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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

E as Montanhas Ecoaram, de Khaled Hosseini

Sinopse: 1952. Em Shadbagh, uma pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai que um dia se vê obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: vender a filha mais nova, Pari, a um casal abastado em Cabul e assim poder continuar a sustentar a restante família. A separação é particularmente devastadora para Abdullah, o irmão mais velho que cuidou de Pari desde a morte da mãe de ambos. Nenhum dos dois imaginava que aquela viagem até à capital iria instalar um vazio nas suas vidas que seria capaz de atravessar décadas e quilómetros e condicionar os seus destinos...

Neste seu terceiro romance, E as Montanhas Ecoaram, Khaled Hosseini traz-nos uma belíssima e comovente saga familiar que reflete sobre como os laços que nos unem sobrevivem aos obstáculos que a vida nos impõe.

A minha opinião: Depois de Mil sóis resplandescentes, Khaled Hosseini estava na minha lista de autores a revisitar. Sendo afegão, mas vivendo nos EUA, o autor consegue estabelecer a ponte perfeita entre oriente e ocidente para um leitor que pouco conhece da realidade afegã.

Em E as Montanhas Ecoaram, o leitor acompanha 3 gerações de uma família pobre proveniente de uma pequena aldeia no Afeganistão, sofrendo assim com a separação forçada dos dois irmãos Abdullah e Pari e esperando pelo seu reencontro. Mas o livro é muito mais do que isto. Por muito que nos queiramos centrar apenas nos irmãos, cada capítulo foca-se numa personagem com que contactámos de forma breve anteriomente, sendo os trilhos entrecruzados a forma que o leitor tem de acompanhar os rumos que as vidas das personagens que lhe são queridas tomaram. 

No fundo, um pouco como a própria vida: algumas das muitas pontas soltas das histórias daqueles com que nos cruzámos, aqui ou ali, mais cedo ou mais tarde, e muitas vezes de forma inesperada, são por nós descobertas.

Lendo em cada capítulo vidas que se entrelaçam, conhecemos diferentes personagens: a maioria vivendo no Afeganistão, mas também alguns que decidem ir para lá em missões de ajuda humanitária ou, pelo contrário, decidem deixar o Afeganistão para trás em busca de uma vida melhor, mas com as suas raízes gravadas no coração. Este é um aspecto belíssimo do livro, a oportunidade dada ao leitor de contactar com personagens com vivências tão distintas, sendo inevitável não parar para pensar nas pessoas reais que eles representam.

Porque, a meu ver, o livro não pretende ser um retrato histórico/político do Afeganistão nos 60 anos que contempla, mas sim das pessoas que são separadas daqueles que amam, dos emigrantes que se sentem deslocados ou das pessoas que reencontram o que há muito julgavam perdido.

E o final, que posso dizer? Dolorosamente belo.

Recomendo.

Classificação: 8/10 - Muito bom

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os Jogos da Fome (Volume I), de Suzanne Collins

http://www.presenca.pt/livro/ficcao-e-literatura/romance-fantastico/os-jogos-da-fome/
Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

A minha opinião: Confesso que quando estava, de facto, na moda ler os livros desta trilogia, esta me passou um pouco ao lado. A principal razão devia-se à impressão que tinha de esta ser uma leitura demasiado comercial, como acontece vulgarmente com os fenómenos literários.

É fácil perceber porque os jogos da fome têm um sucesso tão grande. A leitura é extremamente viciante, tem personagens carismáticas e o universo distópico apresentado é ainda mais interessante. Não sei até que ponto será inovador no género, porque não sou leitora assídua de livros de ficção científica, mas o conceito agradou-me bastante. 

Até porque se, numa primeira leitura, o livro parece ser apenas um grupo de crianças a lutar pela sobrevivência, vivendo o leitor a adrenalina de descobrir o vencedor, num ponto de vista mais aprofundado, o contexto social e político apresentado é também ele digno de nota. À maioria dos leitores mais jovens a adrenalina e a luta pela sobrevivência poderão eclipsar algumas conversas e acções que são muito mais do que aparentam. Não sei como a autora irá desenvolver este tópico político/social, mas estou desejosa de ler o segundo livro o quanto antes.

Do meu ponto de vista, mesmo tendo em conta o público-alvo dos livros, sinto que as personagens poderiam ser melhores construídas, pois a sua linearidade contribui para alguma previsibilidade na leitura, assim como preferiria que o livro fosse narrado na 3ªpessoa, mesmo acompanhando maioritariamente a Katniss.

Dito isto, não sendo, obviamente, uma obra-prima, os Jogos da Fome apresentam uma narrativa cativante tanto para o público juvenil como para o young adult, conseguindo tirar o sono ao leitor até este alcançar a última página. 

Classificação: 8/10 - Muito Bom


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mil sóis resplandecentes, de Khaled Hosseini


http://dmagia.blogspot.pt/2012/03/opiniao-mil-sois-resplandecentes.htmlSinopse: Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação. Há já algum tempo que se ouvia falar de Mil Sóis Resplandecentes, do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com O Menino de Cabul, traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de Mil Sóis Resplandecentes foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais. Confirmando o talento de um grande narrador, Mil Sóis Resplandecentes passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida. Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.

A minha opinião: Parti para este livro sem ter feito uma pesquisa prévia nem ter ouvido falar dele. Aconteceu simplesmente o livro destacar-se no meio de tantos outros na estante da biblioteca. Um pequeno risco que valeu a pena correr.
 

Mil Sóis Resplandecentes narra uma história belíssima num Afeganistão fragmentado pela guerra e pela mente. Sabendo pouco da realidade que assolou o país nas últimas 3 décadas, este livro foi uma excelente ponte para conhecê-la. 

Cativante do início ao fim, seguimos as vidas de Mariam e Laila, duas mulheres de gerações diferentes cujas vidas se acabam por enlaçar. Estas personagens, e tantas outras secundárias, encontram-se muito bem construídas e muitas são as vezes em que nos comovemos com as suas tristes sinas ou nos alegramos com os pequenos prazeres que lhes é permitido desfrutar. Mariam, filha bastarda de um senhor abastado de Herat, vive uma vida onde rapidamente a sua inocência de criança é transformada devido à repressão que sofre. A sua história de vida, injusta, revela uma mulher de nobre carácter. Por seu lado, Laila, nascida em Cabul numa família acolhedora, mostra também a importância de uma educação encorajadora, pensando que as portas lhe poderiam estar abertas. Porém, tal como na vida, as adversidades têm lugar em momentos pouco oportunos, impedindo-nos de realizar os nossos sonhos nesse momento. São assim altas as barreiras que Laila tem de ultrapassar para poder ser feliz. 

