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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quando Lisboa Tremeu, de Domingos Amaral

Sinopse: Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com a sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, uma ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do rei D.José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis. De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casas caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o Terreiro do Paço, e durante vários dias incêndios colossais vão aterrorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro, e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros. (retirado de http://www.leya.com/gca/?id=316)

A Minha Opinião: Quando Lisboa tremeu relata uma história que tem como cenário a catástrofe de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa. Dividido em 4 partes - Terra, Água, Fogo, Ar - o leitor vai acompanhando a destruição de Lisboa, primeiro pelo terramoto, mas seguidamente pelos tsunamis e incêndios.
Na capa, é nos dado a conhecer que o dia de todos os santos mudaria a vida de 5 pessoas para sempre. São elas o pirata, a irmã Margarida, o comerciante inglês Hugh Gold, Bernardino e o rapaz. A história de cada uma delas é-nos contada pelo pirata Santamaria e desde logo nos damos conta de que as suas histórias são bastante peculiares. A maneira com que Santamaria relata os acontecimentos, deixando algumas frases suspeitas sobre o que se passará no futuro, cria também algum suspense, o que, claro, contribui para que o leitor fique rapidamente preso à história.
Sem dúvida que os pontos positivos deste livro são estas personagens, bem desenvolvidas e tão diferentes entre si que, por um acaso do destino, se vão cruzando no meio da catástrofe que assolou Lisboa. Deixo também uma nota para o final, que não só foi comovente como também imprevisível.
No entanto, o livro peca na questão histórica. Pelo menos eu procurava um pouco mais de história neste livro. É sem dúvida muito engraçado ler algo que tem lugar numa cidade que me é muito familiar e conseguir imaginar os espaços como se fosse eu a percorrê-los, durante um acontecimento que me é também familiar, mas gostaria de ter retirado mais um pouco de informação do que a que retirei.
Talvez tivesse umas expectativas um pouco elevadas em relação a este livro, no entanto, não deixo de reconhecer que é uma leitura agradável, com capacidade para agarrar o leitor, e que dá uma boa visão sobre este acontecimento.
Classificação: 7/10 (Bom)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

As Virgens de Vivaldi, de Barbara Quick

Sinopse: As Virgens de Vivaldi traz-nos a Veneza barroca, esplendorosa e decadente de inícios de Setecentos, la Serenissima, num fresco luminoso e negro de uma sociedade marcada pela festividade exuberante do espírito carnavalesco e pelo peso castrador de uma mentalidade arreigadamente puritana. É a Veneza de Antonio Vivaldi, dos grandes génios e das obras-primas musicais, da riqueza cultural, das festas em opulentos ambientes palacianos, mas também do medo, da opressão, do Grande Inquisidor e de todos aqueles que a sociedade ostraciza. e é através do olhar de anna Maria - uma das jovens acolhidas pelo Ospedale della Pietá, virtuosa do violino e aluna predilecta do grande maestro Vivaldi - que podemos observar esse fresco, que ficamos a conhecer a sua fascinante história de vida, o quotidiano dentro das paredes do Ospedale, as intrigas da Veneza do século XVIII e um pouco do legado musical e da vida do próprio Vivaldi.

A minha opinião: As Virgens de Vivaldi conta-nos a história de Anna Maria dal Violin, a conhecida rapariga do Ospedalle della Pietá a quem o seu professor, Vivaldi, dedicou várias obras dado o seu virtuosismo ao tocar violino.

A nível histórico, este livro foi uma agradável surpresa, pois não conhecia o Ospedalle della Pietá, uma instituição que acolhia bebés enjeitados. Foi muito interessante ter uma ideia de como se organizava e o porquê do seu sucesso em criar jovens músicas, pois a maioria das figli di coro (raparigas que revelavam ter talento musical) permanecia lá toda a sua vida e não eram poucas as vezes que se apresentavam em concertos, visto pertencerem a uma escola de música bem famosa na altura, onde o Padre Vermelho foi professor. Curioso que Vivaldi não aparece como uma personagem muito central neste livro, ainda que, a meu ver, a autora conseguiu transmitir de forma subtil as características principais que lhe são atribuídas e alguns aspectos da sua biografia, como o caso da misteriosa cantora Anna Giraud. Parece de facto que Vivaldi, Anna Maria e la Serenissima revivem nas páginas deste livro.

