que tenho em mente é bravo. O final dói pela morte de Mário, uma personagem cuja intervenção quase parece um detalhe na história, mas que nos proporcionou um livro belíssimo que nos envolve subtilmente mas de maneira incontornável.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Enigma das Cartas Anónimas, de Agatha Christie

Sinopse: Após um acidente grave, Jerry Burton escolhe a aldeia de Lymstock para convalescer sob os cuidados da irmã, Joanna. Mas a tranquilidade da aldeia vai ser abalada por uma sucessão de cartas anónimas. Afinal, em Lymstock a calma é apenas aparente – a povoação está cheia de intrigas e mistérios – e o caso das cartas, inicialmente pouco perturbador, acaba por assumir contornos de tragédia quando uma das destinatárias aparentemente se suicida. E enquanto o caos, o pânico e a desconfiança se instalam, surge a dúvida: estarão os habitantes a ser vítimas de um psicopata ou de si próprios, dos seus segredos, erros e pequenas infâmias, cuidadosamente guardados ao longo dos anos? A ajuda chegará de onde menos se espera: de uma velha senhora, de visita à aldeia e hospedada em caso do vigário. Nem mais nem menos que Miss Jane Marple.

A minha opinião: O Enigma das Cartas Anónimas de Agatha Christie conta com os ingredientes já habituais da Duquesa da Morte. Mr Burton, para um período de coalescência, decide ir paro o campo com a sua irmã, de modo a ter um período de paz e sossego, como ele próprio afirma. Porém, obviamente, o que o espera não é paz nem sossego. Pouco tempo depois de conhecer a vila, ele e outros habitantes começam a receber cartas anónimas com assuntos obscenos sobre os destinatários, que não correspondiam à verdade e, inclusivamente, levaram ao suicídio de uma mulher.
Rapidamente Mr Burton interessa-se por descobrir a identidade do remetente das cartas e , para tal, ajuda a polícia. Porém , pouco se descobre até Miss Marple entrar em cena e dar a sua graça.
Apesar de não ser um dos melhores de Agatha Christie, é um livro viciante e que, estranhamente, não conta com uma grande intervenção de Miss Marple, pois é muito concentrado em conhecer a aldeia sob o prisma de Mr Burton. 
Pela história engraçada, personagens curiosas e, claro, um desfecho com o qual não contava, este livro revelou-se uma boa leitura. Até agora, Christie é uma aposta segura.

 Classificação: 7/10

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Prenúncio das Águas,de Rosa Lobato de Faria

Sinopse:Tendo como pano de fundo uma aldeia condenada a ficar submersa pelas águas de uma barragem,cinco narradores falam de si,completando, à medida que o fazem,uma história a que só o leitor terá direito.

A minha opinião: Rosa Lobato de Faria tornou-se uma das minhas escritoras preferidas e, provavelmente, deve ser a que mais me impressiona pela sua prosa. Tem um je ne sais quoi de poético, uma forma melodiosa de construir as frases e encaixar versos e frases conhecidas de uma forma subtil. É essa prosa que consegue, como poucos escritores o logram, embrenhar intensamente o leitor numa história mundana e simples. Sim,é essa simplicidade de que traz ao livro algo de encantador.
Deter-me-ei agora de falar na sua belíssima escrita, pois a história também tem muito para dizer. Em O Prenúncio das Águas, o leitor é enviado para o Rio do Anjo, uma aldeia alentejana, recheada de lendas e habitantes típicos de uma aldeia portuguesa, que devido a uma barragem, será submersa pelas águas do rio. Os dias finais desta aldeia são nos relatados, na 1º pessoa, por 5 habitantes : um rapaz de nome Pedro, Ivo,um homem de 60 anos, Filomena, uma filha de emigrantes em França que retorna à sua terra de origem, Ausenda,uma das irmãs Matias Branco e Sebastiana, a habitante mais idosa da aldeia, considerada uma bruxa pelas crianças. É através da visão de cada uma delas que vemos perspectivas completamente diferentes sobre o triste, mas inevitável fim da aldeia. É curioso como Rosa Lobato de Faria consegue, graças ao seu talento, escrever como se fosse 5 pessoas ao mesmo tempo. O capítulo de cada personagem começa e o leitor sabe instantaneamente que personagem é, apenas porque a sua voz característica é logo ouvida.
Apesar de haver uma certa previsibilidade no caminho de cada personagem e no fim da história, não há um único momento em que não haja a esperança de um novo rumo das coisas, em que não vibremos e nos revoltemos com as personagens. Como disse, a história trata de um tema muito mundano, real, mas talvez seja essa a característica que lhe confere algo tão especial. Rosa Lobato de Faria é uma escritora que recomendo. Ler os seus livros é puro deleite.
Classificação: 9/10 - Excelente

sábado, 30 de abril de 2011

O rapaz do pijama às riscas, de John Boyne

Sinopse: As barreiras podem dividir-nos, mas a esperança vai unir-nos.

Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocasto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desérica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que, estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas. A amizade com Shmuel vai levar Bruno da doce inocência à brutal revelação. E ao descobrir aquilo de que, involuntariamente, também ele faz parte, Bruno vai, inevitavelmente, ver-se enredado nesse monstruoso processo.

A Minha Opinião: Depois de ouvir opiniões tão boas sobre este livro e de já saber em linhas gerais do que se tratava, pensei que iria ler algo maravilhoso, porém, fiquei ligeiramene decepcionada.

A história do livro é, no entanto como me disseram, belíssima. Bruno, um rapaz alemão de 9 anos, muda-se de Berlim para o local de um campo de concentração onde conhece Schmuel, um rapaz judeu que lá se encontrava. Separados por uma rede, os dois vão iniciar uma forte amizade e falar sobre o que os afligia, com uma simplicidade que provoca nos leitores uma reflexão sobre a injustiça do holocausto. Bruno não compreende muito daquilo que se está a passar à sua volta, pelo contrário nós, leitores, percebemos.

Este pequeno livro encerra uma poderosa mensagem através de uma história simples e uma linguagem quase infantil. Talvez pela sua simplicidade, é capaz de arrancar sorrisos e lágrimas a leitores de qualquer idade, porque, no fundo, a perspectiva de uma criança inocente sobre a injustiça que o seu amigo judeu sofre é comovente e enternecedora.

No entanto, não gostei mesmo nada de Bruno, o miúdo alemão. Certamente que o autor o fez parecer como uma criança ingénua e com os defeitos que crianças de 9 anos têm, mas o livro era mais centrado nas acções de Bruno do que no seu amigo Schmuel que, pelas suas qualidades e, de certa forma, maturidade, me fizeram gostar muito dele. Acho que por isso o livro nunca chegou a atingir o nível de maturidade que eu estava à espera, ainda que este ponto esteja mais relacionado com as minhas expectativas do que com outra coisa qualquer.

Apesar de tudo, é um bom livro que tem a capacidade de agarrar o leitor desde o início. Li-o só de uma vez, mas quando o pousei, reli o final. Para mim, foi a melhor parte.

Classificação: 7/10 - Bom


segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Alma Trocada, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse: É um lugar comum dizer-se que determinada orientação sexual não é uma escolha, porque, se fosse, ninguém escolheria o caminho mais difícil. Foi esse caminho mais difícil que Teófilo teve de percorrer, desde a incompatibilidade com os pais, aos desencontros dentro de si próprio, chegando mesmo a acreditar que alguém lhe tinha trocado a alma...

A Minha Opinião: Após ter lido A Trança de Inês, um livro da autora que simplesmente adorei, tinha expectativas elevadas em relação a este, não porque a temática me chamasse particularmente a atenção, mas porque já tinha saudades da belíssima expressão escrita de Rosa Lobato de Faria.


Pela segunda vez, apaixonei-me pela prosa da autora. Alguma parte da acção do livro passa-se no Alentejo e devo dizer que a descrição daquele local era maravilhosa, tão credível e tão real, tão chamativa. E a forma como o livro está escrito faz simplesmente com que o leitor se escape da sua mente e entre dentro da cabeça da personagem principal, Téo, sem quase se aperceber.

No entanto, (talvez um pouco pelas expectativas que tinha) o próprio enredo não me chamou tanto a atenção. Houve, certamente, momentos interessantes e personagens com as quais simpatizei, como a avó Jacinta, mas nada de muito memorável se o comparar com A Trança de Inês.

Não deixa de ser um bom livro. Apesar de ter sido em algumas partes demasiado mundano, devido a certos acontecimentos que, a meu ver, não trouxeram nada de novo ao livro, a mensagem durante o mesmo era belíssima: "a alma é indivisível e una, a alma é tua, Teófilo. Tens que aprender a viver com ela".