Enquanto mulher, as suas vidas impressionaram-me ainda mais, por contactar, ainda que ao de leve, com a realidade cruel de ser mulher no Afeganistão naquele período.
Como referi, o conhecimento que tinha sobre o período e local relatados é reduzido, pelo que não consigo certificar que o que é relatado é verosímel. Porém, na perspectiva de dar a conhecer a população afegã, algumas das suas dificuldades, medos, ambições, considero que o livro cumpre o seu papel eximiamente. A pesquisa que efectuei mais tarde sobre os locais relatados e alguns dos acontecimentos veio confirmar a ideia com que fiquei no livro, o que foi bastante enriquecedor. Mas mais enriquecedor ainda foi o facto de ver estes acontecimentos mais na perspectiva afegã, porque a perspectiva que nós, europeus, temos destes acontecimentos que tiveram lugar no Afeganistão é parcial e é nos difícil compreendê-los à luz do nosso contexto. 


Recomendo. Para a estreia nas minhas leituras de Khaleed Houseini, fiquei muito bem impressionada. Lerei certamente outro livro dele no futuro.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As Virgens de Vivaldi, de Barbara Quick

Sinopse: As Virgens de Vivaldi traz-nos a Veneza barroca, esplendorosa e decadente de inícios de Setecentos, la Serenissima, num fresco luminoso e negro de uma sociedade marcada pela festividade exuberante do espírito carnavalesco e pelo peso castrador de uma mentalidade arreigadamente puritana. É a Veneza de Antonio Vivaldi, dos grandes génios e das obras-primas musicais, da riqueza cultural, das festas em opulentos ambientes palacianos, mas também do medo, da opressão, do Grande Inquisidor e de todos aqueles que a sociedade ostraciza. e é através do olhar de anna Maria - uma das jovens acolhidas pelo Ospedale della Pietá, virtuosa do violino e aluna predilecta do grande maestro Vivaldi - que podemos observar esse fresco, que ficamos a conhecer a sua fascinante história de vida, o quotidiano dentro das paredes do Ospedale, as intrigas da Veneza do século XVIII e um pouco do legado musical e da vida do próprio Vivaldi.

A minha opinião: As Virgens de Vivaldi conta-nos a história de Anna Maria dal Violin, a conhecida rapariga do Ospedalle della Pietá a quem o seu professor, Vivaldi, dedicou várias obras dado o seu virtuosismo ao tocar violino.

A nível histórico, este livro foi uma agradável surpresa, pois não conhecia o Ospedalle della Pietá, uma instituição que acolhia bebés enjeitados. Foi muito interessante ter uma ideia de como se organizava e o porquê do seu sucesso em criar jovens músicas, pois a maioria das figli di coro (raparigas que revelavam ter talento musical) permanecia lá toda a sua vida e não eram poucas as vezes que se apresentavam em concertos, visto pertencerem a uma escola de música bem famosa na altura, onde o Padre Vermelho foi professor. Curioso que Vivaldi não aparece como uma personagem muito central neste livro, ainda que, a meu ver, a autora conseguiu transmitir de forma subtil as características principais que lhe são atribuídas e alguns aspectos da sua biografia, como o caso da misteriosa cantora Anna Giraud. Parece de facto que Vivaldi, Anna Maria e la Serenissima revivem nas páginas deste livro.

A forma como o leitor conhece a historia de Anna Maria dal Violin é outro ponto positivo. Primeiro, temos as cartas que Anna Maria escreveu para a mãe enquanto jovem, com a esperança de que esta as lesse algum dia. Mas estas cartas relatam apenas um pouco da sua vida, pelo que são intercaladas pela voz de uma Anna Maria mais velha que revela o resto dos acontecimentos da sua juventude com outros olhos.

Ainda assim, houve algumas coisas que me decepcionaram neste livro. A maior preocupação de Anna Maria era encontrar a sua mãe e muita da acção do livro desenrola-se à volta dessa demanda. Mesmo para leitores pouco perspicazes, parece-me que, salvo algumas reviravoltas, tudo é bastante previsível. Acima de tudo, não foi um livro memorável. Apesar de uma escrita floreada e bastante agradável de se ler, não conseguiu, infelizmente, estabelecer comigo uma grande ligação.

Classificação: 6/10 (Bom, mas deixa a desejar)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os Pilares da Terra - Volume 2, de Ken Follett

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1989, Os Pilares da Terra surpreendeu o universo editorial ao tornar-se gradual mas inabalavelmente um clássico da ficção histórica, que continua a maravilhar leitores de todo o mundo e que a Presença lança agora em dois volumes. Na Inglaterra do século XII, com a guerra civil como pano de fundo, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso - construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história - Ellen, uma mulher enigmática que vive à margem da sociedade e cujo passado esconde um segredo, Philip, prior da cidade de Kingsbridge, que vai supervisionar a construção da catedral, Aliena e Richard, ricos herdeiros destituídos das suas terras e títulos, William, o cavaleiro sem escrúpulos, e Waleran, o bispo disposto a tudo para obter o que pretende. À medida que assistimos à edificação de uma obra única envolvendo suspense, corrupção, ambição e romance, a atmosfera autêntica do quotidiano da Europa medieval em toda a sua grandeza absorve-nos irremediavelmente, ousando desafiar os limites da nossa imaginação. Recriação magistral de um tempo de conspirações, delicados equilíbrios de poder e violência, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A minha opinião: Assim que acabei de ler o volume 1, comecei logo a ler este, visto que estava já demasiado embalada na história para deixar o livro original a meio. Curiosamente, apesar de ter gostado bastante do primeiro volume, este prendeu-me ainda mais, tanto que dei por mim a ver os números das páginas a voar de tão embenhada que estava na história. Na verdade, apesar do livro ter, no total, mais de 1000 páginas, não me lembro de ter havido algum momento em que não tivesse vontade de continuar e descobrir o que me esperava na página seguinte, pois tem todos os ingredientes que cativam o leitor - bastante acção, algum romance, suspense e uma época histórica interessante - e cada acontecimento era descrito com a dose certa.

