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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

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Sinopse: Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.

A minha opinião: Brilhante. Admirável Mundo Novo é uma referência no que diz respeito a distopias e, a meu ver, o seu lugar é merecido.

A sociedade descrita é inesquecível. Cada indivíduo foi condicionado aquando a sua gestação para se conformar com as normas desta sociedade. Deste modo, sente-se perfeitamente integrado na sua casta e convencido de que esta é a melhor para ele. Quer seja alfa (os mais evoluídos) ou epsilon (os que fazem trabalhos de escravo), o condicionamento é eficaz e, caso haja sentimentos anormais, estes são apagados facilmente pelo soma, a droga reconhecida.

São várias as questões que a leitura motiva. A óbvia é, claramente, quão longe estamos nós do relatado. Mas há mais. Quão facilmente somos manipulados à nascença ou quantas crenças limitam drasticamente a nossa visão? Quão frequentemente nos refugiamos em somas? Como olhamos nós aqueles que fogem à normalidade? Até que ponto conseguimos perder a nossa individualidade em prol da sociedade?

Escrevo esta opinião passadas já umas semanas da leitura do livro. Porém, dei por mim a relembrar em diversos momentos algumas passagens sobre religião, arte, política. A verdade é que, às vezes, só conseguimos notar como um livro nos marcou quando este sobrevive à passagem do tempo. Não tenho dúvidas de que este é o caso de Admirável Mundo Novo.

É ainda de destacar o excelente trabalho do tradutor, Mário Henrique Leiria, pelas várias notas que ajudam a compreender referências extra-textuais que aparecem ao longo da narrativa.

Recomendadíssimo.

Classificação: 9/10 - Excelente

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Livro, de José Luís Peixoto

Sinopse: Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.

A minha opinião: Conhecia pouco de José Luís Peixoto. Umas crónicas na Visão, uns textos soltos nas aulas de português, uma notícia ou outra no jornal ou na televisão, uma frase na Bertrand do Colombo. Parti assim para Livro sem saber muito bem o que esperar. A verdade é que isso foi perfeito. Desde a primeira página fiquei hipnotizada pela sua escrita, tanto coloquial e familiar, como erudita e poética, servindo da melhor forma a ocasião. Raras são as vezes em que, desde o início de um livro, encontro trechos que me apetece reler vezes sem conta, em que o verdadeiro prazer da leitura se encontra em saborear cada palavra lida. Mas esse foi o caso de Livro.

Aliado à escrita sublime, têm-se personagens fascinantes pela sua credibilidade. São os emigrantes portugueses que vêem na França um mundo de possibilidades, onde poderão arranjar emprego, qualidade de vida, felicidade, sendo para isso necessário abandonar o acarinhado Portugal. São os familiares que anseiam por notícias. São os habitantes da vila que se maravilham com os portugueses que retornam nas "vacanças" e trazem notas de mil escudos. Mas, ao mesmo tempo, são também Adelaide, Ilídio, Cosme, Josué, a velha Lubélia. Primeiro, as suas expectativas e resistência contra as adversidades, depois a desilusão e o cansaço até que uma carta, um olhar, um acontecimento, um regresso renovem a sua vontade de persistir.

[a parte sublinhada deve ser lida apenas se já leu o livro] Claramente dividido em duas partes, na primeira tem-se o contacto com as personagens da vila, o abandono de Ilídio pela mãe, o despertar do amor entre Adelaide e Ilídio, as suas idas para França, separados. Um retrato de uma vila portuguesa, com as suas pessoas generosas e mesquinhas, com traços humanos intemporais. Aqui, tem-se uma narrativa romanceada, mas realista.  Na segunda parte, tem-se uma descoberta que pode mudar por completo o significado de Livro. Na minha qualidade de leitora sem grandes conhecimentos de correntes literárias, foi a princípio estranha a mudança para um narrador que interpela o leitor, se auto-critica, auto interrompe e reflecte. Porém, a obra adquiriu um novo significado. Ao saber que o livro que lemos é o livro que a mãe deu a Ilídio, Livro torna-se mais que um mero romance, mostra que um livro é mais que palavras escritas, são lembranças, são significados que lhe conferimos ou um meio de comunicação. De referir que, durante todo o livro, vão aparecendo aqui e ali umas pontas soltas e poucos são os acontecimentos escarrapachados no papel. Mas assim é a vida, muitas explicações aparecem depois dos acontecimentos terem lugar, outros ficarão para sempre por explicar.

Não vivi em primeira pessoa o tema relatado. Porém, em Agosto, a minha aldeia está repleta de emigrantes franceses, alguns da minha família. Cresci a ouvir falar bastante da emigração, do bom, do mau. Livro trouxe de volta essas lembranças, deu vida novamente aos portugueses cuja descendência se sente agora francesa ou mesmo àqueles que não singraram. Após ler a última página, penso que essa era mesmo a intenção do narrador, porque enquanto as palavras são lidas pelo leitor, a realidade a que remetem existe.

Classificação: 9/10 - Excelente

segunda-feira, 18 de março de 2013

Os Maias, de Eça de Queiroz

Os Maias, de Eça de Queiroz, a obra que dispensa apresentações.

Fazendo parte do programa de português do 11º ano, já há muito tempo que estava mentalizada que teria de ler o livro obrigatoriamente quando lá chegasse. E estava quase certa que não ia gostar, precisamente por este rótulo de obrigatório aliado às várias frases que se ouvem de que a história até é gira, mas o Eça descreve demasiado ou li até à página 100, mas mais não consegui ou era demasiado aborrecido, mas também não te preocupes, não precisas de ler tudo... 

Aviso já que aqueles que vieram aqui para um resumo ou crítica d' Os Maias, voltem para trás. Peguem no livro, vão com vontade de ler e dêem uma oportunidade a uma obra cuja imagem entre os jovens não lhe faz, de todo, justiça. Começar a ler, quando é obrigatório, para mim é o mais difícil, mas no caso d' Os Maias, ao fim de 20 páginas, já me tinha esquecido de que o lia para uma disciplina, de tal maneira estava mergulhada no mundo e escrita queirosianos, na sociedade lisboeta do século XIX.

"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente, o Ramalhete." É assim que começa esta obra, merecidamente uma referência na literatura portuguesa, cuja história fica para sempre gravada na memória dos leitores e cuja escrita prima pela qualidade e pela exatidão na descrição.*

Os Maias têm uma intriga que poderia facilmente ser resumida em poucas frases, porque o objetivo para Eça de Queiroz não era escrever uma novela para ler aos serões. Inserida no realismo, a obra pretende acima de tudo, criticar a sociedade. A história da família Maia, principalmente de Carlos, entretém, sem dúvida, mas este entretenimento serve apenas de pretexto para Eça fazer um retrato minucioso da alta sociedade portuguesa, criticá-la e expôndo-a tal como era. 

De facto, apesar de ter uma história cativante e personagens interessantes, estas não seriam suficentes para preencher 700 páginas. A vida de Carlos da Maia, os seus devaneios com a condessa Gouvarinho, a paixão por Maria Eduarda ou os seus encontros sociais com João da Ega, Alencar e outros têm um certo interesse, deixando o leitor com saudades quando abandona a Lisboa de Carlos da Maia. Porém, é preciso outro conteúdo, que nos é dado em pequenas (grandes) interrupções no primeiro plano da ação, dando lugar a debates acesos sobre a educação, a política, a literatura, as finanças, entre outros. E é então nesses momentos que o leitor se depara com a falta de cultura e de civismo da elite, a corrupção, a ausência de espírito crítico, o conservadorismo, o atraso e o ridículo em que cai a classe portuguesa.


