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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Terra Abençoada, de Pearl S. Buck

Sinopse: Terra Abençoaada é um clássico da literatura mundial, uma história bela e intemporal que nos recorda a importância dos verdadeiros valores da vida. No reinado do último imperador da China, uma criada casa com um homem humilde. Juntos dão início a uma família e encetam uma viagem épica, envolvente e inesquecível... O- lan é uma criada na maior casa da aldeia.  Quando casa com Wang Lung, um humilde agricultor, labuta arduamente ao longo de quatro gravidezes pela sobrevivência da sua família. Ao princípio, as recompensas são poucas, mas o trabalho é fonte de esperança e há sustento na terra. Até a fome chegar e mudar a vida de todos. 

A minha opinião: De Pearl S. Buck tinha lido A Flor Oculta, um romance entre o Oriente e o Ocidente que me despertou o interesse para ler mais livros dela. Mas este Terra Abençoada nada tem a ver. Neste livro, a autora mostra-nos uma China profunda, em que os camponeses, o trabalho e a terra têm os papéis principais.

A China retratada é uma China por um lado pobre, presa às tradições, onde os dias são longos e a vida é dura. Por outro, é a China do ópio e do ócio, onde as pessoas se deixam corromper. Mas os valores transmitidos do trabalho e do sacrifício pela família são universais e muito fazem lembrar aldeias por esse mundo fora, onde também existem pais que se sacrificam e filhos esbanjadores, pessoas que vivem do seu trabalho e outras de estratégias manipuladoras.

A narrativa é assim realista e as personagens credíveis, comovendo o leitor com as suas dificuldades ou desiludindo-o quando se desviam dos seus valores. O livro encerra uma bela mensagem de sacrifíco e persistência, mas também da importância de aproveitar as pequenas oportunidades que o destino nos coloca à frente.

Não sei verbalizar exatamente o que não me fez adorar o livro. Talvez procurasse um pouco mais de factos históricos ou personagens que me apelassem mais. De certa forma, foi como se o seu carácter down-to-earth me tivesse mantido também menos apegada emocionalmente.  

Ainda assim, Pearl S. Buck continua como uma escritora que quero continuar a ler no futuro.

Classificação: 7/10 - Bom

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Traição de Sangue, de Charlaine Harris

Sinopse: Sookie Stackhouse, uma empregada de bar na pequena vila Bon Temps em Louisiana, tem tão poucos parentes vivos que a entristece perder mais um; neste caso a sua prima Hadley, amante da rainha dos vampiros de Nova Orleães. Hadley deixou tudo o que tinha a Sookie, mas reclamar essa herança tem riscos elevados. Há quem não queira que ela vasculhe demasiado o passado e as posses da prima - nomeadamente uma pulseira valiosa que faz parte de um conjunto oferecido pelo rei vampiro do Arkansas à rainha do Louisiana, e que Hadley roubou e escondeu antes de ser assassinada. Sookie tenta evitar um conflito diplomático entre os dois reis mas, mais uma vez, a sua vida está em perigo pois  alguém fará qualquer coisa para a travar...



A minha opinião:  True Blood é a saga a que recorro quando quero ler algo viciante e que não seja demasiado estimulante intelectualmente, pois assim retomo sempre o meu gosto pela leitura em tempos mais cansativos. Com este 6º livro, confirmam-se, mais uma vez, estes atributos.

Na Traição de Sangue, voltamos ao mundo vampírico (yay!), depois de no livro anterior Sookie se ter aventurado pelo mundo dos metamorfos. Após 5 livros, é evidente que reconhecemos a receita: Sookie desloca-se, desta vez, a Nova Orleães devido ao falecimento da sua prima vampira Hadley, mas acaba por se ver no meio de acontecimentos perigosos do mundo sobrenatural, com grandes consequências na dinâmica dos vampiros da sua área. 

Porém, a meu ver, este livro destaca-se pelo maior contacto com a realeza vampírica e consequentemente com o aumento da compreensão que temos sobre estes seres. Confesso que a história do "renascer" de cada vampiro é sempre uma curiosidade que gosto de ir vendo saciada :) E porque a vida amorosa de Sookie tarda em assentar e é, naturalmente, tema de conversa, apesar de começar a gostar um pouco de Quinn, espero ansiosamente por Eric.

Pelo facto de, passados tantos livros, a série continuar a manter-me bastante interessada, apenas posso recomendar os livros àqueles que gostem de uma mistura de mistério com o mundo sobrenatural, recheado de criaturas sensuais e cativantes, mas perigosas.

Classificação: 7/10 - Bom

Saga Sangue Fresco - opiniões :

Sangue Fresco -  2 Dívida de Sangue - 3 Clube de Sangue - 4 Sangue Oculto - Sangue Furtivo 6-Traição de Sangue 7- Sangue Felino


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami

Sinopse: Toru Okada, um jovem japonês que vive na mais completa normalidade, vê a sua vida transformada após o telefonema anónimo de uma mulher. Começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real vai degradando-se até se transformar em algo fantasmagórico. A percepção do mundo torna-se mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru sente-se impelido a resolver os conflitos que carregou durante toda a sua vida.
Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendentes como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar.
Crónica do Pássaro de Corda, ao qual foi atribuído o Prémio Yomiuri, é considerado, por muitos, a obra-prima de Murakami. 

A minha opinião: Murakami é um escritor único, cujas obras primam pela atmosfera surreal em que o leitor é envolvido. Apesar da peculiaridade das personagens e acontecimentos narrados, que chegam a ser muito bizarros, o facto é que as histórias costumam ser sempre cativantes.

Na Crónica do Pássaro de Corda, Murakami apresenta-nos Toru Okada, um homem que aparenta levar uma vida banal até que recebe uma chamada anónima de uma mulher, sendo que, a partir daí, a sua vida vai estar repleta de acontecimentos que parecem ilógicos, mas que, na realidade não são tão obscuros ou deslocados da realidade. 