A Alma Trocada não me causou a mesma impressão que A Trança de Inês, mas continua a ser um livro que prima pela expressão escrita e o problema com que lida (que não me parece ser exclusivamente a homossexualidade, mas sim o sentirmo-nos bem com o que somos e aceitarmo-nos).

Gostei. Rosa Lobato de Faria é uma autora que vou ler brevemente e que aconselho vivamente.

Classificação: 8/10 (Muito Bom)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Crime no Campo de Golfe, de Agatha Christie

Sinopse: Um urgente pedido de ajuda leva Poirot a França. Infelizmente, o detective não chega a tempo de salvar o seu cliente, cujo corpo é encontrado numa sepultura aberta num campo de golfe. Mas porque é que o morto enverga o sobretudo do filho? E a quem se destinava a apaixonada carta de amor descoberta no seu bolso? Antes que Poirot consiga responder a essas perguntas, o caso sofre uma reviravolta com a descoberta de uma segunda vítima.

A Minha opinião: Mais um ponto para a Duquesa da Morte. É impressionante como Agatha Christie continua sem desiludir. Apesar de começar a estabelecer alguns paralelismos entre os seus livros, reconhecendo algumas semelhanças entre os mesmos (algo da fórmula Christie?), o interesse manteve-se e a capacidade de me surpreender continua.

Como pontos fortes deste policial em específico, aponto o facto de, à semelhança de Crime no Expresso do Oriente, este também ter um crime antigo por detrás de todo o trama, crime esse fulcral para a resolução do mistério. Além disso, gostei do facto de haver outro detective envolvido no caso, um detective mais convencional que, claro está, não usa tão bem as celulazinhas cinzentas como Poirot. De resto, o habitual da autora: personagens singulares, uma capacidade de envolver o leitor no ambiente da história e de o manter preso à mesma de vido a umas reviravoltas inesperadas.

Na minha opinião, o livro só peca na escolha do narrador. Achei que a personagem estava ok. Nem gostei nem desgostei, mas depois da enfermeira que narrava o Crime na Mesopotâmia, este narrador soube-me a pouco, porque era um pouco normal demais. Ainda assim, fazia o nosso papel na história, de pessoa que pouco percebe ou não da resolução de um crime, e que se deixa levar facilmente pelas emoções.

Não gostei tanto como Crime no Expresso do Oriente ou O Assassinato de Roger Ackroyd, mas, na minha opinião, é um óptimo mistério na mesma e gostei bastante de o ler.

Classificação: 8/10 (Muito bom)

domingo, 15 de agosto de 2010

Crime na Mesopotâmia, de Agatha Christie

Sinopse: Amy Leatheran é uma jovem enfermeira encarregada de acompanhar o casal Kelsey na sua viagem para Bagdadde. Finda a tarefa para a qual fora contratada, Amy prepara o seu regresso a Londres quando é inesperadamente contratada pelo Dr. Leidner, um arqueólogo de renome, para dar assistencia à mulher, Louise. De facto, Louise é uma pessoa extremamente nervosa e sofre de súbitos e incontroláveis ataques de pânico. No cenário longínquo de uma escavação arqueológica nas margens do rio Tigre, Amy conquista o afecto e a confiança de Louise, que lhe faz confidênciass sobre o seu passado e chama a atenção para os estranhos acontecimentos que ocorrem no acampamento e cuja origem é unanimemente atribuída aos seus próprios problemas nervosos. Mas depressa se torna óbvio que as suas suspeitas estavam correctas. E quando a tensão atinge o seu auge eis que surge o inigualável Hercule Poirot, numa oportuna viagem pela Mesopotâmia. Por entre um labirinto de segredos e mentiras, Poirot parece, desta vez, ter chegado tarde de mais.

A Minha Opinião: Enfim, Agatha Christie é Agatha Christie. É incrível a sua capacidade de nos surpreender mesmo que durante todo o livro estivessemos a fazer o papel de detectives.

O crime, desta vez, é cometido numa expedição arqueológica. Desde cedo gostei do cenário escolhido por Agatha Christie, assim como da voz da narradora, a enfermeira Amy Leatheran.

As personagens, como habitual, eram muito interessantes, especialmente Mrs. Leidner e atmosfera criada era incrivelmente arrepiante (okay, eu sou suspeita, gosto de ler estes livros numa altura um pouco tardia, portanto à partida tudo seria arrepiante, mas eu achei que sim).


Penso que, a nível de mistério, este foi igualmente espantoso ao do Crime no Expresso do Oriente e o desfecho igualmente surpreendente.