É assim que a crónica dos costumes impressiona. É assim que o retrato das camadas mais abastadas e a crítica impiedosa de Queiroz fazem de um livro de novela uma obra imponente e intemporal. Porque o facto de Carlos se apaixonar pela irmã não choca já ninguém, o leitor é até preparado para isso, o que choca, sim, é o incesto consciente que assistimos no final do livro, praticado por uma pessoa submetida a uma educação rigorosa, pertencente à alta sociedade, que, no entanto, no dilema, sucumbe à paixão em detrimento da moral. 

Classificação : 9/10  - Excelente

*Convido os leitores a fazer os passeios queirosianos em Lisboa e Sintra e constatarem que, ao levar o livro, as descrições de Eça espelham nitidamente o local onde nos encontramos.

sábado, 24 de setembro de 2011

A Glória dos Traidores, de George R. R. Martin

Sinopse: O bafo cruel e impiedoso do Inverno já se sente. Quando Jon Snow consegue regressar à Muralha, perseguido pelos antigos companheiros do Povo Livre, não sabe o que irá encontrar nem como será recebido pelos seus irmãos da Patrulha da Noite. Só tem uma certeza: há coisas bem piores do que a hoste de selvagens a aproximarem-se pela floresta assombrada. O Jovem Lobo também está em viagem, na companhia da mãe e do tio, numa tentativa de reconquistar duas coisas fundamentais para os Stark: a aliança da Casa Frey e o Norte. A primeira parece bem encaminhada, mas é sabido como o velho Walder Frey é traiçoeiro. Quanto à segunda, é uma incógnita, pois a tarefa que lhe cabe é quase impossível: conquistar Fosso Cailin a partir do sul. Em Porto Real, há dois casamentos em perspectiva, qual deles o mais importante para o destino dos Sete Reinos. Mas quem sabe o que os caprichos do destino têm reservado para os noivos? Jaime Lannister, agora mutilado, regressa para junto dos seus sem saber o que o aguarda. E do outro lado do mar, o poder dos dragões renasce, com Daenerys à cabeça de uma hoste de eunucos treinados para a guerra e finalmente rodeada de amigos. Mas serão esses amigos… dignos de confiança?

A Minha opinião: Para quem ainda não começou a ler esta saga, recomendo que o faça imediatamente. Ficará seguramente arrebatado pelas personagens e o brilhante mundo criado por George R. R. Martin.

Só posso dizer que, após 6 volumes, não estou de modo algum desiludida com esta saga . É claro que houve momentos que não gostei muito, mas a verdade é que são tão raros e tudo o resto é excelente. Neste volume então, Martin superou-se. Desde que o começamos há uma reviravolta quase que a cada capítulo! É realmente de cortar a respiração ver o que a acontece a tantas personagens e constatar que não podemos tomar nada como certo, porque Martin vai trocar-nos as voltas.


N'A Glória dos Traidores, a qualidade das personagens mantém-se, na realidade, algumas delas tornaram-se ainda mais interessantes neste livro como Jon, o Mindinho e Jaime e outras despertaram finalmente o meu interesse (sim, refiro-me a Sansa). Fiquei, no entanto, com alguma vontade (muita) de ler mais alguns capítulos de Daenerys e Bran. Ainda assim, se houve algo que realmente senti diferente neste livro foi o facto de que os acontecimentos me prenderam muito mais do que nos outros livros anteriores. Até este livro o que realmente adorava eram as personagens, mas agora acho que este jogo de interesses entre as casas e esta total incerteza sobre o destino de cada uma são coisas que não poderia abdicar.

Houve inclusivamente uma passagem de Sansa, uma das personagens que até à altura me prendia menos a atenção, que me pôs a pensar:

"Sansa pôs-se a vaguear, passeando por arbustos congelados e esguias árvores escuras, e perguntou-se a si própria se estaria ainda a sonhar. Flocos de neve que caíam roçavam-lhe no rosto com a leveza dos beijos de um amante e derretiam-se-lhe nas bochechas. Virou o rosto para o céu e fechou os olhos. Sentiu a neve nas pestanas, saboreou-a nos lábios. Era o sabor de Winterfell. O sabor da inocência. O sabor dos sonhos."

Sim, por momentos dou por mim a desejar novamente paz, um final feliz (agora dentro do possível) para a família Stark e a questão do rei resolvida. Porém, essa ideia rapidamente se desvanece, porque se há alguma coisa que tenho a certeza é que esta história ainda tem muito para dar. Vão haver mais personagens que me surpreenderão, traições, casamentos infelizes, mortes cruéis. E eu não quero perder nenhum destes acontecimentos. Quero ser arrebatada por esta história por mais algum tempo.

Escusado será dizer que este brilhante livro é o meu preferido de toda a saga.

Classificação: 9/10 - Excelente

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Prenúncio das Águas,de Rosa Lobato de Faria

Sinopse:Tendo como pano de fundo uma aldeia condenada a ficar submersa pelas águas de uma barragem,cinco narradores falam de si,completando, à medida que o fazem,uma história a que só o leitor terá direito.

A minha opinião: Rosa Lobato de Faria tornou-se uma das minhas escritoras preferidas e, provavelmente, deve ser a que mais me impressiona pela sua prosa. Tem um je ne sais quoi de poético, uma forma melodiosa de construir as frases e encaixar versos e frases conhecidas de uma forma subtil. É essa prosa que consegue, como poucos escritores o logram, embrenhar intensamente o leitor numa história mundana e simples. Sim,é essa simplicidade de que traz ao livro algo de encantador.
Deter-me-ei agora de falar na sua belíssima escrita, pois a história também tem muito para dizer. Em O Prenúncio das Águas, o leitor é enviado para o Rio do Anjo, uma aldeia alentejana, recheada de lendas e habitantes típicos de uma aldeia portuguesa, que devido a uma barragem, será submersa pelas águas do rio. Os dias finais desta aldeia são nos relatados, na 1º pessoa, por 5 habitantes : um rapaz de nome Pedro, Ivo,um homem de 60 anos, Filomena, uma filha de emigrantes em França que retorna à sua terra de origem, Ausenda,uma das irmãs Matias Branco e Sebastiana, a habitante mais idosa da aldeia, considerada uma bruxa pelas crianças. É através da visão de cada uma delas que vemos perspectivas completamente diferentes sobre o triste, mas inevitável fim da aldeia. É curioso como Rosa Lobato de Faria consegue, graças ao seu talento, escrever como se fosse 5 pessoas ao mesmo tempo. O capítulo de cada personagem começa e o leitor sabe instantaneamente que personagem é, apenas porque a sua voz característica é logo ouvida.
Apesar de haver uma certa previsibilidade no caminho de cada personagem e no fim da história, não há um único momento em que não haja a esperança de um novo rumo das coisas, em que não vibremos e nos revoltemos com as personagens. Como disse, a história trata de um tema muito mundano, real, mas talvez seja essa a característica que lhe confere algo tão especial. Rosa Lobato de Faria é uma escritora que recomendo. Ler os seus livros é puro deleite.
Classificação: 9/10 - Excelente

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os Pilares da Terra - Volume 2, de Ken Follett