Confesso que, no início, me foi difícil gostar do livro. Isto, porque se revelava já uma tendência para muitas pontas soltas e histórias paralelas ao longo da leitura que, ainda que se tenham mantido ao longo desta e até tenha gostado, foram difíceis de me habituar inicialmente.

Mas, se primeiro se estranha, depois entranha-se e o facto é que a leitura foi ganhando ritmo. Este livro foi, dos que li de Murakami, aquele com que deparei com personagens mais inusuais, que por se distanciarem das opções de vida habituais, revelam uma sabedoria e liberdade fascinantes. Dentro das pessoas com que Toru contacta, conhecemos espírito livres e jovens, personagens que abraçam o sobrenatural, mas também seres sem escrúpulos e manipuladores, que reconhecem os mais vulneráveis e deles se aproveitam. Com eles reflectimos sobre o destino, a dualidade do ser humano, o conhecimento que temos sobre as pessoas e os impulsos, a fronteira ténue entre consciente e inconsciente, sendo várias as passagens convidativas a estas reflexões pessoais, que me fizeram parar a leitura, diversas vezes, para absorver o que estava a ler.  Aliás, a diferença tão subtil entre sono e vigília afectaram, inclusivamente, uma noite que seria, para mim, calma e tranquila, mas que Murakami não deixou sossegada.

Confesso que gostaria de ter gostado tanto deste livro como dos outros que li dele, mas o facto é que me deixou um vazio no final. Talvez por ter sentido pouco interesse em algumas partes da leitura ou por Murakami ter levado mais ao extremo as pontas soltas em alguns momentos do livro, não desfrutei tanto da história da Crónica do Pássaro de Corda. Porém, a leitura de excertos onde há um apelo magnífico  às sensações, que me levam a descobrir obras de música clássica maravilhosas e as reflexões que o livro incitou valeram bem a pena.


Classificação: 7/10 - Bom  

PS - Para os leitores que gostariam de começar a ler Murakami, Sputnik, Meu Amor ou A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol seriam melhores escolhas, a meu ver, para se ambientarem ao estilo de Murakami. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Enigma das Cartas Anónimas, de Agatha Christie

Sinopse: Após um acidente grave, Jerry Burton escolhe a aldeia de Lymstock para convalescer sob os cuidados da irmã, Joanna. Mas a tranquilidade da aldeia vai ser abalada por uma sucessão de cartas anónimas. Afinal, em Lymstock a calma é apenas aparente – a povoação está cheia de intrigas e mistérios – e o caso das cartas, inicialmente pouco perturbador, acaba por assumir contornos de tragédia quando uma das destinatárias aparentemente se suicida. E enquanto o caos, o pânico e a desconfiança se instalam, surge a dúvida: estarão os habitantes a ser vítimas de um psicopata ou de si próprios, dos seus segredos, erros e pequenas infâmias, cuidadosamente guardados ao longo dos anos? A ajuda chegará de onde menos se espera: de uma velha senhora, de visita à aldeia e hospedada em caso do vigário. Nem mais nem menos que Miss Jane Marple.

A minha opinião: O Enigma das Cartas Anónimas de Agatha Christie conta com os ingredientes já habituais da Duquesa da Morte. Mr Burton, para um período de coalescência, decide ir paro o campo com a sua irmã, de modo a ter um período de paz e sossego, como ele próprio afirma. Porém, obviamente, o que o espera não é paz nem sossego. Pouco tempo depois de conhecer a vila, ele e outros habitantes começam a receber cartas anónimas com assuntos obscenos sobre os destinatários, que não correspondiam à verdade e, inclusivamente, levaram ao suicídio de uma mulher.
Rapidamente Mr Burton interessa-se por descobrir a identidade do remetente das cartas e , para tal, ajuda a polícia. Porém , pouco se descobre até Miss Marple entrar em cena e dar a sua graça.
Apesar de não ser um dos melhores de Agatha Christie, é um livro viciante e que, estranhamente, não conta com uma grande intervenção de Miss Marple, pois é muito concentrado em conhecer a aldeia sob o prisma de Mr Burton. 
Pela história engraçada, personagens curiosas e, claro, um desfecho com o qual não contava, este livro revelou-se uma boa leitura. Até agora, Christie é uma aposta segura.

 Classificação: 7/10

domingo, 18 de agosto de 2013

Sangue Furtivo, de Charlaine Harris

Sinopse: Sookie Stackhouse, uma empregada de bar na pequena vila Bon Temps, não é alheia a experiências sobrenaturais. Mas agora estranhos acontecimentos estão a mexer com a sua família e nunca antes o sobrenatural esteve tão próximo. Quando Sookie repara que os olhos do seu irmão Jason começam a modificar-se, ela percebe que ele está prestes a transformar-se numa pantera pela primeira vez - uma transformação mais rápida e intuitiva do que a maioria dos metamorfos que ela conhece. Mas a preocupação de Sookie torna-se mais intensa e assustadora quando um atirador furtivo aponta a sua mira para os metamorfos locais, e os novos "irmãos" felinos de Jason começam a suspeitar que ele pode estar por trás dessa mira. Sookie tem até à próxima lua cheia para descobrir quem está envolvido nestes ataques... a menos que o atirador decida encontrá-la primeiro...

A minha opinião:  Caros fãs da série, boas notícias, o 5º livro é extremamente viciante, à semelhança dos anteriores. O mundo criado por Charlaine Harris e as personagens carismáticas que nele habitam são mais que suficientes para ser impossível largar o livro, uma vez começado, mesmo que os ingredientes de policial sejam sensivelmente os mesmos.

Em Sangue Furtivo, a história debruça-se essencialmente sobre a comunidade metamorfa, sendo que os vampiros têm relativamente pouca ação. Quem sente curiosidade sobre a comunidade metamorfa, certamente gostará deste livro. Quanto aos outros, espero que tenham a sua vontade satisfeita nos livros seguintes. Ainda assim, estando algo curiosa pela transformação de Jason, senti-me um pouco desiludida pelo seu (quase) nenhum desenvolvimento. Compreendo que não fosse crucial, mas gostaria que Jason tivesse tido um pouco mais de protagonismo.