A forma como o leitor conhece a historia de Anna Maria dal Violin é outro ponto positivo. Primeiro, temos as cartas que Anna Maria escreveu para a mãe enquanto jovem, com a esperança de que esta as lesse algum dia. Mas estas cartas relatam apenas um pouco da sua vida, pelo que são intercaladas pela voz de uma Anna Maria mais velha que revela o resto dos acontecimentos da sua juventude com outros olhos.

Ainda assim, houve algumas coisas que me decepcionaram neste livro. A maior preocupação de Anna Maria era encontrar a sua mãe e muita da acção do livro desenrola-se à volta dessa demanda. Mesmo para leitores pouco perspicazes, parece-me que, salvo algumas reviravoltas, tudo é bastante previsível. Acima de tudo, não foi um livro memorável. Apesar de uma escrita floreada e bastante agradável de se ler, não conseguiu, infelizmente, estabelecer comigo uma grande ligação.

Classificação: 6/10 (Bom, mas deixa a desejar)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os Pilares da Terra - Volume 2, de Ken Follett

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1989, Os Pilares da Terra surpreendeu o universo editorial ao tornar-se gradual mas inabalavelmente um clássico da ficção histórica, que continua a maravilhar leitores de todo o mundo e que a Presença lança agora em dois volumes. Na Inglaterra do século XII, com a guerra civil como pano de fundo, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso - construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história - Ellen, uma mulher enigmática que vive à margem da sociedade e cujo passado esconde um segredo, Philip, prior da cidade de Kingsbridge, que vai supervisionar a construção da catedral, Aliena e Richard, ricos herdeiros destituídos das suas terras e títulos, William, o cavaleiro sem escrúpulos, e Waleran, o bispo disposto a tudo para obter o que pretende. À medida que assistimos à edificação de uma obra única envolvendo suspense, corrupção, ambição e romance, a atmosfera autêntica do quotidiano da Europa medieval em toda a sua grandeza absorve-nos irremediavelmente, ousando desafiar os limites da nossa imaginação. Recriação magistral de um tempo de conspirações, delicados equilíbrios de poder e violência, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A minha opinião: Assim que acabei de ler o volume 1, comecei logo a ler este, visto que estava já demasiado embalada na história para deixar o livro original a meio. Curiosamente, apesar de ter gostado bastante do primeiro volume, este prendeu-me ainda mais, tanto que dei por mim a ver os números das páginas a voar de tão embenhada que estava na história. Na verdade, apesar do livro ter, no total, mais de 1000 páginas, não me lembro de ter havido algum momento em que não tivesse vontade de continuar e descobrir o que me esperava na página seguinte, pois tem todos os ingredientes que cativam o leitor - bastante acção, algum romance, suspense e uma época histórica interessante - e cada acontecimento era descrito com a dose certa.

A minha expectativa em relação ao rumo das personagens foi plenamente correspondida e algo de que gostei muito ao longo deste volume foi ver um grande desenvolvimento das mesmas e constatar que Ken Follett criou personagens muito ricas e credíveis, que não se limitam a corresponder a um estereótipo de cruéis ou de boazinhas. Ao acompanharmos as personagens quase durante a sua vida inteira, podemos ver que as personagens mais boas também têm as suas imperfeições e que as mais cruéis, apesar de tudo, não são desprovidas de coração, pois em cada mini-capítulo, podiamos ver os acontecimentos do prisma de uma personagem, conhecendo os seus planos e pensamentos. Assim, não foram poucas as vezes em que me surpreendi com algumas delas.

Jack, por exemplo, foi uma das personagens que mais gostei e que me foi conquistando à medida que crescia. Se por um lado, enquanto jovem era um bocado estranho, enquanto adulto foi uma surpresa. A sua busca ousada e incansável pela verdade sobre o seu pai, a sua inteligência, determinação e criatividade que o permitiram contruir a catedral dos seus sonhos foram algo que admirei muito nesta personagem. Quando descobriu a solução para o problema das fendas causadas pelo vento mais forte nas partes mais elevadas da catedral, que nada mais eram que os arcobotantes, fiquei extremamente impressionada, pois estes eram utilizados antes, na arquitectura românica, mas não estavam à vista. Uma ideia tão inovadora só poderia vir de uma mente brilhante.