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1989, Os Pilares da Terra surpreendeu o universo editorial ao tornar-se gradual mas inabalavelmente um clássico da ficção histórica, que continua a maravilhar leitores de todo o mundo e que a Presença lança agora em dois volumes. Na Inglaterra do século XII, com a guerra civil como pano de fundo, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso - construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história - Ellen, uma mulher enigmática que vive à margem da sociedade e cujo passado esconde um segredo, Philip, prior da cidade de Kingsbridge, que vai supervisionar a construção da catedral, Aliena e Richard, ricos herdeiros destituídos das suas terras e títulos, William, o cavaleiro sem escrúpulos, e Waleran, o bispo disposto a tudo para obter o que pretende. À medida que assistimos à edificação de uma obra única envolvendo suspense, corrupção, ambição e romance, a atmosfera autêntica do quotidiano da Europa medieval em toda a sua grandeza absorve-nos irremediavelmente, ousando desafiar os limites da nossa imaginação. Recriação magistral de um tempo de conspirações, delicados equilíbrios de poder e violência, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A minha opinião: Assim que acabei de ler o volume 1, comecei logo a ler este, visto que estava já demasiado embalada na história para deixar o livro original a meio. Curiosamente, apesar de ter gostado bastante do primeiro volume, este prendeu-me ainda mais, tanto que dei por mim a ver os números das páginas a voar de tão embenhada que estava na história. Na verdade, apesar do livro ter, no total, mais de 1000 páginas, não me lembro de ter havido algum momento em que não tivesse vontade de continuar e descobrir o que me esperava na página seguinte, pois tem todos os ingredientes que cativam o leitor - bastante acção, algum romance, suspense e uma época histórica interessante - e cada acontecimento era descrito com a dose certa.

A minha expectativa em relação ao rumo das personagens foi plenamente correspondida e algo de que gostei muito ao longo deste volume foi ver um grande desenvolvimento das mesmas e constatar que Ken Follett criou personagens muito ricas e credíveis, que não se limitam a corresponder a um estereótipo de cruéis ou de boazinhas. Ao acompanharmos as personagens quase durante a sua vida inteira, podemos ver que as personagens mais boas também têm as suas imperfeições e que as mais cruéis, apesar de tudo, não são desprovidas de coração, pois em cada mini-capítulo, podiamos ver os acontecimentos do prisma de uma personagem, conhecendo os seus planos e pensamentos. Assim, não foram poucas as vezes em que me surpreendi com algumas delas.

Jack, por exemplo, foi uma das personagens que mais gostei e que me foi conquistando à medida que crescia. Se por um lado, enquanto jovem era um bocado estranho, enquanto adulto foi uma surpresa. A sua busca ousada e incansável pela verdade sobre o seu pai, a sua inteligência, determinação e criatividade que o permitiram contruir a catedral dos seus sonhos foram algo que admirei muito nesta personagem. Quando descobriu a solução para o problema das fendas causadas pelo vento mais forte nas partes mais elevadas da catedral, que nada mais eram que os arcobotantes, fiquei extremamente impressionada, pois estes eram utilizados antes, na arquitectura românica, mas não estavam à vista. Uma ideia tão inovadora só poderia vir de uma mente brilhante.

Aliena foi também uma personagem de que gostei bastante. Determinada e perspicaz, mostra-nos que apesar das dificuldades da vida, é possível resistir e ser bem sucedido.

Tom, o pedreiro foi uma das personagens por quem tive um carinho especial. Foi o seu sonho de constuir uma catedral que basicamente deu origem a esta história. Graças à sua paixão pela construção, passa também a mensagem de que a persecução dos nossos sonhos é algo essencial e talvez não tão irreal como os outros e nós podemos pensar.

Por fim, Philip. Uma personagem esplêndida. Perseverante é certamente a palavra que o descreve. Desde o início nos apercebemos de que não é um monge qualquer, é alguém capaz de fazer a diferença, devoto de verdade e que se preocupa muito com os meios para atingir os fins. O seu bom coração parece que não vale de muito, quando o seu esforço para recuperar Kingsbridge é continuamente ameaçado por algum plano de Waleran e William. Porém, Philip consegue sempre levantar-se do chão e ser até ajudado pelos seus inimigos. Uma personagem memorável. O mal triunfa sempre que os bons homens não fazem nada. Neste caso, Philip não deixa que isso aconteça.

Como a acção decorre num espaço temporal largo (cerca de 50 anos), não só podemos acompanhar uma grande parte da vida de todas as personagens, como também podemos vê-las em diferentes condições, quando estão no auge ou na miséria, quando têm tudo, e quando não têm nada. Porque se há algo que este livro tem de muito bom, é o facto de que retrata perfeitamente o instável contexto político e social da Idade Média e, portanto, as batalhas, as alianças, traições, violência, conspirações e a ambição desmedida de várias personagens que têm lugar na época medieval, e principalmente num tempo de guerra civil.

Como romance histórico, gostei bastante do facto de ser bastante detalhado na descrição da sociedade medieval, ao nível da sua organização, dos grupos sociais, das cidades, da política e da importância do Clero, que muitas vezes, não servia os interesses de Deus, mas os seus. Foi também muito interessante ver a importância que a existência de uma catedral tinha na vida dos habitantes da cidade.

Após ler Os Pilares da Terra, nunca mais poderei olhar as catedrais da mesma maneira. Neste livro, a paixão de Tom e Jack (e do autor, por detrás) que se vê nas descrições sobre o projecto e nas ideias que tinham, leva também o leitor a ver as catedrais não só como algo imponente, mas com um trabalho enorme ao nível de proporções, medidas, técnicas que está na base da sua construção. É muito curiosa também a passagem do estilo romântico de Tom para o gótico de Jack, a surpresa e admiração das pessoas ao ver a verticalidade e luminosidade das catedrais góticas que era algo completamente novo para elas. Nunca tinha realmente pensado nestas questões antes, mas este livro reavivou-me a admiração que tenho pela arte, tanto que enquanto o lia, ia sempre consultando um manual de história da arte e vendo as catedrais e técnicas que era faladas.

Após escrever tanto sobre este livro, é quase como se o final tivesse vindo cedo demais. Não me importaria de ler mais umas páginas deste magnífico livro, que contém mensagens belíssimas, personagens que dificilmente vou esquecer e uma história que não me decepcionou de qualquer forma.

Classificação: 9/10 (Excelente)

P.S - Um obrigada a uma pessoa muito simpática, que me emprestou o primeiro volume e deu o empurrão para que este livro passasse à frente dos outros da minha interminável lista :)

(A minha opinião sobe o volume 1)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield

Sinopse: Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, mantendo oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente?

A Minha Opinião: O Décimo Terceiro Conto foi um dos muitos livros que descobri nas minhas visitas a outros blogs literários e que, provavelmente, nunca leria se não os visitasse.

Devo dizer que fiquei completamente surpreendida com este livro! Tive todos os "sintomas" de quando leio um livro que adoro: o número de páginas parecia que voava; era-me muito difícil arranjar um ponto para parar de ler, mas também quando o fazia, continuava embrenhada na história e quando faltavam poucas páginas para acabar, o meu desejo era que simplesmente não acabasse tão cedo.

O Décimo Terceiro Conto, não só pela escrita cativante, como também pelo enredo absorvente e o seu ambiente sombrio, prendeu-me desde a primeira página. Porém, penso que o que me fez realmente adorar o livro foram as personagens.