No que diz respeito ao enredo, tenho uma grande reserva: os casos amorosos de Sookie começam a ser um pouco demais, principalmente porque estão todos num estado potencial. Espero, sinceramente, que nos livros seguintes esta questão se resolva, que o estado de indecisão dela é um pouco exasperante.

Por fim, algo que foi inevitável não reparar ao longo da leitura: ler os livros desta saga é muito mais divertido em inglês. Não quero dizer que o trabalho de tradução esteja mal feito, mas a verdade é que em inglês o tom humorístico e coloquial de Sookie enquanto narradora é mais natural e cativa, sem dúvida, mais do que lê-lo em português. 

Posto isto, apenas confirmo. A saga Sangue Fresco é a definição de livros page-turner, pelo que continua indispensável como um absorvente escape ao mundo real.

Classificação: 7/10 - Bom
Saga Sangue Fresco - opiniões :

sábado, 10 de agosto de 2013

Homenagem à Catalunha, de George Orwell


Sinopse: A Revolução Espanhola ocupa um lugar-charneira na obra de George Orwell. Escrita no final da guerra civil espanhola (1936-1939) a partir da sua própria experiência na frente de combate Homenagem à Catalunha é uma obra ímpar onde o autor descreve com o agudo poder de observação que o caracterizava o confronto entre os vários grupos revolucionários incluindo as suas clivagens internas e os fascistas. De facto Orwell tinha uma franqueza rara entre a esquerda militante: dizia o que via mesmo que isso pusesse em causa o que até então havia pensado oferecendo-nos aqui um retrato lúcido das peripécias da guerra civil.


A minha opinião: Homenagem à Catalunha é um relato da experiência do escritor inglês, George Orwell, na milícia do POUM na guerra civil espanhola. Apesar de, como o próprio afirma, este relato ser bastante parcial, o facto é que, por isso, se torna bastante interessante ler sobre este conflito aos olhos de um inglês comunista que, se a princípio parece encantado com o comunismo e a sua forma de ser vivido nos primeiros tempos de guerra, no final, parece já desencantado, transmitindo-se um pouco dessa desilusão para o leitor.

Apesar de não ser uma leitura muito leve, fornece bastantes detalhes sobre o combate do lado das milícias republicanas e da perseguição final aos militantes do POUM. Alternando alguns capítulos em que Orwell explica o contexto político, os partidos existentes e a intervenção e imprensa estrangeira na guerra com a sua própria experiência pessoal, o leitor fica com uma ideia mais completa do conflito. Ao mesmo tempo, o livro serve de homenagem aos homens que combateram na guerra e que, como acontece frequentemente, acabam por cair no esquecimento. Neste livro, os espanhóis e ingleses que combateram com Orwell revivem, a Barcelona em que este viveu é vista novamente, a mudança do seu clima e atmosfera revolucionária é novamente observada pelos leitores contemporâneos.

Acabando por cair, em alguns momentos, na monotonia de relatos históricos nos quais as páginas passam e a ação pouco se desenrola, o facto é que assim se espelha a frustração de estar nas trincheiras ao frio e com fome, na ânsia do combate que não chega, no sentimento de inutilidade que nos rodeia, na desilusão de ver os ideiais que defendemos derrotados.

Classificação: 7/10 - Bom

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quando Lisboa Tremeu, de Domingos Amaral

Sinopse: Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com a sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, uma ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D.José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro, e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros. (retirado de http://www.leya.com/gca/?id=316)

A Minha Opinião: Quando Lisboa tremeu relata uma história que tem como cenário a catástrofe de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa. Dividido em 4 partes - Terra, Água, Fogo, Ar - o leitor vai acompanhando a destruição de Lisboa, primeiro pelo terramoto, mas seguidamente pelos tsunamis e incêndios.
Na capa, é nos dado a conhecer que o dia de todos os santos mudaria a vida de 5 pessoas para sempre. São elas o pirata, a irmã Margarida, o comerciante inglês Hugh Gold, Bernardino e o rapaz. A história de cada uma delas é-nos contada pelo pirata Santamaria e desde logo nos damos conta de que as suas histórias são bastante peculiares. A maneira com que Santamaria relata os acontecimentos, deixando algumas frases suspeitas sobre o que se passará no futuro, cria também algum suspense, o que, claro, contribui para que o leitor fique rapidamente preso à história.
Sem dúvida que os pontos positivos deste livro são estas personagens, bem desenvolvidas e tão diferentes entre si que, por um acaso do destino, se vão cruzando no meio da catástrofe que assolou Lisboa. Deixo também uma nota para o final, que não só foi comovente como também imprevisível.
No entanto, o livro peca na questão histórica. Pelo menos eu procurava um pouco mais de história neste livro. É sem dúvida muito engraçado ler algo que tem lugar numa cidade que me é muito familiar e conseguir imaginar os espaços como se fosse eu a percorrê-los, durante um acontecimento que me é também familiar, mas gostaria de ter retirado mais um pouco de informação do que a que retirei.
Talvez tivesse umas expectativas um pouco elevadas em relação a este livro, no entanto, não deixo de reconhecer que é uma leitura agradável, com capacidade para agarrar o leitor, e que dá uma boa visão sobre este acontecimento.
Classificação: 7/10 (Bom)

segunda-feira, 28 de março de 2011

As aventuras de João sem medo, de José Gomes Ferreira

Sinopse: História fantastica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance é um prodígio da efabulação e engenho narrativo.

A Minha opinião:
Já tinha ouvido falar no livro As Aventuras de João sem Medo há algum tempo, no entanto, nunca pensei sequer em lê-lo, porque, sendo franca, o título não me puxava de todo.
Foi então que um colega o apresentou à turma, dizendo que a história era uma crítica ao fascismo que o autor ironizava na personagem João sem Medo. (Afinal até parece interessante, não é?)