Duzentas páginas recheadas de mistério, cenário e personagens magníficos, bem ao estilo de Agatha Christie, impossíveis de largar até à junção de todas as peças do puzzle.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Trança de Inês, de Rosa Lobato de Faria

Sinopse: "Assim as mulheres passam umas às outras a sua teia ancestral de seduções, subentendidos, receitas que hão-de prender os homens pela gula, a luxúria, a preguiça e todos os pecados capitais, é por isso que elas nunca querem os santos, os que não se deixam tentar, os que resistem à mesa, à indolência, à cama, à feitiçaria dos temperos, ao sortilégio das carícias, à bruxaria das intrigas." Baseado no mito de Pedro e Inês (mais na lenda do que na História), um romance sobre a intemporalidade da paixão, onde se abordam também alguns mistérios da existência. Um romance que, se não dá nenhuma resposta, coloca ao leitor algumas inquietantes questões. Rosa Lobato de Faria, "Prémio Máxima de Literatura" com o seu romance anterior, O Prenúncio das Águas, confirma aqui, uma vez mais, o seu notável talento de escritora.

A Minha Opinião: Ao contrário da maioria dos livros que leio, este não era um livro que quisesse ler há muito tempo. O interesse surgiu numa conversa com a minha professora de português sobre a importância da expressão escrita face ao desenrolar da acção/ história. Acabou por aconselhar-me Rosa Lobato de Faria, não só pela sua belíssima prosa poética, mas também porque eu devia ler mais autores lusófonos, o que, como já devem ter reparado, é bem verdade.


Foi-me bastante difícil escolher o livro da autora pelo qual começar. Os títulos apelavam-me todos, mas acabei por escolher A Trança de Inês, um pouco pela minha curiosidade em saber como abordaria Rosa Lobato de Faria esta célebre história de amor.


Ainda que pequeno, o livro é maravilhoso. A sensação com que ficamos ao acabar de lê-lo é de puro fascínio pela qualidade da escrita do que acabamos de ler, pela beleza da história, pela forma como somos imersos nos pensamentos e no universo do protagonista, Pedro.
Quaisquer preconceitos ou receios que tivéssemos à partida, desvanecem-se. A história lê-se muito bem, pois a abordagem feita pela autora ao romance de Pedro e Inês é magnífica. O livro absorve-nos desde o início até ao final e mesmo assim, a minha vontade ao acabar de lê-lo era recomeçar. Somos simplesmente presos por este romance que rompe a ténue linha que separa passado, presente e futuro.

Este é um dos poucos livros em que se pode abrir uma página ao acaso e ler algo esplêndido.
Quando o acabei, percebi que me tinha preenchido por completo. Eu poder-vos-ia falar sobre este livro durante horas, mas descubram por vocês próprios. Surpreendam-se. Eu, sem dúvida, surpreendi-me.

Classificação: 10/10 - Magnifique

domingo, 11 de abril de 2010

A Minha Amiga Flicka, Mary O'Hara

Sinopse: Kenneth McLaughlin (Ken) é um pacato e sonhador rapaz de 10 anos que vive com a sua família num rancho do Wyoming. Após longos meses num colégio interno, Ken regressa a casa para as férias e reencontra as calmas e vastas paisagens que ele tanto adora e, sobretudo, os magníficos cavalos que a sua família cria e cuja liberdade ele tanto admira. O seu sonho é possuir um cavalo só seu, mas o pai, severo e autoritário, recusa-se a desperdiçar um dos seus valiosos animais - meio de sustentação da família - com um sonhador como o filho. Porém, com a intervenção da mãe, o pai acaba por concordar com a ideia e decide oferecer um dos cavalos do rancho a Ken, na expectativa de que isso lhe incuta algum sentido de responsabilidade. Ken, que nas suas deambulações pela pradaria já havia elegido a égua dos seus sonhos, não hesita e, para desespero do pai, escolhe Flicka, uma das crias mais selvagens e indomáveis de todo o rancho. E é justamente através da sua firme devoção a Flicka que Ken acaba por crescer interiormente, assumindo as responsabilidades próprias de um jovem adulto e conseguindo, no fim, ganhar a aceitação e o respeito do pai. Uma história admirável e intemporal que, muito mais do que uma mera história de cavalos, é um inspirador relato do crescimento de um jovem e da sua busca de auto-confiança. (Retirada de aqui.)