Margaret Lea era uma bibliófila e portanto, foi fácil identificar-me com ela desde o início. Ainda assim, não foi só esse facto que me fez gostar dela. Durante o livro, vamos saltando do presente para o passado, do passado para o presente. O passado consiste na narração de Vida Winter sobre a sua infância e adolescência. O presente, no momento em que ela a conta e Margaret a vai registando, para depois escrever a biografia de Vida Winter, que lhe fora incubida pela mesma. No entanto, Margaret não se vai limitar a registar a história que Vida lhe conta, até porque esta, até à data, contava sempre uma história diferente sobre a sua infância nas entrevistas e desta forma, não se sabia a verdade sobre os primeiros tempos da escritora, porque não havia nenhum registo de Vida Winter antes de se tornar numa romancista. Margaret vai então investigando provas que confirmem a história que lhe conta e faz um pouco o papel de detective, revelando ser bastante perspicaz. Gostei muito desta personagem, até porque ela também vai revelar ser possuidora de uma história peculiar que eu achei muito bém construída e adequada ao ambiente sombrio do livro.

Vida Winter é sem dúvida, uma mulher enigmática. Gostei logo de como relatava a sua infância através de um discurso onde a escolha das palavas não era feita ao acaso. Achei-a um personagem muito credível, com um carácter sereno, mas imponente, que me conseguiu prender a atenção desde que escreveu a carta a pedir os serviços de Margaret Lea. Com todo o mistério à volta dela, era como se me tivesse lançado uma teia da qual só me consegui desprender quando acabei o livro.

Como único ponto negativo, apenas aponto o facto de ter sentido falta, no final, de mais algumas explicações que me permitiriam perceber melhor a reviravolta que aconteceu no final, porque estava à espera que tivesse sido melhor descrita. Ainda assim, não sei bem se posso apontá-lo como um ponto negativo, porque não sei se seria próprio de Vida Winter deixar o leitor completamente elucidado sobre a sua vida, sem que houvesse ainda algum mistério de roda dela.

O Décimo Terceiro Conto é um livro fantástico cuja leitura me deu um enorme prazer de ler e que recomendo vivamente. Um autêntico exemplo de um livro que não largamos até saber o seu desenlace.

Classificação: 9 /10

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sputnik, Meu Amor, de Haruki Murakami

Sinopse: O gelo é frio e as rosas são vermelhas. Estou apaixonada. E este amor vai decerto arrastar-me para longe. A corrente é demasiado forte, não tenho escolha possível. Mas já não posso voltar atrás. Só posso deixar-me ir com a maré. Mesmo que comece a arder, mesmo que desapareça para sempre.

A Minha Opinião : Parti com enormes expectativas para este romance. A capa, o autor, o próprio título, tudo me fazia crer que estava perante um livro que iria adorar. Porém, na primeira página, Murakami deitou por terra tudo aquilo que eu pensava que Sputnik, Meu amor iria ser e ainda assim, não descansei até acabá-lo.

Nunca imaginaria que numa altura tão aterefada um livro pudesse envolver-me da maneira que este o fez. Nunca pensaria que, durante uma semana, um livro pudesse teimar tanto em abandonar a minha cabeça. A verdade é que foi exactamente o que aconteceu.

A história vai se tornando cada vez mais intrigante à medida que prosseguimos a leitura. No início, somos apresentados a uma personagem muito peculiar e lunática com a qual simpatizei desde a primeira página, Sumire. Apesar da história girar à sua volta, o livro é narrado na primeira pessoa por um professor de primária, grande amigo desta, que se encontra apaixonado por ela. Seria de esperar que Sumire também estivesse apaixonada por ele, mas não. Com 22 anos, Sumire apaixona-se pela primeira vez na vida por uma mulher casada, Miu.

À primeira vista, o enredo pode parecer banal. No entanto, garanto-vos que não o é. Murakami pegou no conceito de um triângulo amoroso e levou-o para um nível completamente superior, pois com uns toques surreais, transformou uma simples história aparentemente real numa história fascinante, que corta a respiração aos leitores pelas maravilhosas passagens que têm o privilégio de ler.

Digo isto, porque, de facto, o toque surreal de Murakami ajuda para se gostar do livro, mas é preciso uma escrita maravilhosa que faça justiça a um bom enredo. À semelhança do que constatei em A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol, a escrita é muito fluida e rica, pois muitas passagens têm metáforas belíssimas e as frases soam simplemente melodiosas. Inúmeras páginas do meu livro têm os seus cantos dobrados por ter encontrado parágrafos profundos que me fizeram parar antes de continuar a ler.

O único ponto negativo que posso apontar é o facto de que, ao contrário do outro romance, a história não tem tanto o carácter oriental de que estava à espera, pois uma parte da acção passa-se na Grécia. Talvez por isso tenha sentido que estava um pouco abaixo do outro romance.

Fora isto, adorei o livro. A história é belíssima e cativante. O facto de ter um toque que passa as barreiras do mundo real foi algo único que me fez escapar deste mundo por instantes.


Classificação : 9/10

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

El Tiempo entre Costuras (O Tempo entre Costuras), de María Dueñas

Sinopse: «O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.


A Minha Opinião: Quando me encontrava numa fnac madrilena, o único que procurava era um livro em Espanhol para oferecer à minha mãe que eu gostasse de ler quando ela o acabasse.

A escolha d' El Tiempo entre Costuras não poderia ter sido a mais certa. Apesar de estar um pouco receosa pelo marketing envolvido, após lê-lo concordo que o livro é sem dúvida é merecedor de tal destaque.

El Tiempo entre Costuras apresenta-nos uma história interessantíssima contada em 1ªpessoa por Sira Quiroga, uma jovem madrilena da primeira metade do século XX que desde cedo apresenta um talento para a costura e cuja vida é repleta de personagens autênticas, lugares tão próximos e ao mesmo tempo tão longínquos e experiências que nos agarram desde a primeira frase: "Una máquina de escribir reventó mi destino".

Muitas vezes faço a comparação da leitura de alguns livros com um rio e este é um excelente exemplo disso. Desde o início até ao final vamos embalados pela corrente, pelo que até nem precisamos de nos surpreender a cada minuto, pois os pormenores mais quotidianos do dia-a-dia da protagonista satisfazem-nos plenamente. É claro que uma escrita fluída ajuda, como é o caso da de María Dueñas, mas o enredo é também ele muitíssimo agradável de seguir. A dinâmica do livro é maravilhosa e as personagens simplesmente magníficas. É curioso como todas têm um papel tão importante e são uma presença tão sólida na vida de Sira e depois lentamente ou de repente o seu caminho separa-se do da protagonista para nunca ou mais tarde se reencontrarem. Tão parecido com o decorrer de uma vida, que é impossível não encontrar nestas personagens semelhanças a pessoas que conhecemos ou até connosco próprios.

Os acontecimentos que acompanhamos são igualmente fantásticos. Como referi, não são sempre algo absolutamente surpreendente - muitas coisas na vida não o são - mas as experiências de Sira são tão variadas e extremamente viciantes o que nos deixa ansiosamente à espera de pegar no livro de novo para ler só mais um bocadinho.

A nível de romance este livro já tem tanto. A nível de romance histórico ultrapassou qualquer expectativa que tinha. As descrições do protectorado espanhol são de puro deleite, a realidade de um Madrid destruído pela guerra parece demasiado real. À medida que avançamos na história seguimos Sira de Madrid a Tetuán a Tanger ou Lisboa e vê-la de forma tão vívida a percorrer as suas ruas faz-nos difícil não imaginar quase com exactidão aquele cenário.