J
oão sem Medo vive em Chora-que-logo-bebes - "exígua aldeia aninhada perto do Muro constituído em redor da Floresta Branca onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos" - onde os choraquelogobebenses passam a vida a choramingar. Porém, um habitante, João sem Medo, é um resistente à choraminguice e um dia decide saltar o Muro. A partir daí, as suas aventuras começam no mundo imaginário.

Um livro divertido e interessante com uma história segmentada em capítulos curtos que apresentam as situações mais estranhas com as quais João sem Medo se depara depois de saltar o Muro, como um encontro com um gramofone com asas, a existência de uma cidade da confusão ou uma conversa com uma menina com pés ocos. Pequenos episódios que proporcionam um escape à realidade e que ao mesmo tempo escondem valiosas mensagens para os leitores.

Por exemplo, quando João sem Medo se depara com dois caminhos: o da felicidade e o da infelicidade, e deve escolher um deles, sabendo que terá que aceitar que lhe cortem a cabeça para seguir o caminho da felicidade. José Gomes Ferreira pega assim numa situação conhecida de outras histórias fantasiosas - na qual uma personagem tem de preferir um caminho a outro, sendo o mais difícil o que revela ser a escolha acertada - para criticar o regime fascista da altura em que não se devia pensar, ou seja aceitar que nos cortassem a cabeça, para se poder ser feliz. Ou então, não tanto no campo de uma metáfora, quando João Medroso é dissolvido na atmosfera e o autor esclarece que esse é "o ar que nós respiramos há muito, apenas em dose menos maciça" (o ar no qual o medo está dissipado).


Como outro ponto positivo, fiquei com uma imagem muito boa em relação ao autor, porque me fez abandonar a faceta mais melancólica que conhecia de José Gomes Ferreira, principalmente no capítulo XII - o do ar envenenado- em que o escritor me apanhou de surpresa e me fez rir um pouco.


Recomendo para todas as idades, pois emprestei-o à minha irmã, de 11 anos, e ela também gostou.


Classificação:
7/10 (Bom)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O contrabaixo, de Patrick Süskind

Sinopse: Imagine que se encontra numa sala à prova de som, o seu quarto por exemplo. E aí, rodeado de tudo o que lhe pertence, objectos com os quais se habituou a conviver e que ajudam a delimitar o campo da sua individualidade se lembra de um dia contar aos outros como é vivida a sua solidão… É mais ou menos num cenário como este que um contrabaixista de uma orquestra nacional alemã, tendo como interlocutor o público teatral, confidencia em livre associação de ideias, sarcástico e pleno de uma ironia amargurada, o seu amor não revelado por Sara, uma cantora de ópera. Só que esta relação platónica dificilmente se poderá tornar realidade. E isto por causa do contrabaixo, o instrumento musical que uma orquestra que se preze não pode dispensar. Além disso, o instrumento mais arcaico ainda existente, aquele que melhor se ouve quanto mais afastados estivermos dele e quanto ao aspecto externo, um instrumento de natureza hermafrodita. Parecendo-se com uma gigantesca rabeca na parte inferior, enquanto na parte superior se aproxima de uma não menor viola de gamba. Desajeitado e incómodo o instrumento é para este contrabaixista o maior empecilho a um grande e profundo amor. Exemplificado assim o isolamento em que vive esta personagem curiosa, é pela sua boca ainda que penetramos na história da música e dos músicos, para nos confrontarmos com uma brilhante crítica à sociedade contemporânea.

A Minha opinião: [Antes de se questionarem, não, não li O Perfume, pelo que não poderei de todo comparar este pequeno livro com a obra mais conhecida do escritor.]

O Contrabaixo foi um daqueles livros de que nunca teria tomado conhecimento se não fossem os blogs de leitura que habitualmente visito. Após duas críticas que me deixaram bastante curiosa, decidi lê-lo ainda antes d' O Perfume. O resultado: muito positivo.

Dada a extensão do livro não esperava uma grande obra-prima, no entanto, fiquei muito surpreendida. Os ingredientes do livro eram perfeitos para uma apaixonada pela música (e sua história) que por acaso até tocou violoncelo. De certa forma, já estava à espera de gostar, de uma maneira ou outra teria de identificar o contrabaixista com algumas almas de músicos que tenho encontrado pelo caminho. No entanto, isso não foi o único de que gostei. A escrita era muito boa e apesar da personagem ir deambulando por vários temas, tudo parecia natural, real. Além disso, todo o cenário estava muito interessante. O monólogo do contrabaixista e os seus devaneios juntamente com os trechos musicais que ele e eu iamos ouvindo resultaram num cenário muito realista, em que o leitor como que está ali a ouvir os seus pensamentos, identificando-se com alguns, querendo refutar outros, mas sem poder fazer nada a não ser ouvir o pobre homem.

Apesar de ter lido o livro de uma perspectiva um pouco musical, uma pessoa menos ligada à música poderá disfrutar deste livro, a julgar pelas opiniões que li (esta e esta) e também porque não é necessário ter conhecimento musical para perceber as metáforas que vão aparecendo ao longo do monólogo do contrabaixista. Afinal de contas, como ele próprio diz, a orquestra nada mais é do que uma imagem da sociedade humana.

Uma pequena leitura que se lê de um fôlego, mas não por isso menos interessante.

Classificação: 7/10 - Bom

sábado, 16 de outubro de 2010

Sangue-Do-Coração

Sinopse: Uma floresta assombrada. Um castelo amaldiçoado. Uma jovem que foge do seu passado e um homem que é mais do que parece ser. Uma história de amor, traição e redenção.

Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza de um chefe tribal cujo nome se pronuncia na região com repulsa e amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que prenuncia desgraças a cada sussurro.
No entanto, a fortaleza solitaria é um porto seguro para Caitrin , uma jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refugio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa Caitrin aprende que há mais por detrás do atormentado jovem e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Só através do seu amor e determinação é que a maldição poderá ser desfeita e Anluan e a sua gente libertados...