A Minha Opinião:
A Minha Amiga Flicka era um livro que eu já queria ler há bastante tempo, cujo título conheci não só pela obra literária, mas também pela série e adaptações cinematográficas. Curiosamente, enquanto lia este livro, o cenário, a história, aparecia tudo tão claro na minha mente como se de um filme se tratasse e pensei que seria um livro perfeito para adaptar ao grande ecrã.

Virado para um público juvenil, é no entanto, um livro que pode ser lido a qualquer idade e mesmo assim cativar o leitor. E pertence áqueles livros que, apesar de escrito em 1941, a sua história é ainda bastante actual.

Neste livro, é-nos dado a conhecer Ken, um rapaz de 10 anos, cujo pai é o dono do rancho. Apesar dos seus pais se encontrarem desiludidos com os seus resultados escolares, Ken quer concretizar o seu sonho e tudo o que lhes pede é um potro para si. Apesar de parecer simples, a história é muito mais do que isso. Somos perfeitamente transportados ao ambiente do rancho para ver o quão forte é a ligação entre Flicka e Ken, a forma como cada um escolheu o outro e como mudaram depois desse momento. Apesar de eu não pertencer de todo ao mundo dos cavalos, após a leitura deste livro, apercebi-me do quão forte é a relação entre o cavalo e o seu dono. Uma história lindíssima, com uma mensagem não menos brilhante.

Gostei bastante da escrita da autora, pois consegue contar-nos os acontecimentos e expressar os sentimentos de cada personagem de uma maneira à qual não se consegue ficar indiferente. Nota-se bem que a vida num rancho e os cavalos eram uma realidade muito próxima para a autora, pois consegue transportar- nos a esse mundo, mesmo aos que, como eu, pouco sabem sobre o assunto.


Classificação:
8/10 - Muito Bom

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um Crime no Expresso do Oriente, de Agatha Christie

Sinopse: Pouco depois das doze batidas da maia-noite, um nevão obriga o Expresso do Oriente a parar. Para aquela época do ano, o luxuoso comboio estava surpreendentemente cheio de passageiros. Só que pela manhã havia, vivo, um passageiro a menos. Um homem de negócios americano jazia no seu compartimento, apunhalado até à morte. Poirot aceita o caso, aparentemente fácil, que acaba por se revelar um dos mais surpreendentes da sua carreira. É que existem pistas (muitas!), existem suspeitos (muitos!), sendo que todos eles estão circunscritos ao universo dos passageiros da carruagem. Para ajudar às investigações, o morto é reconhecido como sendo o autor de um dos crimes mais hediondos do século. Com a tensão a aumentar perigosamente, Poirot acaba por esclarecer o caso... de uma maneira a todos os títulos surpreendente!

A minha opinião: Um Crime no Expresso do Oriente é uma das obras mais conhecidas da Duquesa da Morte. Tem algumas semelhanças com Morte no Nilo, visto que, apesar do assassinato ocorrer num comboio, os suspeitos também são os passageiros do mesmo.

Não conhecia a história, mas sabendo que, nos policiais dela, nem tudo é o que parece, tentei fazer o trabalho de detective e dediquei-me a encontrar a solução. Ainda que a tenha encontrado parcialmente, foi uma leitura, como habitual, dinâmica e surpreendente, deixando o leitor intrigado e envolvido nos acontecimentos.

Gostei bastante do facto dela se ter inspirado num caso verídico da época e fazer um enredo tão característico e com personagens tão diferentes. É sem dúvida um policial com uma história muitíssimo interessante do início até ao final. Um excelente livro de Agatha Christie.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Assassinato de Roger Ackroyd, Agatha Christie

Sinopse: Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenara o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vitima de chantagem. Agora, que as trágicas noticias sobre a sua morte apontavam para um suicídio por overdose, eram muitas as perguntas que pareciam não ter resposta.
Mas quando pensava estar perante as primeiras pistas do caso, Ackroyd ver-se-ia envolvido num homicidio brutal: o seu!
O Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detective reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho era nem mais nem menos que o belga Hercule Poirot...

A Minha Opinião: Aqui está o meu primeiro livro lido em 2010 (como prometido, querida Jacqueline)!

Devo dizer-vos que fiquei verdadeiramente surpreendida, pela positiva, com este livro.
Já tinha ouvido falar muito bem da escritora, por isso esperava algo bom, mas nada comparado com aquilo com que me deparei.