A minha expectativa em relação ao rumo das personagens foi plenamente correspondida e algo de que gostei muito ao longo deste volume foi ver um grande desenvolvimento das mesmas e constatar que Ken Follett criou personagens muito ricas e credíveis, que não se limitam a corresponder a um estereótipo de cruéis ou de boazinhas. Ao acompanharmos as personagens quase durante a sua vida inteira, podemos ver que as personagens mais boas também têm as suas imperfeições e que as mais cruéis, apesar de tudo, não são desprovidas de coração, pois em cada mini-capítulo, podiamos ver os acontecimentos do prisma de uma personagem, conhecendo os seus planos e pensamentos. Assim, não foram poucas as vezes em que me surpreendi com algumas delas.

Jack, por exemplo, foi uma das personagens que mais gostei e que me foi conquistando à medida que crescia. Se por um lado, enquanto jovem era um bocado estranho, enquanto adulto foi uma surpresa. A sua busca ousada e incansável pela verdade sobre o seu pai, a sua inteligência, determinação e criatividade que o permitiram contruir a catedral dos seus sonhos foram algo que admirei muito nesta personagem. Quando descobriu a solução para o problema das fendas causadas pelo vento mais forte nas partes mais elevadas da catedral, que nada mais eram que os arcobotantes, fiquei extremamente impressionada, pois estes eram utilizados antes, na arquitectura românica, mas não estavam à vista. Uma ideia tão inovadora só poderia vir de uma mente brilhante.

Aliena foi também uma personagem de que gostei bastante. Determinada e perspicaz, mostra-nos que apesar das dificuldades da vida, é possível resistir e ser bem sucedido.

Tom, o pedreiro foi uma das personagens por quem tive um carinho especial. Foi o seu sonho de constuir uma catedral que basicamente deu origem a esta história. Graças à sua paixão pela construção, passa também a mensagem de que a persecução dos nossos sonhos é algo essencial e talvez não tão irreal como os outros e nós podemos pensar.

Por fim, Philip. Uma personagem esplêndida. Perseverante é certamente a palavra que o descreve. Desde o início nos apercebemos de que não é um monge qualquer, é alguém capaz de fazer a diferença, devoto de verdade e que se preocupa muito com os meios para atingir os fins. O seu bom coração parece que não vale de muito, quando o seu esforço para recuperar Kingsbridge é continuamente ameaçado por algum plano de Waleran e William. Porém, Philip consegue sempre levantar-se do chão e ser até ajudado pelos seus inimigos. Uma personagem memorável. O mal triunfa sempre que os bons homens não fazem nada. Neste caso, Philip não deixa que isso aconteça.

Como a acção decorre num espaço temporal largo (cerca de 50 anos), não só podemos acompanhar uma grande parte da vida de todas as personagens, como também podemos vê-las em diferentes condições, quando estão no auge ou na miséria, quando têm tudo, e quando não têm nada. Porque se há algo que este livro tem de muito bom, é o facto de que retrata perfeitamente o instável contexto político e social da Idade Média e, portanto, as batalhas, as alianças, traições, violência, conspirações e a ambição desmedida de várias personagens que têm lugar na época medieval, e principalmente num tempo de guerra civil.

Como romance histórico, gostei bastante do facto de ser bastante detalhado na descrição da sociedade medieval, ao nível da sua organização, dos grupos sociais, das cidades, da política e da importância do Clero, que muitas vezes, não servia os interesses de Deus, mas os seus. Foi também muito interessante ver a importância que a existência de uma catedral tinha na vida dos habitantes da cidade.

Após ler Os Pilares da Terra, nunca mais poderei olhar as catedrais da mesma maneira. Neste livro, a paixão de Tom e Jack (e do autor, por detrás) que se vê nas descrições sobre o projecto e nas ideias que tinham, leva também o leitor a ver as catedrais não só como algo imponente, mas com um trabalho enorme ao nível de proporções, medidas, técnicas que está na base da sua construção. É muito curiosa também a passagem do estilo romântico de Tom para o gótico de Jack, a surpresa e admiração das pessoas ao ver a verticalidade e luminosidade das catedrais góticas que era algo completamente novo para elas. Nunca tinha realmente pensado nestas questões antes, mas este livro reavivou-me a admiração que tenho pela arte, tanto que enquanto o lia, ia sempre consultando um manual de história da arte e vendo as catedrais e técnicas que era faladas.

Após escrever tanto sobre este livro, é quase como se o final tivesse vindo cedo demais. Não me importaria de ler mais umas páginas deste magnífico livro, que contém mensagens belíssimas, personagens que dificilmente vou esquecer e uma história que não me decepcionou de qualquer forma.

Classificação: 9/10 (Excelente)

P.S - Um obrigada a uma pessoa muito simpática, que me emprestou o primeiro volume e deu o empurrão para que este livro passasse à frente dos outros da minha interminável lista :)

(A minha opinião sobe o volume 1)

domingo, 17 de julho de 2011

Os Pilares da Terra , de Ken Follett - Volume I

Sinopse: Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história. Recheado de suspense, corrupção, ambição e romance, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A minha opinião: Visto que este livro é apenas metade do livro original, não me vou alongar muito na opinião, mas sim deixar algumas impressões.

É óbvio que já estava à espera de um grande livro, tendo em conta que apenas li críticas fantásticas sobre o mesmo. Porém não me lembrava já sobre o que se tratava e, portanto, foi uma grande surpresa começar a lê-lo e deparar-me com uma história completamente diferente de tudo o que li até à data.

A acção do livro decorre na época medieval, em Inglaterra. Apesar de não ser uma grande fã desta época, estou a gostar bastante desta história, em parte por causa das personagens. O contexto medieval encontra-se completamente representado por personagens credíveis e que ainda terão muito para dizer. Representando o clero, temos por um lado um bispo corrupto, Waleran, e por outro Philip, um monge com um bom coração e uma perseverança espantosa. A nobreza, também com dois lados, é representada por um por William, um homem sem escrúpulos, a meu ver repugnante, que apenas se interessa por terras e títulos e por outro por Aliena e Richard que são obrigados a lutar para recuperar o estatuto que perderam. Por fim, a família de Tom, o pedreiro que tem como sonho construir uma catedral, representa o povo, que humildemente luta pela sobrevivência.