Apesar de alguma parte da sua vida ser passada com a Guerra Civil Espanhola esta não é o ponto fulcral deste livro, no entanto são-nos dados a conhecer vários aspectos da guerra e principalmente dos anos seguintes ( a influência britânica por um lado e a germânica por outro) que eu desconhecia por completo.

Confesso, no entanto, que fiquei um pouco desiludida com o final. Para um grande livro queria um final que o correspondesse, mas não foi essa a sensação com que fiquei quando o acabei. Ainda assim, o final não retirou o prazer que tive ao ler este livro, ainda que um bolo delicioso mereceria no topo uma cereja um pouco maior.

A minha mãe e eu aconselhamos vivamente.

Classificação : 9/10 - Excelente

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Duas Irmãs, Um Rei, de Philippa Gregory

Sinopse: Duas Irmãs, Um Rei apresenta uma mulher com uma determinação e um desejo extraordinários que viveu no coração da corte mais excitante e gloriosa da Europa e que sobreviveu ao seguir o seu próprio coração. Quando Maria Bolena, uma rapariga inocente de catorze anos, vai para a corte, chama a atenção de Henrique VIII. Deslumbrada com o rei, Maria Bolena apaixona-se por ele e pelo seu papel crescente como rainha não oficial. Contudo, rapidamente se apercebe de que não passa de um peão nas jogadas ambiciosas da sua própria família. À medida que o interesse do rei começa a desvanecer-se, ela vê-se forçada a afastar-se e dar lugar à sua melhor amiga e rival: a sua irmã, Ana. Então Maria sabe que tem de desafiar a sua família e o seu rei, e abraçar o seu destino. Uma história rica e cativante de amor, sexo, ambição e intriga.

A Minha Opinião:
As expectativas para este livro eram bastante elevadas, não só por ter gostado muito de Catarina de Aragão, A Princesa Determinada como também por ter adorado o filme quando o vi. Em Duas Irmãs, Um Rei, acompanhamos o caso das irmãs Bolena. Por um lado, Maria, a mais nova, uma alma generosa e obediente que se envolve com o rei por ser obrigada pela sua família e por outro, Ana, a mais velha, uma rapariga ambiciosa que não olha a meios para atingir os seus fins e que, por astúcia, acabará por casar com Henrique VIII. Gostei bastante de como Philippa Gregory retratou o percurso de vida de Ana Bolena e a sua influência no processo de distanciamento da Inglaterra da Igreja.

Como o título original (The Other Boleyn Girl) indica, a história é-nos contada não por Ana Bolena, como seria de esperar, mas pela outra rapariga Bolena, Maria, sua irmã. Achei uma ideia muito original por parte da autora, pois quando se fala desta altura fala-se principalmente de Ana Bolena.


Philippa Gregory é, de facto, talhada para escrever romances históricos. Por muito que sejamos conhecedores da época e dos acontecimentos relatados, a autora consegue dar-nos diferentes perspectivas dos mesmos, o que faz com que tenhamos uma ideia mais exacta/menos parcial daquilo que aconteceu e, ao fazê-lo, consegue agarrar-nos ao livro de uma maneira excelente.
Um excelente incentivo para continuar a ler a série de livros que tem sobre os Tudor.

Pelos dois livros que li dela, nota-se que nos dá uma perspectiva bem feminina dos acontecimentos relatados e estas têm personalidades fortes. Não sei se isto acontece na maioria dos seus livros, mas é algo que eu valorizo muito, pois dá-me assim a possibilidade de encarnar a personagem de uma forma quase real.


Ainda que, obviamente, o livro tenha um rigoroso fundo histórico, a autora conjuga os acontecimentos históricos com pormenores da sua autoria de uma forma perfeitamente credível, o que resulta numa história muito interessante.


Apesar das suas 600 páginas, este livro lê-se num instante para todos aqueles que, como eu, queiram mergulhar no mundo de Henrique VIII, percorrer os aposentos reais e ficar surpreendidos com tudo o que por lá poderá ter acontecido. A partir do momento em que estamos imersos no seu mundo, é difícil abandoná-lo.


Classificação: 9/10 - Excelente

domingo, 18 de julho de 2010

Memórias de uma gueixa, de Arthur Golden

Sinopse: Sayuri tinha um olhar invulgarmente belo, de um cinzento translúcido, aquático, a reflectir numa miríade de cristais límpidos, o brilho prismático e incandescente do universo perfeito e atroz sobre o qual repousava. Era uma transparência súbita, inesperada, a contrastar violentamente com a estranha opacidade branca da máscara onde sobressaíam uns lábios exageradamente vermelhos. E se os olhos ainda reflectiam Chiyo, a menina de nove anos, filha de pescadores, de uma cidade remota, junto ao mar, a máscara inquietantemente delicada, o penteado ostensivo, a sumptuosidade dos quimonos de brocados, ricamente ornamentados pertenciam à mulher em que ela se tinha tornado, Sayuri, uma das mais célebres gueixas do Japão dos anos 30. É este mundo anómalo, secreto e decadente, construído sobre cenários de papel de arroz e que parece ser a manifestação da própria fantasia erótica masculina que Golden evoca com uma autenticidade notável e um lirismo requintadamente raro. Um romance sobre o desejo e a natureza indomitável do espírito humano, desafiador, cativante pela pureza da prosa, pela prodigalidade das nuances, das atmosferas, das imagens esculpidas com a precisão e subtileza da arte do bonsai. Memórias de uma gueixa foi considerado um dos melhores primeiros romances de 1997.



A minha opinião: Às vezes parece que não fomos nós quem escolheu o livro, mas foi o livro que nos escolheu a nós.

Antes de ler a crítica da White Lady, eu nunca tinha ouvido falar nem deste livro, nem do filme. Por casualidade, o livro pareceu-me tão interessante que, num impulso, o requisitei logo na biblioteca e comecei a lê-lo. Esperava algo bom, mas mesmo assim, surpreendeu-me.


Em Memórias de Uma Gueixa, é-nos dada a oportunidade de acompanhar a vida de Sayuri, uma gueixa do Japão dos anos 30 desde a sua curta infância na pequena cidade de Yoroido até se ter mudado para Nova Iorque. É-nos dado a conhecer como a criança Chiyo se tornou na gueixa Sayuri, desde o momento em que foi vendida à okiya (local onde viviam gueixas/futuras gueixas) onde iria passar grande parte da sua vida até ter quebrado os laços com esta.

Ainda que o objectivo principal deste livro seja apresentar a vida de uma gueixa no que diz respeito ao seu dia-a-dia, como este se vai modificando nas diversas etapas da sua vida e algumas particularidades desse mundo, gostei muito da história criada por Golden para atingir este fim. Embora estejamos centrados na vida de Sayuri, portanto pouco mais se sabe das personagens a não ser no momento em que que contactam com esta, achei que as personagens estavam muito bem desenvolvidas, diferentes entre si, parecendo mesmo reais.

Outro aspecto que gostei muito foi a "voz" de Sayuri. Consegui perfeitamente sentir o que ela sentia. Em nenhum momento pensei que a pessoa que me estava a contar a história não era uma mulher, mas sim um homem.

Por fim, o livro levanta algumas questões interessantes, sobre a nossa visão de ocidentais sobre as gueixas, a forma como pequenos acontecimentos podem mudar o rumo da nossa vida e até que ponto são as nossas escolhas que influenciam a nossa vida.

Como ponto negativo, apenas tenho a referir o facto de comparativamente ao início, o final pareceu-me um pouco apressado.