A história é nos relatada pelo médico da aldeia, Dr. Sheppard, ou James como lhe chama a irmã Caroline.
James e Caroline vivem numa pequena aldeia onde se sabem todos os segredos de quem lá vive, e, em parte, isso deve-se a Caroline e o seu grupo de amigas. Caroline fica em casa durante a maior parte dos dias, e de alguma maneira fica a saber de todos os boatos que correm. Quando sai de casa não é para recolher informações, mas sim para as espalhar.


A história começa quando Mrs. Ferrars morre na noite de 16 para 17 de Setembro. Dr. Sheppard é chamado a casa da senhora, mas infelizmente já não há nada que ele possa fazer.
O marido de Mrs. Ferrars morre envenenado, e pela aldeia correm os rumores de que quem o matou foi ela, mas não passavam disso, rumores. Dizia-se também que Mr. Ackroyd (viúvo e com um enteado, Ralph) e Mrs. Ferrars tinham um romance, e que, no fim do luto, Mrs. Ferrars tornar-se-ia Mrs. Roger Ackroyd.
Pouco tempo depois o enteado de Mr. Ackroyd volta à aldeia, e Roger confidencia com James, pois considera-o um amigo e o único em que pode confiar naquela aldeia, que anda um pouco perturbado e convida-o para jantar em sua casa para assim puderem conversar à vontade.
Durante a conversa entre os dois no escritório Mr. Ackroyd fala abertamente com o médico e mostra-lhe uma carta deixada por Mrs. Ferrars antes de morrer. A falecida conta que matou o marido, e entre outras coisas, que anda a ser chantageada pela única pessoa que sabe a verdade.
Roger Ackroyd não lê quem é a pessoa, pois prefere fazê-lo em privado sem James ali.
Quando chega a casa, James recebe um telefonema de um homem que lhe diz que Roger foi assassinado. James volta a casa do velho Ackroyd para verificar o telefonema e encontra o corpo do amigo, ainda sentado na poltrona visivelmente morto.
Para além da polícia quem investiga o caso é o novo vizinho do médico, Mr. Poirot, um detective com uma personalidade muito peculiar. A história gira em volta das suspeitas do detective. Todos os que vivem na casa de Mr. Roger Ackroyd acabam suspeitos, mas há alguém de quem Poirot suspeita mas não faz ninguém saber. No fim do livro, ao descobrirmos quem é o assassino vêmos o crime de uma prespectiva completamente diferente.


Agatha Christie escreve um policial com muita inteligência, conseguindo alibis e suspeitas crediveis para todos os suspeitos, fazendo-nos acreditar em cada incriminação, dado a que certa altura acabamos por suspeitar de toda a gente.


Realmente um grande livro, do qual gostei bastante. Fico ansiosa por ler o próximo ;)

Classificação: 8/10 - Muito Bom

domingo, 13 de dezembro de 2009

Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel

Sinopse: Tita vive, nos primeiros anos do século XX, numa localidade fronteiriça mexicana de arrigados e severas normas sociais. Como filha mais nova, devia consagrar a sua vida ao serviço da família e esquecer-se do amor. Mas tudo se complica quando Tita se apaixona por um jovem chamado Pedro Muzquiz. Como a Mamã Elena não deseja prescindir da sua filha mais nova que a deveria cuidar na velhice, a «solução» que encontra consiste em oferecer a mão de outra das suas filhas a Pedro... Nesta desesperante situação, a cozinha e os seus feitiços tornam-se na única válvula de escape para a sensualidade da jovem...
A minha opinião: Laura Esquivel, sempre foi uma autora por quem eu nutro uma imensa consideração e carinho. Oriunda do México, Laura Esquivel, é uma autora que utiliza a magia e a ficção para dar rumo a todas as suas histórias e, Como Água para Chocolate, não foge à regra.
A história passa-se no ínicio do século XX, onde as normas e proíbições continuam a reinar, para raparigas como Tita, a mais nova de três irmãs. Tita uma rapariga com um dom notável para a cozinha, vive atrás dos seus cozinhados e especiarias, como forma de se resguardar da paixão imensa que sente por Pedro. Mas o que é que os impede de casar e de ficarem juntos para sempre? Na familia manda a tradição que a filha mais nova (Tita) se mantenha solteira e cuide da mãe até à hora da morte. Como tal a mãe de Tita, oferece a mão da sua filha mais velha, Rosaura, a Pedro. Será que Pedro aceita? Como se sente Tita, com todo este reboliço? Que destino lhes é reservado no fim?
Um livro extraordinário, que combina o amor com a cozinha de uma forma comovente.
Um romance escrito para todas as idades e com um toque de doçura e de carinho tão característicos de Laura Esquivel.
Uma proposta deliciosa, para o Natal =D
Excelentes leituras!