A minha opinião: Em primeiro lugar devo dizer que este livro me surpreendeu bastante, pois estava à espera de encontrar uma tipica "história Juliet Marillier", e no entanto deparei-me com um conto de encantar, que em muito faz lembrar uma mistura de histórias Disney, A Bela e o Monstro e Cinderela.
Pessoalmente penso que Juliet terá tentado dirigir este livro a um público mais jovem, adolescente, acrescentando assim um cheirinho das modas de hoje em dia: um amor impossível entre uma humana e uma criatura sobrenatural. Mas, se são como eu e desprezam todo o tipo de livro que tente, de certo modo, "imitar" a tão conhecida Saga Twilight, de Stephenie Meyer, não se deixem enganar! Sangue-Do-Coração apenas tem um "flavour" de toda esta loucura adolescente, o suficiente para nos cativar a entrar em Whistling Tor e nos manter prisioneiros no castelo de Anluan até ao fim da narrativa.

Caitrin é uma jovem rapariga, bonita mas de figura ligeiramente cheia.
Depois da morte de seu pai a irmã de Caitrin vai viver com o marido para longe da sua aldeia natal, e deixa Caitrin aos cuidados da tia. Rapidamente, Caitrin descobre que a tia só está interessada na herança que o pai lhe deixou, tentando que esta se case com o seu filho.
Devido às suas resistências e tentativas de manter a dignidade a rapariga é maltratada pelo primo, um homem violento que limita a sua existencia à ganância pela herança de Caitrin. Na tentativa de pôr um ponto final na situação, Caitrin foge de casa, deixando assim a aldeia para trás.
Após as dificuldades da sua viagem atribulada, Caitrin dá por si numa povoação muito estranha, onde as pessoas nutrem um profundo ódio pelo seu chefe tribal, tomando-o como um homem inútil. Todo o tipo de histórias lhe são contadas acerca de Whistling Tor, e Caitrin acaba por ficar curiosa, embora tenha algumas dificuldades em acreditar em tudo o que lhe dizem.
O caminho de Caitrin acaba por se cruzar com o de Anluan, o detestado chefe tribal, quando este lhe oferece um trabalho como escriba, durante o Verão.
Dia após dia, Caitrin vê-se envolvida no manto de mistério que cobre Whistling Tor em forma de nevoeiro.
Esta é a história de uma jovem, que aos poucos vai descobrindo os segredos do seu chefe tribal e que com amor e esperança o ajuda a derrotar os demónios do passado, vencendo uma batalha que há muito se julgava perdida.

Esta é uma leitura ligeira, que recomendo a todos, um livro que me apaixonou, ainda que não fosse o que estava à espera.

Classificação: 7/10 - Bom

sábado, 7 de agosto de 2010

O Enigma Vivaldi, de Peter Harris

Sinopse: António Vivaldi figura incontestavelmente entre os nomes que mais contribuíram para o património musical da Humanidade... Génio compositor, dotado de uma inesgotável invenção rítmica e temática, fascinou os seus contemporâneos, cujo estilo e originalidade rapidamente adoptaram e imitaram, e decorridas gerações continua a impressionar especialistas e curiosos. Mas há muito da vida de Vivaldi que permanece desprovido de certezas, envolto em mistério, à espera que alguém ouse descobrir o que outros se esforçaram por ocultar... Para Lucio Torres, um jovem promissor violinista espanhol, a estada em Veneza, a pretexto de umas Jornadas Musicais, é o concretizar de um sonho, uma vez que sempre desejara conhecer a cidade onde o seu ídolo Vivaldi nasceu e passou grande parte da sua vida. Um dia, nos arquivos do Ospedale della Pietà, instituição onde Vivaldi exerceu como professor, Lucio descobre por acaso uma partitura que tudo indica ser do mestre. No entanto, logo se apercebe que algo está errado: a sucessão de notas viola todas as leis da harmonia musical e é associada à música do diabo, proibida pela Igreja. O músico não pode acreditar que tal monstruosidade possa ter sido composta por Vivaldi...- a não ser que se trate de uma mensagem em código. Juntamente com Maria, uma jovem por quem se apaixonou, Lucio tenta decifrá-la e assim desvendar o enigma Vivaldi, um segredo que remonta ao início do Cristianismo e que poderá deitar por terra um dos princípios fundamentais em que este assenta. Só que tão grave informação interessa a mais gente, gente disposta a tudo, inclusive a matar... Articulando com sabedoria elementos culturais, históricos e fictícios, Peter Harris criou um thriller cativante que nos envolve na Veneza do século XVIII e de hoje, uma cidade inebriante pelo encanto dos seus canais, ruas, monumentos e do seu clima propício ao romance, num vórtice tão intrincado e exuberante como a música barroca que percorre as páginas deste livro que fez furor em Espanha e alcançou o estatuto de bestseller em pouco tempo.

A Minha opinião:
O livro pareceu-me promissor quando o vi na banca da Presença, pelo que decidi comprá-lo, visto não só a sinopse me ter parecido aliciante, como também Veneza e Vivaldi serem dois ingredientes do meu agrado.


O enredo era, de facto, interessante. Gostei bastante das personagens e o enigma conseguiu prender-me. No entanto, com pena minha, não me arrebatou. Ainda que o género thriller não seja dos meus preferidos, penso que faltou algo para passar do simplesmente interessante ao de cortar a respiração. No entanto, surpreendi-me com alguns acontecimentos, assim como gostei bastante de detalhes fornecidos pelo autor em relação ao governo Veneziano, a Sereníssima e concretamente à cidade de Veneza. Somos perfeitamente transportados por Peter Harris a esta cidade.

Desta forma, recomendo-o, pois proporcionou-me boas horas de leitura. Se por um lado faltou algo na parte do thriller, por outro, a parte histórica surpreendeu-me e o desenrolar da acção era cativante.