É sem dúvida um livro muito bom não só pelo conhecimento que se adquire sobre as gueixas, mas também pela belíssima história que o acompanha, que apesar de ser fictícia, é bastante credível.

Existem alturas para ler determinados livros. Não sei bem porquê, parece-me que estava com a disposição perfeita para ler este.

Classificação: 9/10 - Excelente

[Para aqueles que leram, encontrei questões muito interessantes de análise do livro. Curiosamente, algumas eu até me perguntei mim mesma]

terça-feira, 16 de março de 2010

Caim, José Saramago

Sinopse: Pela fé, Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa da sua fé, Deus considerou-o seu amigo e aceitou com agrado as suas ofertas. E é pela fé que Abel, embora tenha morrido, ainda fala. (Hebreus, II, 4)


A minha opinião: Sem palavras. É difícil transmitir qualquer tipo de emoção. Apesar do livro estar rodeado delas.

A minha opinião? Extremamente difícil. Quer Caim, quer José Saramago, foram alvo de diversas críticas, especialmente da Igreja Católica,algo compreensível. O mesmo se sucedeu com o Evangelho Segundo Jesus Cristo.

Apesar de todos os comentários, Caim é um livro fantástico.
Um rasgo no céu. Uma luz no escuro. Um visão moderna, justa e sobretudo sem qualquer tipo de ilusões. Um perspectiva fora do comum, mas perfeitamente encaixada no quadro da normalidade.


Mil perdões, se vou contra qualquer tipo de ideia ou ideal, mas para mim Caim de José Saramago é a nova Bíblia.
Excelentes leituras!

Classificação: 9/10 - Excelente

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Avó Dan, de Danielle Steel

Sinopse: Por mais de uma década, a jovem Danina Petroskova viveu para o ballet e para a sua mentora, Madame Markova. Quando uma grave doença a impede de estar em palco, a jovem bailarina fica inconsolável e desesperada por se recompor: Madame Markova concorda em deixá-la aos cuidados do talentoso doutor Nikolai Obrajensky. Em recuperação no palácio dos Romanov, Danina conhece a vida e o amor para além do ballet. Danina terá de escolher qual o seu caminho: o amor de um homem ou o amor pela arte.
Neste livro extraordinário, uma simples caixa, cheia de recordações de uma avó, oferece-nos uma incrível história de amor, juventude, sonhos e beleza. A avó Dan tem tudo o que é necessário para ser aquilo que é: um romance clássico.

A minha opinião: Emocionante. É a única palavra que consigo arrancar do meu modesto vocabulário. As palavras são poucas para descrever este maravilhoso livro. Inicialmente, antes de efectuar a leitura do livro (oferecido carinhosamente pela Juliet), muitas eram as pessoas que não diziam palavras carinhosas sobre a escritora, Danielle Steel. Muito enfadonha, demasiado repetitiva nas suas histórias, enfim uma série de blasfémias.

Como tal, estava bastante receosa. Tinha medo de fazer parte desse grupo de pessoas. Lentamente fui lendo o livro, mas cada vez mais me fui apaixonando pelo enredo. Espectacular!
Penso que parte do interesse que nutri por este livro, deveu-se ao facto de me identificar bastante com a personagem principal, Danina Petroskova, a Avó Dan. A sua paixão pela vida, pela arte sobretudo pelo ballet, despertou em mim um interesse e uma emoção digamos sobrenaturais.


Era meu dever, fazer-vos um pequeno resumo em relação à história, mas vou quebrar as regras, e deixar-vos descobrir pelos vossos próprios meios.
É um livro magnífico, que aconselho vivamente a todos os nossos caríssimos leitores. De cortar a respiração e com um final surpreendente, A Avó Dan, é um livro lindíssimo, para mais tarde ser recordado.
Excelentes leituras!


Classificação: 9/10 - Excelente

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol, de Haruki Murakami

Sinopse: Na primeira semana do primeiro mês do primeiro ano da segunda metade do século XX, ao protagonista, que também faz as vezes de narrador, é dado o nome de Hajime, que significa «início». Filho único de uma normal família japonesa, Hajime vive numa província um pouco sonolenta, como normalmente todas as províncias o são. Nos seus tempos de rapazinho faz amizade com Shimamoto, também ela filha única e rapariga brilhante na escola, com quem reparte interesses pela leitura e pela música. Juntos, têm por hábito escutar a colecção de discos do pai dela, sobretudo «South of the Border, West of the Sun», tema de Nat King Cole que dá título ao romance. Mas o destino faz com que os dois companheiros de escola sejam obrigados a separar-se. Os anos passam, Hajime segue a sua vida. A lembrança de Shimamoto, porém, permanece viva, tanto como aquilo que poderia ter sido como aquilo que não foi. De um dia para o outro, vinte anos mais tarde, Shimamoto reaparece certa noite na vida de Hajime. Para além de ser uma mulher de grande beleza e rara intensidade, a sua simples presença encontra-se envolta em mistério. Da noite para o dia, Hajime vê-se catapultado para o passado, colocando tudo o que tem, todo o seu presente em risco.

A minha opinião: Que livro! Já queria há algum tempo ler um livro de Murakami. Depois de ver tantas opiniões tão boas, já esperava surpreender-me, contudo, acho que não estava à espera de que fosse assim tão bom.

Antes de mais, o título:
A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol. É tão bonito, não é? Uma pequena frase, que além de chamar a atenção, soa como uma pequena melodia para ouvir ao final do dia. Lindíssimo. Neste caso, pode-se julgar a escrita pelo título. Murakami escreve de uma forma magnífica. É difícil exemplificar o quão maravilhoso é ler uma pequena parte do livro, até porque a minha vontade quando o acabei, foi lê-lo de novo. Isto porque a escrita de Murakami é para mim, como uma paisagem. É tão natural, tão bela, que inebria todos os sentidos. Tem descrições tão maravilhosas, que nós podemos ver as coisas com pormenor e ainda assim dar o nosso toque pessoal ao que imaginamos. Eu até vos mostro só uma frase:

"Um sorriso que parecia uma leve brisa soprando de algum lugar distante."

Eu adorei todas as comparações que ele fazia à natureza. É realmente um prazer ler Murakami. E este foi o primeiro livro, mal posso esperar por ler outro!

Quanto à história, é simples, mas ao mesmo tempo, profunda e consegue cativar o leitor. Houve inúmeras alturas em que eu me sentia de tal forma envolvida na história que o meu estado de espírito coincidia com o da personagem principal. É inacreditável, como me envolveu assim. Penso que se não fosse a escrita, não me sentiria tão agarrada ao que estava a acontecer.

Enfim, só posso acabar dizendo que estou ainda fascinada pelo que li e que para primeiro livro de 2010, penso que comecei de uma forma excelente!

Classificação : 9/10 - Excelente

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As Avis, de Joana Bouza Serrano

Sinopse: Durante os 200 anos que durou a dinastia de Avis, que teve início com D. João I, Mestre de Avis, Portugal esteve na vanguarda da história mundial. Neste período sentaram-se no trono português 8 reis e o país conheceu 9 rainhas consortes, mulheres que, muitas vezes na sombra, definiram também elas o rumo da história do reino.