No início, as histórias de cada personagem são apresentadas separadamente, porém rapidamente se interligam. Nada acontece por acaso e assim que nos damos conta, já todas as personagens se conhecem e contribuem para a criação de uma atmosfera tensa, onde as acções de uma personagem influenciam a vida das outras. Como pano de fundo ou elemento central - ainda não me decidi bem - está a construção da catedral de Kingsbridge. Caracterizo-a com uma certa ambiguidade, pois houve momentos em que era claramente uma protagonista, porque foi ela que serviu como elo de ligação entre as personagens todas. Porém, a partir de certa altura, esta parece deixar de ter tanta importância, ficando como algo que vai sendo construído lentamente. É quase como um elemento que se vai manifestando, nuns momentos mais, noutros menos.

Ainda está tudo muito em aberto, mas estou muito curiosa em relação à história de Ellen e ao rumo que este grande livro (penso que o posso dizer já) vai tomar.

(A minha opinião sobre o volume 2 d' Os Pilares da Terra, pode ser consultada aqui)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield

Sinopse: Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, mantendo oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente?

A Minha Opinião: O Décimo Terceiro Conto foi um dos muitos livros que descobri nas minhas visitas a outros blogs literários e que, provavelmente, nunca leria se não os visitasse.

Devo dizer que fiquei completamente surpreendida com este livro! Tive todos os "sintomas" de quando leio um livro que adoro: o número de páginas parecia que voava; era-me muito difícil arranjar um ponto para parar de ler, mas também quando o fazia, continuava embrenhada na história e quando faltavam poucas páginas para acabar, o meu desejo era que simplesmente não acabasse tão cedo.

O Décimo Terceiro Conto, não só pela escrita cativante, como também pelo enredo absorvente e o seu ambiente sombrio, prendeu-me desde a primeira página. Porém, penso que o que me fez realmente adorar o livro foram as personagens.

Margaret Lea era uma bibliófila e portanto, foi fácil identificar-me com ela desde o início. Ainda assim, não foi só esse facto que me fez gostar dela. Durante o livro, vamos saltando do presente para o passado, do passado para o presente. O passado consiste na narração de Vida Winter sobre a sua infância e adolescência. O presente, no momento em que ela a conta e Margaret a vai registando, para depois escrever a biografia de Vida Winter, que lhe fora incubida pela mesma. No entanto, Margaret não se vai limitar a registar a história que Vida lhe conta, até porque esta, até à data, contava sempre uma história diferente sobre a sua infância nas entrevistas e desta forma, não se sabia a verdade sobre os primeiros tempos da escritora, porque não havia nenhum registo de Vida Winter antes de se tornar numa romancista. Margaret vai então investigando provas que confirmem a história que lhe conta e faz um pouco o papel de detective, revelando ser bastante perspicaz. Gostei muito desta personagem, até porque ela também vai revelar ser possuidora de uma história peculiar que eu achei muito bém construída e adequada ao ambiente sombrio do livro.

Vida Winter é sem dúvida, uma mulher enigmática. Gostei logo de como relatava a sua infância através de um discurso onde a escolha das palavas não era feita ao acaso. Achei-a um personagem muito credível, com um carácter sereno, mas imponente, que me conseguiu prender a atenção desde que escreveu a carta a pedir os serviços de Margaret Lea. Com todo o mistério à volta dela, era como se me tivesse lançado uma teia da qual só me consegui desprender quando acabei o livro.

Como único ponto negativo, apenas aponto o facto de ter sentido falta, no final, de mais algumas explicações que me permitiriam perceber melhor a reviravolta que aconteceu no final, porque estava à espera que tivesse sido melhor descrita. Ainda assim, não sei bem se posso apontá-lo como um ponto negativo, porque não sei se seria próprio de Vida Winter deixar o leitor completamente elucidado sobre a sua vida, sem que houvesse ainda algum mistério de roda dela.

O Décimo Terceiro Conto é um livro fantástico cuja leitura me deu um enorme prazer de ler e que recomendo vivamente. Um autêntico exemplo de um livro que não largamos até saber o seu desenlace.

Classificação: 9 /10

sábado, 7 de agosto de 2010

O Enigma Vivaldi, de Peter Harris

Sinopse: António Vivaldi figura incontestavelmente entre os nomes que mais contribuíram para o património musical da Humanidade... Génio compositor, dotado de uma inesgotável invenção rítmica e temática, fascinou os seus contemporâneos, cujo estilo e originalidade rapidamente adoptaram e imitaram, e decorridas gerações continua a impressionar especialistas e curiosos. Mas há muito da vida de Vivaldi que permanece desprovido de certezas, envolto em mistério, à espera que alguém ouse descobrir o que outros se esforçaram por ocultar... Para Lucio Torres, um jovem promissor violinista espanhol, a estada em Veneza, a pretexto de umas Jornadas Musicais, é o concretizar de um sonho, uma vez que sempre desejara conhecer a cidade onde o seu ídolo Vivaldi nasceu e passou grande parte da sua vida. Um dia, nos arquivos do Ospedale della Pietà, instituição onde Vivaldi exerceu como professor, Lucio descobre por acaso uma partitura que tudo indica ser do mestre. No entanto, logo se apercebe que algo está errado: a sucessão de notas viola todas as leis da harmonia musical e é associada à música do diabo, proibida pela Igreja. O músico não pode acreditar que tal monstruosidade possa ter sido composta por Vivaldi...- a não ser que se trate de uma mensagem em código. Juntamente com Maria, uma jovem por quem se apaixonou, Lucio tenta decifrá-la e assim desvendar o enigma Vivaldi, um segredo que remonta ao início do Cristianismo e que poderá deitar por terra um dos princípios fundamentais em que este assenta. Só que tão grave informação interessa a mais gente, gente disposta a tudo, inclusive a matar... Articulando com sabedoria elementos culturais, históricos e fictícios, Peter Harris criou um thriller cativante que nos envolve na Veneza do século XVIII e de hoje, uma cidade inebriante pelo encanto dos seus canais, ruas, monumentos e do seu clima propício ao romance, num vórtice tão intrincado e exuberante como a música barroca que percorre as páginas deste livro que fez furor em Espanha e alcançou o estatuto de bestseller em pouco tempo.