Classificação: 9/10 - Excelente
[Recomendo também, Tão Veloz Como o Desejo, de Laura Esquivel, outra proposta excelente para um Natal receado de doçura =D]

domingo, 25 de outubro de 2009

As Três MISS MARGARETS, Louíse Shaffer

Sinopse: Miss Peggy, Dra. Maggie e Miss Li'l Bit têm em comum o nome e uma amizade que dura há longos anos. Mas por detrás da fachada irrepreensível que as levou a serem consideradas verdadeiros ícones em Charles Velley, na Georgia, têm também um segredo explosivo, com décadas, que está prestes a ser revelado.
Trinta e tal anos antes, as três Miss Margarets fizeram algo extraordinário, clandestino e profundamente ilegal. Apesar de permanentemente assombradas por essa noite que mudou as suas vidas, acreditam ainda que o seu crime foi apenas uma forma de corrigir um mal imperdoável.
Porém, a chegada de um estranho à cidade e uma morte trágica vão abrir as comportas da memória, e a lealdade, a amizade e a honra serão postas à prova como elas jamais teriam imaginado - principalmente quando têm de enfrentar Laurel Selene, uma jovem que passou toda a sua vida a braços com uma mãe alcoólica e um rancor desmedido. Laurel está prestes a descobrir o que aconteceu na noite em que as três Miss Margarets fizeram o seu juramento secreto. Qualquer que seja a sua reacção, apenas uma coisa é certa: nada voltará a ser como dantes.


A minha opinião: Este é um livro que eu via à muito guardado na prateleira da avó, e que sempre me fez sentir uma certa curiosidade de saber qual o segredo que continha.
Foi uma história que me agarrou desde a primeira página, e que me deu sempre vontade de ler mais para saber o que acontecia a seguir, logo, li o livro em uma dentada.

O livro começa por apresentar as três personagens centrais, As Três Miss Margarets, Peggy, Maggie e Li'l Bit.

Louíse conta um pouco da história de cada Margaret, como se de uma memória se tratasse. Durante o primeiro capítulo, as três amigas recordam-se dos seus tempos de miúdas e do que naquela altura os habitantes do pequeno local Charles Valley pensavam delas. O Inicio desta história absorvente revela-nos o gesto que vai ajudar a desenterrar todos os segredos meticulosamente guardados pelas Margarets: as três encontram-se numa casa abandonada e despedem-se da vedeta local, Vashti, agora morta, que volta à sua terra natal quando está prestes a falecer.

Um jornalista, que está a escrever um livro acerca de Vashti, reconhece as três Miss Margarets, quando estas deixam a casa abandonada depois da despedida. A partir daqui, tudo vem ao de cima, quando o jornalista tenta descobrir mais acerca do que viu.

Esta história leva-nos numa viagem incrível ao longo de três gerações, e revela-nos coisas inesperadas acerca da vida de cada personagem. No fim, juntando todas estas recordações dos velhos tempos, o grande segredo que as três idosas Peggy, Maggie e Li'l Bit escondem é finalmente descoberto. As três coisas que vos posso dizer acerca deste segredo horrível é que nada é o que parece, existem vários "inocentes" envolvidos nele e, depois de revelado, nada volta a ser como dantes.

O único defeito que realmente se destaca, para mim, tem apenas haver com a pontuação do livro, não conseguimos distinguir bem quando acaba uma recordação e recomeça o presente.
Foi um livro que adorei e que certamente recomendo a todos, principalmente, aos que gostam de um bom segredo.


Classificação: 9/10 - Excelente


(Finalmente consigo partilhar ideias com vocês! Estas tecnologias deixam-me de rastos! ;) )

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Morte No Nilo, Agatha Christie

Sinopse: A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.

A Minha Opinião: Este é o terceiro livro que leio dela e não é por acaso que a chamam e bem a Rainha do Crime.

Este livro, que li no decorrer da leitura conjunta do fórum Estante dos Livros, tem várias particularidades muito interessantes. Uma é o facto de o assassinato só decorrer no meio do livro, o que nos dá a possibilidade de conhecermos as personagens antes de serem suspeitas e também ver o que as levou a fazer a viagem pelo Nilo... Um aspecto que eu gostei e bastante. Outra é o facto de ter muitas personagens completamente distintas, vindas de imensos sítios, o que também enriquece o livro. Foi diferente dos dois livros que li, mas mesmo assim foi muito agradável ver outro estilo de história nos policiais dela, pois este destaca-se a nível de enredo e não só a nível da investigação.