Filipa de Lencastre, a mãe da Ínclita Geração; Leonor de Aragão, a Triste Rainha, que foi obrigada a fugir para Castela após a morte do marido; Isabel de Lencastre, que assistiu impotente ao confronto entre o seu pai e o seu marido; Joana de Castela, conhecida como a Excelente Senhora, que, por questões políticas e dinásticas, foi enclausurada num convento; Leonor de Lencastre, que mandou construir o Convento de Madre Deus em Lisboa; Isabel de Castela, filha dos Reis Católicos de Espanha, que morreu ao dar à luz; Maria de Castela, consorte de D. Manuel I, com quem teve uma relação de cumplicidade; Leonor de Áustria, peça fundamental no jogo político do seu irmão, o imperador Carlos V; Catarina de Áustria, avó de D.Sebastião.

A partir do olhar destas rainhas, a historiadora Joana Bouza Serrano dá-nos a conhecer os seus casamentos, que representavam verdadeiros trunfos nos jogos de poder político, os partos sucessivos para garantir a sucessão, a sua dedicação à cultura e às artes, as tradições e os costumes da corte e os diferentes acontecimentos políticos que marcaram a dinastia de Avis.


A minha opinião: A História fascina-me desde pequena, pelo que ao longo da minha vida tenho lido muitos livros desta área. Recentemente, ao ler Infantas de Portugal, Rainhas em Espanha, descobri que, ainda que sejam pouco exploradas na maioria dos livros, as personagens femininas tiveram de facto influência no decorrer dos acontecimentos, muitas vezes sem ser dada a sua devida importância.


Neste livro, acompanhamos a vida das rainhas consortes da dinastia de Avis. Não apenas a sua vida na corte de Portugal, mas também a sua infância e os períodos em que algumas eram rainhas-viúvas no estrangeiro, por exemplo. Para aqueles que conhecem bem a dinastia de Avis, é uma excelente maneira de perceber um pouco das cortes contemporâneas, ainda que, grande parte das vezes a corte seja a dos nossos vizinhos espanhóis; ver os acontecimentos já conhecidos de uma perspectiva diferente e saber qual a intervenção das rainhas na altura.


Além disso, através de inúmeras curiosidades e factos da época, é nos possível aumentar os nossos conhecimentos sobre a vida da corte, as preocupações do seu tempo e as suas relações com as cortes estrangeiras, em especial da perspectiva feminina. Foi muito agradável descobrir vários destes pormenores, que são descritas pela autora de uma forma muito acessível e interessante, que nos deixam muito bem elucidados sobre esta época.


Em suma, gostei bastante deste livro, porque me permitiu ver a dinastia de Avis com outros olhos, conhecer as cortes vizinhas e, mais importante, entender a vida destas rainhas, o que foi bastante enriquecedor, pois muitos dos aspectos da vida delas relatados no livro são, além de interessantes, úteis para compreender este período da nossa história.


Classificação: 9/10 - Excelente

domingo, 13 de dezembro de 2009

Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel

Sinopse: Tita vive, nos primeiros anos do século XX, numa localidade fronteiriça mexicana de arrigados e severas normas sociais. Como filha mais nova, devia consagrar a sua vida ao serviço da família e esquecer-se do amor. Mas tudo se complica quando Tita se apaixona por um jovem chamado Pedro Muzquiz. Como a Mamã Elena não deseja prescindir da sua filha mais nova que a deveria cuidar na velhice, a «solução» que encontra consiste em oferecer a mão de outra das suas filhas a Pedro... Nesta desesperante situação, a cozinha e os seus feitiços tornam-se na única válvula de escape para a sensualidade da jovem...
A minha opinião: Laura Esquivel, sempre foi uma autora por quem eu nutro uma imensa consideração e carinho. Oriunda do México, Laura Esquivel, é uma autora que utiliza a magia e a ficção para dar rumo a todas as suas histórias e, Como Água para Chocolate, não foge à regra.
A história passa-se no ínicio do século XX, onde as normas e proíbições continuam a reinar, para raparigas como Tita, a mais nova de três irmãs. Tita uma rapariga com um dom notável para a cozinha, vive atrás dos seus cozinhados e especiarias, como forma de se resguardar da paixão imensa que sente por Pedro. Mas o que é que os impede de casar e de ficarem juntos para sempre? Na familia manda a tradição que a filha mais nova (Tita) se mantenha solteira e cuide da mãe até à hora da morte. Como tal a mãe de Tita, oferece a mão da sua filha mais velha, Rosaura, a Pedro. Será que Pedro aceita? Como se sente Tita, com todo este reboliço? Que destino lhes é reservado no fim?
Um livro extraordinário, que combina o amor com a cozinha de uma forma comovente.
Um romance escrito para todas as idades e com um toque de doçura e de carinho tão característicos de Laura Esquivel.
Uma proposta deliciosa, para o Natal =D
Excelentes leituras!


Classificação: 9/10 - Excelente
[Recomendo também, Tão Veloz Como o Desejo, de Laura Esquivel, outra proposta excelente para um Natal receado de doçura =D]

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

Sinopse: Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a 2ª Guerra Mundial. Na Rua Himmel, as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owen, e de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na casa da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros para oferecer à rapariga que roubava livros, sobre as páginas de Mein Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda a história da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

A minha opinião:
Este foi um dos livros que realmente me envolveu como leitora. Adoro ler livros sobre a 2ªguerra, e este foi sem dúvida, o mais original. Antes de mais, a escrita é excelente. Divertida, criativa, dinâmica, com um narrador pouco usual e com inúmeros parêntesis ou interrupções na leitura que realmente nos deixam a pensar. Este foi um aspecto que adorei neste livro e que o destacou dos demais.

A história em si é também maravilhosa. A vida de Liesel na pequena rua, as diferentes personalidades de cada morador da mesma, é como que se o autor nos transportasse para aquela rua durante a Alemanha Nazi e fôssemos nós mesmos a percorrer aquela rua a distribuir a roupa lavada que a nossa mãe preparou, nós a pronunciar Heil Hitler, nós a aprender a magia das palavras numa cave, nós a esconder um judeu. A história é mesmo lindíssima, com personagens muito bem desenvolvidas e pequenas histórias que vale a pena conhecer, que nos tocarão de um forma ou de outra.

Além disso, este livro mostra-nos várias componentes da Alemanha da 2ª Guerra, focando inúmeros aspectos que permite consolidar alguns conhecimentos que já tinha de uma excelente maneira (que melhor maneira do que ler uma boa história e aprender ao mesmo tempo?).

A Rapariga que Roubava Livros foi uma grande surpresa, que me deu um enorme prazer de ler, não só por ter sido absorvente, mas também por ter despoletado variadas emoções enquanto o lia (principalmente no final, porque este é simplesmente comovente e magnífico :). Sem dúvida uma excelente sugestão para oferecer neste Natal.

Classificação : 9/10 - Excelente

domingo, 25 de outubro de 2009

As Três MISS MARGARETS, Louíse Shaffer

Sinopse: Miss Peggy, Dra. Maggie e Miss Li'l Bit têm em comum o nome e uma amizade que dura há longos anos. Mas por detrás da fachada irrepreensível que as levou a serem consideradas verdadeiros ícones em Charles Velley, na Georgia, têm também um segredo explosivo, com décadas, que está prestes a ser revelado.
Trinta e tal anos antes, as três Miss Margarets fizeram algo extraordinário, clandestino e profundamente ilegal. Apesar de permanentemente assombradas por essa noite que mudou as suas vidas, acreditam ainda que o seu crime foi apenas uma forma de corrigir um mal imperdoável.
Porém, a chegada de um estranho à cidade e uma morte trágica vão abrir as comportas da memória, e a lealdade, a amizade e a honra serão postas à prova como elas jamais teriam imaginado - principalmente quando têm de enfrentar Laurel Selene, uma jovem que passou toda a sua vida a braços com uma mãe alcoólica e um rancor desmedido. Laurel está prestes a descobrir o que aconteceu na noite em que as três Miss Margarets fizeram o seu juramento secreto. Qualquer que seja a sua reacção, apenas uma coisa é certa: nada voltará a ser como dantes.