A Minha opinião:
O livro pareceu-me promissor quando o vi na banca da Presença, pelo que decidi comprá-lo, visto não só a sinopse me ter parecido aliciante, como também Veneza e Vivaldi serem dois ingredientes do meu agrado.


O enredo era, de facto, interessante. Gostei bastante das personagens e o enigma conseguiu prender-me. No entanto, com pena minha, não me arrebatou. Ainda que o género thriller não seja dos meus preferidos, penso que faltou algo para passar do simplesmente interessante ao de cortar a respiração. No entanto, surpreendi-me com alguns acontecimentos, assim como gostei bastante de detalhes fornecidos pelo autor em relação ao governo Veneziano, a Sereníssima e concretamente à cidade de Veneza. Somos perfeitamente transportados por Peter Harris a esta cidade.

Desta forma, recomendo-o, pois proporcionou-me boas horas de leitura. Se por um lado faltou algo na parte do thriller, por outro, a parte histórica surpreendeu-me e o desenrolar da acção era cativante.


Classificação: 7/10 - Bom

domingo, 18 de julho de 2010

Memórias de uma gueixa, de Arthur Golden

Sinopse: Sayuri tinha um olhar invulgarmente belo, de um cinzento translúcido, aquático, a reflectir numa miríade de cristais límpidos, o brilho prismático e incandescente do universo perfeito e atroz sobre o qual repousava. Era uma transparência súbita, inesperada, a contrastar violentamente com a estranha opacidade branca da máscara onde sobressaíam uns lábios exageradamente vermelhos. E se os olhos ainda reflectiam Chiyo, a menina de nove anos, filha de pescadores, de uma cidade remota, junto ao mar, a máscara inquietantemente delicada, o penteado ostensivo, a sumptuosidade dos quimonos de brocados, ricamente ornamentados pertenciam à mulher em que ela se tinha tornado, Sayuri, uma das mais célebres gueixas do Japão dos anos 30. É este mundo anómalo, secreto e decadente, construído sobre cenários de papel de arroz e que parece ser a manifestação da própria fantasia erótica masculina que Golden evoca com uma autenticidade notável e um lirismo requintadamente raro. Um romance sobre o desejo e a natureza indomitável do espírito humano, desafiador, cativante pela pureza da prosa, pela prodigalidade das nuances, das atmosferas, das imagens esculpidas com a precisão e subtileza da arte do bonsai. Memórias de uma gueixa foi considerado um dos melhores primeiros romances de 1997.



A minha opinião: Às vezes parece que não fomos nós quem escolheu o livro, mas foi o livro que nos escolheu a nós.

Antes de ler a crítica da White Lady, eu nunca tinha ouvido falar nem deste livro, nem do filme. Por casualidade, o livro pareceu-me tão interessante que, num impulso, o requisitei logo na biblioteca e comecei a lê-lo. Esperava algo bom, mas mesmo assim, surpreendeu-me.


Em Memórias de Uma Gueixa, é-nos dada a oportunidade de acompanhar a vida de Sayuri, uma gueixa do Japão dos anos 30 desde a sua curta infância na pequena cidade de Yoroido até se ter mudado para Nova Iorque. É-nos dado a conhecer como a criança Chiyo se tornou na gueixa Sayuri, desde o momento em que foi vendida à okiya (local onde viviam gueixas/futuras gueixas) onde iria passar grande parte da sua vida até ter quebrado os laços com esta.

Ainda que o objectivo principal deste livro seja apresentar a vida de uma gueixa no que diz respeito ao seu dia-a-dia, como este se vai modificando nas diversas etapas da sua vida e algumas particularidades desse mundo, gostei muito da história criada por Golden para atingir este fim. Embora estejamos centrados na vida de Sayuri, portanto pouco mais se sabe das personagens a não ser no momento em que que contactam com esta, achei que as personagens estavam muito bem desenvolvidas, diferentes entre si, parecendo mesmo reais.

Outro aspecto que gostei muito foi a "voz" de Sayuri. Consegui perfeitamente sentir o que ela sentia. Em nenhum momento pensei que a pessoa que me estava a contar a história não era uma mulher, mas sim um homem.

Por fim, o livro levanta algumas questões interessantes, sobre a nossa visão de ocidentais sobre as gueixas, a forma como pequenos acontecimentos podem mudar o rumo da nossa vida e até que ponto são as nossas escolhas que influenciam a nossa vida.

Como ponto negativo, apenas tenho a referir o facto de comparativamente ao início, o final pareceu-me um pouco apressado.

É sem dúvida um livro muito bom não só pelo conhecimento que se adquire sobre as gueixas, mas também pela belíssima história que o acompanha, que apesar de ser fictícia, é bastante credível.

Existem alturas para ler determinados livros. Não sei bem porquê, parece-me que estava com a disposição perfeita para ler este.

Classificação: 9/10 - Excelente

[Para aqueles que leram, encontrei questões muito interessantes de análise do livro. Curiosamente, algumas eu até me perguntei mim mesma]

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Mistério da Atlândida, David Gibbins

Sinopse: Jack Howard, um arqueólogo com uma teoria especial sobre a localização da Ilha lendária, que já tantos tinham tentado localizar em vão, durante uma pesquisa submarina no Mediterrâneo tem a inacreditável sorte de encontrar um navio naufragado, onde abundam vestígios que remontam tão longe no passado como a quinze mil anos a.C. Entre a abundância dos tesouros resgatados encontra-se um maravilhoso disco de ouro delicadamente gravado com inscrições. Exaltado, Howard compreende que aquele disco misterioso pode ser exactamente a chave que lhe abrirá as portas da cidade perdida. Assim começa esta aventura que certamente fascinará o leitor tanto pelas descrições de uma civilização grandiosa e extraordinariamente avançada, como o empolgará pela inesperada intensidade da acção que desencadeia.

A minha opinião: Gostei muito do tema deste livro e parecia-me que ia ser bem explorado. No entanto, as minhas expectativas eram bem mais altas do que aquilo com que me fui deparar.