O final, foi para mim, inesperado, embora não tenha sido para outros membros do fórum :P

Mais uma vez, foi uma experiência muito agradável fazer a leitura conjunta, além de ler os policias desta escritora magnífica.


Classificação : 8/10

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie

Sinopse: Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenera o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Agora, que as trágicas notícias sobre a sua morte apontavam para um suícidio por overdose, eram muitas as perguntas que pareciam não ter resposta. Mas quando pensava estar perante as primeiras pistas sobre o caso, Ackroyd ver-se-ía envolvido num homicídio brutal: o seu! O Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detective reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho era nem mais nem menos que o belga Hercule Poirot...

A minha opinião: Acabei de lê-lo e ainda estou de boca aberta. Agatha Christie é de facto uma escritora excepcional. Tinha uma capacidade enorme de contar policiais, pois através de um fio condutor coerente e constante que nos prende desde o início, temos um final totalmente inesperado e surpreendente.

Neste livro somos confrontados também com um clássico dos mistérios. Um velho muito rico que morre no escritório, e cujo testamento aponta para vários culpados. Até aqui, nada de especial, mas à medida que a história se desenrola este livro é tudo menos banal.

Para já, uma ideia muito interessante é que a história é contada na primeira pessoa, não pelo detective, mas por uma pessoa completamente normal, o médico. Esta perspectiva é muito interessante, pois permite ao leitor assumir claramente a pele de um expectador, que tendo acesso à informação na íntegra, não consegue desvendar o mistério (ou melhor, eu pelo menos não :)

Foi, sem qualquer dúvida, um grande prazer voltar aos policiais de Agatha Christie. É uma autora mais que recomendada.


Classificação: 8/10

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um corpo na biblioteca, de Agatha Christie

Sinopse: Ela era jovem, loura e usava demasiada maquilhagem. O coronel Bntry e a mulher, Dolly, nunca a tinham visto antes... de a encontrarem morta no tapete da biblioteca! Quem é ela? Como é que foi ali parar? E qual é a sua relação com a outra jovem assassinada, cujo cadáver será posteriormente descoberto num carro incendiado? O respeitável casal Bantry convida a pessoa mais eficiente que conhece no que a mistérios diz respeito: Miss Jane Marple. E quando o enigma se adensa e a investigação aponta para vários suspeitos possíveis, a astuta solteirona faz jus à sua fama de implacável bisbilhoteira.

A minha opinião: Eu já há muito tempo que queria ler um livro da autoria da maior escritora policial do século XX, a famosa Agatha Christie. Para já, por três razões. A primeira porque apesar de gostar de ler policiais, é um género que leio bastante pouco. A segunda porque já me tinham aconselhado muitos dos meus colegas os policiais dela. And last but not least, a minha mãe adorava e tinha montes de livros de quando era pequena.

Portanto, este livro foi a estreia nos livros dela. Para já queria explicar por que razão eu não comecei com Poirot, o que provavelmente teria muito mais lógica. Li as duas descrições e, sinceramente, achei que A Miss Marple era extremamente original, diferente e nada convencional, ideia que permaneceu até ao final. E mais, o engraçado é que ela descobre as coisas comparando com casos na sua aldeia (um aspecto muito interessante), encaixando cada atitude/personagem num determinado padrão (é aqui que todas as coscuvilhices lhe servem de alguma coisa)...

Sobre este volume em especial, confesso que foi uma história que, partindo de uma ideia já conhecida, os corpos na biblioteca,Agatha Christie escreveu uma história muito interessante, distinta que desencadeia um final totalmente lógico, mas inesperado. Isto porque imaginação não falta, quer na história de cada personagem, quer no desenrolar na história, que através de pistas subtis nos levam a determinar tal culpado, quando (e de uma forma muito lógica) esse é completamente inocente...

Em resumo, e porque escrever uma opinião no blog sobre policiais é muito mais difícil do que escrever doutro género, tenho apenas a dizer que é uma experiência a repetir e não se admirem se virem mais uns quantos livros dela por estes tempos, já a começar com Morte no Nilo, da leitura conjunta ;)

Classificação: 7/10