A minha opinião: Este é um livro que eu via à muito guardado na prateleira da avó, e que sempre me fez sentir uma certa curiosidade de saber qual o segredo que continha.
Foi uma história que me agarrou desde a primeira página, e que me deu sempre vontade de ler mais para saber o que acontecia a seguir, logo, li o livro em uma dentada.

O livro começa por apresentar as três personagens centrais, As Três Miss Margarets, Peggy, Maggie e Li'l Bit.

Louíse conta um pouco da história de cada Margaret, como se de uma memória se tratasse. Durante o primeiro capítulo, as três amigas recordam-se dos seus tempos de miúdas e do que naquela altura os habitantes do pequeno local Charles Valley pensavam delas. O Inicio desta história absorvente revela-nos o gesto que vai ajudar a desenterrar todos os segredos meticulosamente guardados pelas Margarets: as três encontram-se numa casa abandonada e despedem-se da vedeta local, Vashti, agora morta, que volta à sua terra natal quando está prestes a falecer.

Um jornalista, que está a escrever um livro acerca de Vashti, reconhece as três Miss Margarets, quando estas deixam a casa abandonada depois da despedida. A partir daqui, tudo vem ao de cima, quando o jornalista tenta descobrir mais acerca do que viu.

Esta história leva-nos numa viagem incrível ao longo de três gerações, e revela-nos coisas inesperadas acerca da vida de cada personagem. No fim, juntando todas estas recordações dos velhos tempos, o grande segredo que as três idosas Peggy, Maggie e Li'l Bit escondem é finalmente descoberto. As três coisas que vos posso dizer acerca deste segredo horrível é que nada é o que parece, existem vários "inocentes" envolvidos nele e, depois de revelado, nada volta a ser como dantes.

O único defeito que realmente se destaca, para mim, tem apenas haver com a pontuação do livro, não conseguimos distinguir bem quando acaba uma recordação e recomeça o presente.
Foi um livro que adorei e que certamente recomendo a todos, principalmente, aos que gostam de um bom segredo.


Classificação: 9/10 - Excelente


(Finalmente consigo partilhar ideias com vocês! Estas tecnologias deixam-me de rastos! ;) )

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Monte dos Vendavais, Emily Brontë

Sinopse: O seu único romance, Wuthering Heights ( O Monte dos vendavais), publicado um ano antes da sua morte em 1848, com trinta anos de idade, permanece talve como a obra original mais intensa de língua inglesa. Nele relata Emily Brontë a saga da paixão desmedida entre Catherine Earnshaw e o rebelde Heathcliff, fazendo-o com tal verdade, imaginação e intensidade emocional, que uma simples historieta passada nos brejos de Yorkshire adquire a profundidade e a simplicidade da tragédia.

A minha opinião: Este é um clássico diferente. Esta obra destacou-se das outras por uma única razão. Esta história não é simplesmente uma história de amor não correspondido, de pais que proíbem as filhas de se casar com aqueles que amam etc. ect. O monte dos vendavais explora a própria natureza humana, e não apenas o seu lado bom. Um excelente enredo, com um leque diversificado de personagens, afectadas pelos malévolos planos de Heathcliff, uma personagem que eu achei muito bem conseguida, pois apesar de se mostrar como um demónio, é na verdade muito inteligente. Uma personagem que permitiu ao máximo a Emily Brontë explorar o lado obscuro da personalidade humana, sem a tornar demasiado irreal.

A história é nos contada por Nelly, a governanta do Monte dos Vendavais e da Granja dos Tordos, que é alugada pelo recém-chegado, Mr Lockwood. Para mim, ele foi como que a personificação dos leitores, pois “aterra” ali desconhecendo a obscura história do local e de quem o habita, mas com uma enorme curiosidade para a saber. Penso que escolher a governanta foi uma excelente escolha da parte de Emily Brontë para nos contar a história, pois apesar de não ser a personagem principal, tinha uma boa relação com todas elas, incluindo Heathcliff, e uma maneira de contar a história de que eu gostei bastante.

Tudo começa quando Mr.Earnshaw acolhe na sua casa um rapaz que encontrou em Liverpool. Este rapaz, Heathcliff, acaba por apaixonar-se por Catherine, a filha de Mr. Earnshaw. Mas esta não é simplesmente a história deles. É também a história daqueles que, de alguma forma, viram a sua vida mudada por causa da acção de Mr. Earnshaw, e muitos foram aqueles que sofreram pela mesma.

Este livro tem também uma particularidade muito interessante, que é o facto de transpor gerações. São retratadas três, a de Mr.Earnshaw, a da filha, Catherine Earnshaw e a da neta, Catherine Linton. Esta particularidade permite ao leitor ver o crescimento de cada personagem e perceber várias acções e características da mesma, além da influência que uma acção teve nas gerações futuras.

A minha edição era a original de Emily Brontë, no entanto incluía o prefácio da edição melhorada pela irmã, Charlotte Brontë. Esta edição melhorada consistia na correcção de erros de impressão da edição anterior, reorganização dos parágrafos, alteração da pontuação e às vezes do próprio texto. Pessoalmente, penso que se excedeu no último ponto. No que toca a pontuação e parágrafos, não achei, e apesar de não ser muito culta na área, que estivesse fora do normal, pois não foi uma leitura difícil nesse aspecto. No que tocou à escrita de Emily Brontë, gostei bastante, pois dava espaço para a imaginação ao mesmo tempo que descrevia bem os espaços.

Um excelente clássico da literatura, que aconselho vivamente a todos os que apreciam uma boa história.

Classificação: 9/10 - Excelente

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Frankenstein, de Mary Shelley

Sinopse: Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte.

Opinião
: Gostei muito de ler este livro. À semelhança do que aconteceu com Drácula, tinha outra ideia deste clássico, no entanto não me desiludi. A história é contada através das cartas que Walton manda à sua irmã. Nessas cartas lemos a história de Victor Frankenstein, e dentro dessa
narrativa, a história do monstro por ele criado.

Acho que o ponto forte deste livro é o facto de Shelley nos apresentar duas visões completamente diferentes - a do criador e a do monstro- que levam o próprio leitor a um dilema, ao dilema do criador.

Enquanto lia este livro, achei algo um pouco estranho, o facto de que o próprio terror do livro era subtil, mas não deixava de lá estar. Ao contrário de Dŕacula, o suspense não é forçado, e também não achei que tivesse muitos momentos de acção parada, o que é uma mais valia.

Não sei se todas as versões deste livro têm a razão pela qual Shelley decidiu escrever este livro, mas pelo sim pelo não deixo-a aqui.

Quatro amigos -Mary Shelley, Percy Shelley, Lorde Byron e John Polidori - decidiram escrever algo sobre fantasmas. Segundo o que escreveu numa das suas notas, ela não tinha ideia do que fazer, até que um dia, teve um sonho onde lhe aparecia o monstro hediondo. Dos quatro amigos, apenas ela publicou o que escreveu. Foi assim que Shelley conseguiu neste livro fazer algo completamente diferente, o que lhe valeu que Frankenstein seja ainda hoje um grande clássico.

Classificação: 9/10 - Excelente