Misturando factos históricos com ficção, o autor apresenta-nos uma série de acontecimentos que remetem para o reino perdido da Atlântida. Gostei bastante da forma como entrelaçou os factos (que pude verificar na nota histórica) com os pormenores da descoberta da Atlântida (ficção). Sendo que foi bastante interessante conhecer alguns acontecimentos de há inúmeros séculos através da leitura deste livro.

No entanto, toda a acção que se desenrolou à volta da personagem principal e do seu caminho para descobrir o reino perdido, os problemas com que se deparou, foram bastante aborrecidos e quando dei por mim, já passava páginas, lendo na diagonal, apenas para perceber muito por alto o que acontecia. Isto, aliado ao uso de (na minha opinião) muitos termos técnicos em que eu já me sentia perdida e completamente desinteressada foram sem dúvida as razões pela qual não consegui desfrutar deste livro.

Infelizmente, apesar de até ter gostado dos pormenores arqueológicos para a descoberta e inclusivamente a Atlândida em si, todo o enredo à volta revelou-se muito aborrecido.

Classificação: 4/10 - Mau

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Prenda, de Cecelia Ahern

Sinopse: Todos os dias Lou Suffern, um arquitecto bem-sucedido de Dublin, travava uma batalha inglória com o relógio, na tentativa vã de responder às múltiplas solicitações profissionais, familiares e sociais. Vivia a um ritmo vertiginoso. Tudo se sobrepunha, tinha sempre outros sítios onde estar, outros compromissos a que responder. O seu desejo de ascender a níveis cada vez mais elevados de sucesso e perfeição afastou-o do que era realmente importante na vida. E assim foram correndo os dias até àquela gelada manhã de terça-feira em que resolveu oferecer um café a Gabe, o sem-abrigo que costumava sentar-se perto da entrada do seu escritório. À medida que o Natal se aproxima e que Lou vai privando mais de perto com Gabe, a sua perspectiva de tempo vai-se alterando e espera-o uma dura lição de vida. Emocionante e divertida, esta narrativa onde está sempre presente o espírito de Natal, faz-nos reflectir sobre a importância do tempo e rever as prioridades da nossa própria vida.

A Minha Opinião: Em primeiro lugar, eu nunca leria A Prenda se não o tivesse ganho num passatempo. Apesar de ter visto o filme P.S- Amo-te e querer ler o livro quando surgisse a oportunidade, nunca tinha lido nada da autora, pelo que não tinha grandes expectativas sobre este livro. Ainda por cima, como já devem ter reparado, não costumo ler muito romances. No entanto, A Prenda revelou-se numa agradável surpresa, para o que estava à espera.

Este livro começa quando, na noite de Natal, um rapaz atira um peru congelado para a janela da casa do seu pai. Quando este rapaz se encontra na esquadra, o polícia começa-lhe a contar uma história que acontecera nesse Natal, a de Lou Souffern, o arquitecto, na esperança de lhe dar uma lição, de lhe passar uma mensagem. Uma mensagem interessante, que Cecelia conseguiu passar de uma maneira agradável, através duma escrita que eu gostei bastante e que conseguiu tocar-me.

Porém, o livro não me prendeu do início até ao fim, sendo que à excepção de uma personagem que achei fascinante, Gabe, e obviamente o desejo de surpreender-me no final, pouco mais me agarrou à história. Contudo, como adorei o final, tanto pela mensagem como pelo rumo que a história seguiu, o resultado foi positivo e deixou-me bastante emocionada, visto que quando o acabei, tinha mexido mais comigo do que eu pensava.

Classificação: 6/10 - Bom,mas deixa a desejar

[Leitura terminada a 31 de Dezembro de 2009]

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Sinopse: Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a 2ª Guerra Mundial. Na Rua Himmel, as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owen, e de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na casa da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros para oferecer à rapariga que roubava livros, sobre as páginas de Mein Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda a história da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

A minha opinião:
Este foi um dos livros que realmente me envolveu como leitora. Adoro ler livros sobre a 2ªguerra, e este foi sem dúvida, o mais original. Antes de mais, a escrita é excelente. Divertida, criativa, dinâmica, com um narrador pouco usual e com inúmeros parêntesis ou interrupções na leitura que realmente nos deixam a pensar. Este foi um aspecto que adorei neste livro e que o destacou dos demais.

A história em si é também maravilhosa. A vida de Liesel na pequena rua, as diferentes personalidades de cada morador da mesma, é como que se o autor nos transportasse para aquela rua durante a Alemanha Nazi e fôssemos nós mesmos a percorrer aquela rua a distribuir a roupa lavada que a nossa mãe preparou, nós a pronunciar Heil Hitler, nós a aprender a magia das palavras numa cave, nós a esconder um judeu. A história é mesmo lindíssima, com personagens muito bem desenvolvidas e pequenas histórias que vale a pena conhecer, que nos tocarão de um forma ou de outra.

Além disso, este livro mostra-nos várias componentes da Alemanha da 2ª Guerra, focando inúmeros aspectos que permite consolidar alguns conhecimentos que já tinha de uma excelente maneira (que melhor maneira do que ler uma boa história e aprender ao mesmo tempo?).

A Rapariga que Roubava Livros foi uma grande surpresa, que me deu um enorme prazer de ler, não só por ter sido absorvente, mas também por ter despoletado variadas emoções enquanto o lia (principalmente no final, porque este é simplesmente comovente e magnífico :). Sem dúvida uma excelente sugestão para oferecer neste Natal.

Classificação : 9/10 - Excelente

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As Mulheres de Mozart, de Stephanie Cowell

Sinopse: As Mulheres de Mozart é um romance histórico que entretece com magnificência e sensibilidade factos e ficção. Habita nele a mesma grandiosidade que anima as óperas do compositor, como se o próprio génio de Mozart o tivesse orquestrado, impregnando-o do seu espírito vivo e apaixonado. No ano de 1777, Mozart chega a Mannheim, e, poucos dias depois, é convidado para um serão musical em casa da família Weber. É nessa noite que Mozart, com apenas vinte e um anos, conhece as quatro mulheres que virão a cativar o seu coração e a inspirar a sua música. Muito diferentes entre si, Josefa, Aloysia, Constanze e Sophie fundem-se numa única sensação difusa de juventude e sensualidade. Musas, confidentes, amadas, estas quatro figuras femininas vão reflectir-se nas heroínas das óperas de Mozart, elas serão, para sempre, as mulheres que ele amou e que o amaram. Uma obra de rara beleza, que se eleva às mais altas esferas da criação literária para fazer reviver, através do olhar das irmãs Weber, o génio sublime e intemporal de Mozart.