Classificação: 7/10 - Bom

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Roma, de Simon Baker

Sinopse: Esta é a história do maior império que até hoje o Mundo conheceu. Nela, Simon Baker conta a história da ascensão e da queda da primeira superpotência global, concentrando-se nos seis pontos de viragem fundamentais que deram forma à história de Roma. Sejam bem vindos a uma Roma que nunca antes viram: terrível e esplêndida, enérgica e sórdida.
No centro desta apaixonante narrativa histórica estão as personalidades dinâmicas e complexas, mas também imperfeitas, dos mais poderosos senhores de Roma: homens como Pompeu, o Grande, Júlio César, Augusto, Nero e Constantino.
Esta soberba narrativa, repleta de energia e de imaginação, é um inteligente resumo dos mais recentes estudos e trabalhos académicos e um relato maravilhosamente evocativo da Roma Antiga.


A Minha Opinião: Ainda que o Império Romano não faça parte das minhas épocas predilectas, devo dizer que gostei deste livro.

A organização do mesmo é excelente. Simon Baker centrou-se nos acontecimentos fulcrais/pontos de viragem da história de Roma Antiga, dedicando um capítulo a cada um. É-nos assim descrito, de uma forma concisa, mas ao mesmo tempo detalhada, como nasceu a república romana e como terminou; a era dos imperadores, focando-se em Augusto, Nero, Adriano e Constantino; a revolta Judaica na província romana da Judeia e o fim do Império Romano.

Muitíssimo bem documentado, o livro não deixa dúvidas sobre tudo o que esteja relacionado com esses acontecimentos. Somos muito bem informados sobre todo o cenário político, o que desencadeou o referido acontecimento e o que dele resultou, além do destino das personagens intervenientes.

No entanto, apesar de reconhecer que é um livro muito bom, o livro é, de certa forma, denso, não se lendo de ânimo leve, pois, afinal de contas, estamos embrenhados no melhor e pior que os jogos políticos romanos podem oferecer.

Para os apaixonados pelo Império Romano, é um livro excelente para conhecer desde os seus períodos de ouro às suas graves crises, desde os imperadores mais astutos aos generais mais cobardes, desde as origens de Roma ao seu fim como a principal cidade de um dos maiores impérios da história.

Classificação: 7/10 - Bom

sábado, 5 de junho de 2010

Harém, Dora Levy Mossanen

Sinopse: História, fantasia e exotismo na Pérsia do séc. XIV. Um fabuloso conto das 1001 noites, onde os laços que unem mães e filhas se cruzam com importantes acontecimentos históricos e luxuriosas imagens de desinibida sensualidade.

Tendo o Bairro Judeu da Velha Pérsia como ponto de partida, Dora Levy Mossanen faz-nos embarcar numa viagem sedutora ao mundo fascinante dos xás, adivinhos, eunucos e sultanas. Harém segue três gerações de mulheres determinadas e astutas: Rebekah - uma rapariga pobre casada com Jacob, o Sem Pai, o ferreiro grosseiro - a quem o casamento desastroso deixa uma marca entre os seios; Pó de Ouro, a filha querida de Rebekah, que entra no mundo opulento e perigoso do harém e cativa o Xá com os seus ossos cantores; e a filha de Pó de Ouro, a reverenciada e temida princesa albina Corvo, que um dia governará o Império. Rico em imagens, Harém descreve com vivacidade os bazares exóticos, as ruelas perigosas da cidade, e os aposentos do palácio, repletos de conspirações e traições - assim como de amor e redenção. Romance de textura intrincada habilmente trabalhado, Harém representa o começo de uma carreira literária notável.


A minha opinião: Como já devem ter reparado, gosto muito de ler livros cuja acção se desenrola no Oriente. Desta forma, o tema não me podia agradar mais, pois tinha mais do que um aroma oriental.

No que diz respeito às personagens, penso que foram bem conseguidas. Foi bastante interessante poder acompanhar três gerações de uma família: avó, mãe e filha e assim reconhecer características herdadas, mas ao mesmo tempo ver como eram tão diferentes. Isto sem mencionar o facto de poder ver como a determinação e astúcia da avó conseguiram colocar as gerações seguintes no clima ostentoso do palácio, tornando a filha a favorita do Xá e a neta a princesa da Pérsia, quando o que as esperava era uma casa decadente no bairro judeu, à semelhança dos seus antepassados.


Outro aspecto a apontar são as descrições. Talvez por ser uma realidade algo próximo à autora - afinal ela tem ascendência de Israel - esta conseguiu perfeitamente fazer o contraste entre o ambiente do harém/palácio e as pobres ruelas do bairro judeu. Nesse aspecto fui completamente transportada para a Pérsia do século XIV.

Quando à narrativa, é interessante. Não sendo uma leitura propriamente leve, dá-nos a possibilidade de acompanhar ambientes e acontecimentos diferentes e característicos, que conseguem prender o leitor.

Apesar de não conseguir apresentar em concreto aspectos negativos, afinal de contas, gostei das descrições, das personagens e da história, penso que de certa forma faltou algo. Enfim, talvez tenha esperado mais do que este livro podia dar. No entanto, dado que este é o romance de estreia da autora, não tenho dúvidas que o seu próximo livro deverá passar de interessante a muito bom.


Classificação: 7/10 - Bom

sexta-feira, 12 de março de 2010

Por quem os sinos dobram, Ernest Hemingway

Sinopse: Neste livro de Hemingway, por muitos considerado a mais monumental, complexa e profundamente humana das suas obras, o leitor encontra não só um documentário imparcial de uma luta trágica que marcou um dos momentos de consciência do nosso tempo, mas, acima de tudo, quanto a Hemingway ao longo da sua obra tem sido mais caro: a piedade, o heroísmo, o amor das responsabilidades livremente assumidas e a sua paixão pela Espanha, de que tem sido um dos mais atentos intérpretes estrangeiros. Na sua linguagem simples e nua, não há situação difícil, sentimento delicado, assomo de coragem, caracterização típica, que não atinjam uma riqueza e uma compreensão humana das mais belas da literatura contemporânea. Moralista no mais alto sentido da palavra, artista consumado, repórter das mais subtis ou das mais violentas reacções humanas, Hemingway aqui patenteia essas qualidades que lhe mereceram a mais elevada consagração da literatura: o prémio Nobel.