A minha opinião: Comecei a ler este livro com uma grande expectativa, porque sou uma autêntica admiradora, não só de música clássica, mas também da magnífica vida e obra de Mozart. Penso que foi exactamente por isso que não o pude apreciar totalmente.

O livro tem um excelente começo. São nos apresentadas quatro irmãs, as Weber, que terão uma enorme influência na vida de Mozart. A história é nos contada pela irmã mais nova, Sophie, na sua conversa com um investigador que procura informações sobre a vida do compositor.

O livro é em si, agradável de ler. No entanto, e apesar de ser mostrada ao leitor uma nova faceta de Mozart, senti que muitas vezes ele ficava para segundo plano, o que era desmotivante para aqueles que queriam saber mais sobre o compositor. Isto não invalida o facto do romance, contexto histórico e a escrita não serem cativantes, pois até o são. Simplesmente não correspondeu áquilo que eu esperava do livro.

O livro proporciona boas horas de leitura. É muito interessante conhecer a vida das irmãs que foram fonte de inspiração para Mozart em inúmeras obras. Foi, de facto, bastante agradável de ler e introduzia o leitor no contexto da época e na dura vida que em especial os músicos levavam.

Penso que é um livro interessante para aqueles que querem conhecer outra faceta de Mozart, uma mais humana, de uma excelente forma.

Classificação:
6/10 - Bom,mas deixa a desejar

domingo, 11 de outubro de 2009

O Leque Secreto, de Lisa See

Sinopse: Numa remota localidade chinesa do século XIX, assistimos ao desabrochar de uma das mais belas e inquietantes histórias de amizade. Numa sociedade em que as mulheres desempenham um papel de total submissão, resta-lhes a esperança de um bom casamento para minimizar o facto de serem raparigas – e uns pés delicados e sedutores podem garantir um futuro próspero. O primeiro passo é enfaixá-los com ligaduras para que mais tarde adquiram uma forma e tamanho perfeitos. Este é um momento de grande sofrimento que Lili terá de suportar com apenas sete anos, mas em breve conhece Flor de Neve, a jovem escolhida para ser a sua laotong – uma espécie de irmã de juramento – e estabelece-se entre elas uma ligação emocional que durará a vida inteira. Com o passar dos anos, as duas mantêm uma amizade profundamente sincera e cúmplice, trocando mensagens e poemas em nu shu – uma linguagem secreta feminina – inscritos num leque de seda. Mas um dia os laços de amor que sempre as uniram serão postos em causa…

A minha opinião: A sociedade chinesa sempre me fascinou. Sejam os seus caracteres, o facto de serem uma sociedade muitíssimo culta, inventora de numerosos inventos que utilizamos no dia-a-dia, a capacidade de adaptação dos seus habitantes, enfim. Sempre foi uma cultura que desejei conhecer. E graças a esta leitura, pude conhecer melhor a sua realidade e consolidar alguns dos meus conhecimentos.

Este foi um livro com uma história simples, mas que me agarrou do início até ao final. Foi extremamente interessante perceber e entrar nesta cultura, especificamente na dura vida das mulheres desta. Neste livro, acompanhamos Lírio, desde criança até viúva, passando pelo seu enfaixe de pés, à morte da sua família, ao abandono da sua casa natal e a relação que ela estabelece com a sua laotong (uma espécie de amiga-irmã que a acompanha durante toda a sua vida).

Graças à investigação junto do povo chinês por parte de Lisa See, podemos entender um pouco dos sentimentos destas mulheres e de como era viver numa sociedade tão injusta para elas. Adorei o facto de acompanharmos Lírio desde criança e ver como a sua perspectiva sobre a vida vai mudando. Esse foi um ponto forte por parte de Lisa See, pois além de conseguir transmitir para o papel os sentimentos da protagonista que vão mudando e bastante ao longo do tempo, podemos também ver a sua evolução enquanto pessoa.

Para mim, este foi um livro bastante difícil em termos emocionais e que me demorou um pouco de tempo a processar. Alguns relatos eram bastante cruéis, não só o enfaixe de pés, mas também a forma como eram vistas as mulheres. No entanto, outros eram muito profundos, como os relatos de irmãs de juramento e laotongs. Contudo, foi uma agradável surpresa, pois enriqueceu-me imenso e fiquei com uma enorme vontade de ler mais sobre a sociedade chinesa.

Não sendo uma obra-prima da literatura, foi uma leitura lindíssima, um livro que me disse muito e que certamente não deixará os leitores indiferentes à sua leitura.

Classificação : 8/10

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Eva Ibbotson

Eva Ibbotson é uma escritora com vários títulos publicados na colecção Estrela do Mar.
Actualmente, são 4. As Duas Feiticeiras, O Segredo da Plataforma 13, Viagem ao Paraíso Verde e O Grande Mago do Norte. Apenas não li o último e posso afirmar que a autora é uma escritora de livros infanto-juvenis nata.

Eva Ibbotson tem uma escrita cativante, que certamente agradará ao público mais jovem. (Eu própria li os primeiros 2 que referi, em idade de os ler, e gostei bastante, tanto que ainda me lembro relativamente bem da história).

São livros de tamanho médio, e aconselhadíssimos a idades compreendidas entre os 7/11 anos. Em As Duas Feiticeiras e O Segredo da Plataforma 13, temos o género da fantasia, como já habitual na Estrela do Mar. Duas histórias curtas, mas bastante imaginativas. O Segredo da Plataforma 13 aborda o tema de uma passagem secreta de um mundo para outro numa estação de metro, onde se vai desenrolar a busca do príncipe do outro reino. Apesar de haver fantasia, há sempre um pouco de aventura, o que enriquece e bastante a narrativa.

Viagem ao Paraíso Verde fala sobre uma rapariga que vai para o Brasil, que contacta com os índios, e se envolve numa aventura com um mestiço. Neste livro, o género é mais aventura, mas também é bastante interessante, pois tem uma espécie de mistério, ao mesmo tempo que tem descrições lindíssimas do paraíso verde que é, nem mais nem menos, a Amazónia.