A minha opinião: Já queria ler este livro há bastante tempo. No entanto, só arranjei a oportunidade quando me encontrei a pesquisar sobre a Guerra Civil Espanhola e lembrei-me que esta poderia ser uma boa leitura nessa semana.

Se por um lado, posso dizer que gostei do relato da guerra (afinal, sendo Hemingway um jornalista, isto devia ser fácil para ele), por outro, a escrita, seca, não me agarrou nada, ainda que este não fosse de todo um livro de leitura compulsiva.

Para o propósito, ler este livro revelou-se bastante bom, aprendi imensas coisas sobre esta época, gostei bastante das personagens e houve vários aspectos focados que achei muito interessantes. Ainda assim, senti que faltava alguma coisa na história, o que fez com que não pudesse desfrutar completamente deste clássico.

Por quem os sinos dobram, é sem dúvida um bom relato a ler, mas no que me diz respeito, desiludiu-me um pouco no resto.

Classificação: 7/10 - Bom

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Mapa do Tempo, de Félix J. Palma

Sinopse: Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um ano antes com o seu romance a Máquina do tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o Estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de o assassinar e lhe roubar a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a História? Em O Mapa do Tempo, Premio Ateneo de Sevilla 2008, Félix J. Palma tece uma história cheia de amor e aventuras, que presta homenagem aos começos da ficção científica e transporta o leitor até à Londres vitoriana, na sua própria viagem no tempo.

A Minha Opinião: Viajar no tempo é um assunto sobre o qual gosto muito de ler, desde que esteja bem abordado. Não posso dizer que isso não tenha acontecido neste livro, no entanto, o que me reservava era bem diferente do que eu estava à espera, pelo que fiquei um pouco desiludida, face às minhas expectativas.


Apesar de não ter correspondido às minhas ideias iniciais, O Mapa do tempo foi um livro que gostei de ler. Está dividido em 3 partes, que contam 3 histórias bem diferentes, interligadas entre si pelo famoso escritor H. G. Wells, autor d' A Máquina do tempo.

Na primeira história, o passado foi mais abordado,com a história de Andrew Harrington, na segunda o futuro, com Claire Haggerty e na terceira, bem, um pouco de tudo, com Wells :) Acho que não é difícil perceber qual a minha parte favorita...


Mesmo assim, gostei bastante das três partes. Interessantes, originais e imprevisíveis, mostram-nos três Londres bem distintas, focam vários aspectos da natureza humana, as suas decisões e ilusões de uma forma bem trabalhada e claro, a influência do ciclo temporal. Ainda que não tenha sentido um ritmo constante ao longo do livro, houve partes que realmente me prenderam, pois em várias partes eu já não sabia se o que estava a ler era realidade ou ficção, descobrindo apenas no final o que era realmente.

O Mapa do Tempo é um livro interessante, que nos mostra como acontecimentos e decisões são influenciados por aquilo que fomos, somos e seremos, sendo que o único que permanece inalterável é o tempo, seguindo sempre de maneira igual.

Classificação: 7/10 - Bom

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sangue Fresco, de Charlaine Harris

Sinopse: Uma grande mudança social está a afectar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comercializável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças... Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila do Louisiana. É sossegada, tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita - porque é - mas acontece que Sookie tem um certo "problema": consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos, ele é exactamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro. Para além da má reputação, ele relaciona-se com os mais temidos e difamados vampiros e, tal como eles, é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra do Louisiana. Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?

A minha opinião:
Há já algum tempo que queria ler este livro, no entanto, depois da experiência traumática Amanhecer, não queria retornar tão cedo ao mundo vampírico. De modo que só nestas férias arranjei tempo para o ler. Desde já tenho a dizer que apesar das parecenças óbvias, não tem nada a ver com a saga twilight, revelando-se para mim, num livro bastante promissor.


Em Sangue Fresco, somos apresentados a uma sociedade igual à nossa, com a diferença de que os vampiros fazem parte da dita sociedade de forma legal, sendo a sua existência de conhecimento comum. Adorei o argumento, logo que contactei com esta saga e lamento que só tenha sido traduzida depois desta "revolução" resultante da saga twilight.


Este livro é narrado por Sookie, a jovem telepata. Acompanhamos o início da sua relação com Bill, o vampiro e consequentemente com o contacto com o seu mundo. Entretanto, estranhas mortes começam a ocorrer naquela localidade e remetem que os assassinatos terão sido causados por um vampiro, fazendo com que as pessoas se interroguem se a decisão de aceitar os vampiros terá sido a correcta. Num misto de romance e policial, são nos apresentados dois temas: os vampiros e os estranhos assassinatos de algumas empregadas. Ainda assim, senti que a temática dos vampiros podia ter sido melhor explorada.


Devido às mais pequenas descrições de Harris, através das referências de marcas, celebridades e programas terrivelmente conhecidos, é inevitável que nos ponhamos na pele da telepata, tal é a semelhança do nosso mundo com o dela. Este foi um ponto que adorei na escrita de Harris, que apesar de não ser muitíssimo elaborada, é cativante e tem um ritmo constante.


Sangue Fresco é imprevisível, um livro que se lê bem, que intriga o leitor e que é difícil de largar. Tenho a dizer que embora não me tenha conquistado totalmente, a história agarrou-me o suficiente para continuar com esta saga e penso que vou gostar ainda mais do segundo volume.


Classificação:
7/10 - Bom

Saga Sangue Fresco - opiniões :

domingo, 1 de novembro de 2009

A Máquina do Amor, Jacqueline Susann

Sinopse: O Homem criou a máquina. A máquina não sente amor, ódio, ou medo; não sofre úlceras, ataques do coração ou distúrbios emocionais.
Talvez a única possibilidade do homem sobreviver seja tornar-se uma máquina.
Alguns homens conseguiram isso.
Máquinas que passaram por homens dirigem muitas vezes sociedades; os ditadores são máquinas de força nos seus países. Um artista devotado pode transformar-se numa máquina de talento.
Por vezes, essa evolução ocorre sem que o homem repare nela.
Talvez aconteça da primeira vez em que ele diz: "Se eu abolir todos os sentimentos da minha vida, nunca mais poderei ser ferido!"
Amanda teria rido, se lhe tivessem dito isto a respeito de Robin Stone; porque Amanda estava apaixonada por ele.

A minha opinião: Este segundo romance de Jacqueline Susann segue na mesma linha do Vale das Bonecas. Três mulheres, três histórias diferentes, no entanto, com uma paixão em comum: Robin Stone.

Foi um romance bem ao seu género. Tinha todos os seus conhecidos ingredientes. Anos 60, o mundo do espectáculo. Os filmes de Hollywood. Os espectáculos da Broadway. A Televisão. Os Actores. Os Produtores... Mais uma vez é muito interessante entrar nesse mundo, que não se distanciava tanto da realidade, visto a autora ter sido actriz e apresentadora da televisão.

Acompanhamos a vida de Robin Stone. Uma vida aparentemente vulgar. Um repórter televisivo, no início da sua carreira, que namorava com Amanda, também ela pertencente ao mundo do entretenimento, sendo actriz. Um enredo completamente normal, situações do quotidiano, que no entanto, no desenrolar da história se vêm extrememente invulgares. Qualquer mulher que estivesse com Robin Stone não entendia como ele podia amar e ao mesmo tempo ser tão insensível. Robin Stone não possuía qualquer sentimento e, no entanto, era impossível resistir-lhe. Como poderia ser isso?


Este é um livro completamente direccionado para mulheres, assim como O Vale das Bonecas. Lê-lo é como se de repente, regressássemos ao passado, e ingressássemos no mundo do espectáculo. Como se nós fossemos uma das actrizes. Um dos produtores. Como se pertencêssemos aquele mundo.


Classificação : 7/10 - Bom

domingo, 2 de agosto de 2009

Na América, de Susan Sontag

Sinopse: Na América é um retrato caleidoscópico da América, um livro imaginativo e de uma extrema modernidade. A autora toma como ponto de partida uma história situada no passado - a história de Helena Modrzejewka- para criar um mundo ficcional rico em ressonâncias contemporâneas. Em 1876, um grupo de amigos conduzidos por Maryna Zalezowski, a maior actriz polaca da época, emigra para os Estados Unidos, dirigindo-se à Califórnia para aí fundarem uma comuna "utópica" nas proximidades de Anaheim. Maryna que por esta aventura renuncia à sua carreira, tem ao seu lado o filho e o marido. Na comitiva encontra-se ainda um jovem escritor apaixonado por ela. Quando a comuna fracassa e a maior parte dos emigrados regressa à Polónia, Maryna permanece e, sob o nome de Marina Zalenska, inicia uma nova e ainda mais brilhante carreira nos palcos americanos.

A minha opinião: Este livro chamou-me a atenção porque gosto bastante desta época (séc.XIX), adoro histórias inspiradas na vida de alguém e além disso (posso dizer que não tem influência, mas seria mentira) tem uma capa mesmo bonita...

Um dos pontos fortes deste livro é a forma como está escrito. Penso que a mudança de narradores em vários capítulos, tanto na primeira pessoa como na terceira, fazem com que a leitura tenha mais interesse. Inclusive o início, em que é a própria autora a descrever, na primeira pessoa, o cenário, a modificação dos nomes das personagens da história da actriz na qual se inspirou e também a forma como foi parar aquela história... Uma boa abordagem para começar e que gostei bastante.

Outro aspecto que gostei muito foi o facto da cultura ter um papel muito importante neste livro quando estão na Polónia e mesmo depois, na América, o que aliás já estava à espera e não me desiludiu. Penso que através deste aspecto, que eu valorizo, porque a música, o teatro e outros aspectos do quotidiano ajudam-me muito a contextualizar o tempo em que se passa a acção.

A visão da América neste livro é uma visão crítica, que explora, a meu ver de uma forma bem conseguida, muitas das ilusões dos europeus quanto à América e à forma como os Americanos se viam (ou vêem) a si próprios/outros povos.

Relacionado também com a escrita de Susan Sontag, existem passagens do livro que gostei bastante, pois não sendo demasiado rudes, dizem a verdade de uma forma completamente diferente da convencional ou de um ângulo muito interessante. Além disso, em algumas dessas passagens, deixam também algumas perguntas ( filosóficas/enigmáticas) pois deixam o leitor a pensar...

Por fim, deixo alguns pontos negativos desta obra. Apesar da mudança de narradores, o ritmo do livro não é constante. No entanto penso que isso aconteceu porque não sendo uma grande fã de teatro, houve algumas descrições das peças que, como não as conhecia muito bem, foram um pouco aborrecidas de ler (sem ofensa para aqueles que gostam de teatro, pois esses certamente compreenderiam e gostariam do final muito mais do que eu).

No entanto, a apreciação do livro é boa, pois aprendi várias coisas sobre teatro que desconhecia, e sobre a cultura do século XIX, a história da actriz era bastante interessante e cativante, pois valeu-lhe o National Book Award e Jerusalem Book Prize. Estou tentada a ler futuramente outro livro dela, O Amante do Vulcão.

Recomendo para aqueles que além de gostarem do tema deste livro, gostem também do teatro e conhecem bem (ou razoavelmente) Adrienne Lecouvreur, a Dama das Camélias e peças de Shakespeare.

Classificação: 7/10 - Bom