Esta é também uma excelente escritora para oferecer aos mais novos, pois combina fantasia, mistério e aventura. Uma excelente mistura para os nossos pequenos leitores!


sábado, 22 de agosto de 2009

Ciclo Terramar, Ursula K. Le Guin

Vi esta autora já não sei bem onde, e como me chamou a atenção, aproveitei e li os que ela tem publicados na colecção Estrela do Mar:



Sinopse: ( O Feiticeiro e a Sombra) Numa terra longínqua chamada Terramar vive o maior de todos os arquimagos. O seu nome é Gued, mas há muito tempo atrás, ele era um jovem chamado Gavião, um ser estranho, irrequieto e sedento de poder e sabedoria, que se tornou aprendiz de feiticeiro. Neste livro conta-se a história da sua iniciação no mundo da magia e dos desafios que teve que superar depois de ter profanado antigos segredos e libertado uma negra e pérfida sombra sobre o mundo. Aprendeu a usar as palavras que libertavam poder mágico, domou um dragão de tempos imemoriais e teve que atravessar perigos de morte para manter o equilíbrio de Terramar. No meio de um suspense quase insustentável, de encontros místicos, de amizades inquebrantáveis, de sábios poderosos e de forças tenebrosas do reino das trevas e da morte, Gued não pode vacilar, qualquer fraqueza sua fará perigar o equilíbrio que sustenta o mundo… e a sombra maléfica que ele libertou, gélida e silenciosa, só está à espera desse momento para devastar, com as suas asas negras, o mundo inteiro. O Ciclo de Terramar é uma admirável tetralogia, por muitos comparada a clássicos como «Narnia» de C.S. Lewis ou «O Senhor dos Anéis» de J.R.R. Tolkien. Esta magnífica saga, que se tornou numa obra de referência no vastíssimo percurso literário desta escritora norte-americana, tem início com «O Feiticeiro e a Sombra». O universo de Terramar, simultaneamente tão semelhante e diferente do nosso, é, sem dúvida, uma das maiores criações da literatura fantástica, e o poder misterioso e mágico que emana da narrativa, a sensibilidade que ilumina os momentos de profunda sabedoria, a intensidade das personagens, o estilo elegante e cristalino conquistam-nos de imediato e rapidamente nos arrebata para os meandros dos seus reinos imaginários.

A minha opinião:
Esta foi uma das surpresas desta colecção. Não achei o livro nada infantil, até bastante juvenil. Quando os comecei a ler, achei que tinham alguns dos ingredientes de Eragon, (os nomes verdadeiros das pessoas, que até agora pensava que era invenção de Paolini, ignorância minha) e d' O Círculo da Magia de Debra Doyle e James MacDonald. Ursula K Le Guin, tem de facto um dom para histórias de fantasia. O mundo criado por ela é de facto impressionante. Não me admiro que tenha escrito desde 1968 (ano da publicação d' O Feiticeiro e a Sombra) até 2001 histórias sobre este ciclo. Uma coisa que reparei é que lendo-os de seguida poderia cansar, mas não, a história e bastante cativante, pelo que não tive quaisquer problemas em lê-la de seguida. Na realidade tenho pena que não tenham traduzido o que ela publicou em 2001... Os primeiros 3 livros falam do Feito de Gued. A sua ascenção desde um pastor até ao Arquimago de Terramar. No entanto, cada livro fala de um episódio diferente da sua vida. Não posso falar muito mais, se não entraria em spoilers... Para aqueles que gostam do fantástico, esta é um bom ciclo para ler. Vou ficar de olho nesta escritora. Um ciclo aconselhado. Deixo aqui uma passagem constante nos livros: «Só no silêncio a palavra, só na escuridão a luz, só na morte a vida: nítido o voo do falcão no céu vazio.» (Depois de ler o livro tem ainda mais significado...)

Classificação: 8/10 (apenas do ciclo, não individual) - Muito Bom

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A ilha do tempo perdido, Silvana Gandolfi

Sinopse: Num quente dia de Junho, Giulia e Arianna vão fazer uma visita com a turma da escola a uma antiga mina. As duas amigas afastam-se um pouco do grupo, e depois, incapazes de encontrarem o caminho de regresso, vão parar a outro mundo! À ilha do tempo perdido onde estão os habitantes e os objectos que se perderam da Terra – pessoas, óculos de sol, chapéus, animais e ainda a memória daqueles que perderam a cabeça. Giulia e Arianna passam o tempo sem fazerem nada e estão radiantes no local paradisíaco que encontraram. Mas terão de voltar à Terra onde as espera uma importante missão: ensinar as pessoas a renascerem e a reaprenderem o significado de estar sem fazer absolutamente nada. Uma tarefa difícil nos dias que correm apenas possível aos terrestres que se disponham a saber apreciar a natureza e as coisas insignificantes, por vezes as mais importantes, que a vida pode proporcionar. Um verdadeiro hino à vida!

A minha opinião:
Este livro é um daqueles livros que nos surpreendem. Como sabem, uma das minhas metas é ler todos os livros da colecção Estrela do Mar e, ultimamente, não tenho lido muitos livros da mesma. No entanto, para desanuviar da leitura de clássicos, porque apesar de bons, o mesmo género sempre cansa, um livro infantil é uma boa forma de descansar um pouco...

A ilha do tempo perdido começa com uma nota do editor dizendo que a escritora encontra-se desaparecida. É então que temos duas histórias: a da escritora, que sabemos pelas cartas que ela manda à sua melhor amiga, Giulia e a própria história de Giulia na ilha do tempo perdido.

E o que é afinal esta ilha? Bem, é nesta ilha que vai parar tudo o que se perde na Terra, e quando digo tudo, é mesmo tudo, a cabeça, a esperança, os objectos, as pessoas...

Fiquei com pena que não houvesse mais nada desta escritora na colecção, pois fiquei bem impressionada neste título, pois Silvana Gandolfi é uma das escitoras italianas com mais sucesso na Itália no mundo dos livros infantis.

Uma história repleta de imaginação, uma excelente escolha para dar aos mais novos que certamente cultivará o gosto pela leitura.