Aliena foi também uma personagem de que gostei bastante. Determinada e perspicaz, mostra-nos que apesar das dificuldades da vida, é possível resistir e ser bem sucedido.

Tom, o pedreiro foi uma das personagens por quem tive um carinho especial. Foi o seu sonho de constuir uma catedral que basicamente deu origem a esta história. Graças à sua paixão pela construção, passa também a mensagem de que a persecução dos nossos sonhos é algo essencial e talvez não tão irreal como os outros e nós podemos pensar.

Por fim, Philip. Uma personagem esplêndida. Perseverante é certamente a palavra que o descreve. Desde o início nos apercebemos de que não é um monge qualquer, é alguém capaz de fazer a diferença, devoto de verdade e que se preocupa muito com os meios para atingir os fins. O seu bom coração parece que não vale de muito, quando o seu esforço para recuperar Kingsbridge é continuamente ameaçado por algum plano de Waleran e William. Porém, Philip consegue sempre levantar-se do chão e ser até ajudado pelos seus inimigos. Uma personagem memorável. O mal triunfa sempre que os bons homens não fazem nada. Neste caso, Philip não deixa que isso aconteça.

Como a acção decorre num espaço temporal largo (cerca de 50 anos), não só podemos acompanhar uma grande parte da vida de todas as personagens, como também podemos vê-las em diferentes condições, quando estão no auge ou na miséria, quando têm tudo, e quando não têm nada. Porque se há algo que este livro tem de muito bom, é o facto de que retrata perfeitamente o instável contexto político e social da Idade Média e, portanto, as batalhas, as alianças, traições, violência, conspirações e a ambição desmedida de várias personagens que têm lugar na época medieval, e principalmente num tempo de guerra civil.

Como romance histórico, gostei bastante do facto de ser bastante detalhado na descrição da sociedade medieval, ao nível da sua organização, dos grupos sociais, das cidades, da política e da importância do Clero, que muitas vezes, não servia os interesses de Deus, mas os seus. Foi também muito interessante ver a importância que a existência de uma catedral tinha na vida dos habitantes da cidade.

Após ler Os Pilares da Terra, nunca mais poderei olhar as catedrais da mesma maneira. Neste livro, a paixão de Tom e Jack (e do autor, por detrás) que se vê nas descrições sobre o projecto e nas ideias que tinham, leva também o leitor a ver as catedrais não só como algo imponente, mas com um trabalho enorme ao nível de proporções, medidas, técnicas que está na base da sua construção. É muito curiosa também a passagem do estilo romântico de Tom para o gótico de Jack, a surpresa e admiração das pessoas ao ver a verticalidade e luminosidade das catedrais góticas que era algo completamente novo para elas. Nunca tinha realmente pensado nestas questões antes, mas este livro reavivou-me a admiração que tenho pela arte, tanto que enquanto o lia, ia sempre consultando um manual de história da arte e vendo as catedrais e técnicas que era faladas.

Após escrever tanto sobre este livro, é quase como se o final tivesse vindo cedo demais. Não me importaria de ler mais umas páginas deste magnífico livro, que contém mensagens belíssimas, personagens que dificilmente vou esquecer e uma história que não me decepcionou de qualquer forma.

Classificação: 9/10 (Excelente)

P.S - Um obrigada a uma pessoa muito simpática, que me emprestou o primeiro volume e deu o empurrão para que este livro passasse à frente dos outros da minha interminável lista :)

(A minha opinião sobe o volume 1)

domingo, 17 de julho de 2011

Os Pilares da Terra , de Ken Follett - Volume I

Sinopse: Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história. Recheado de suspense, corrupção, ambição e romance, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A minha opinião: Visto que este livro é apenas metade do livro original, não me vou alongar muito na opinião, mas sim deixar algumas impressões.

É óbvio que já estava à espera de um grande livro, tendo em conta que apenas li críticas fantásticas sobre o mesmo. Porém não me lembrava já sobre o que se tratava e, portanto, foi uma grande surpresa começar a lê-lo e deparar-me com uma história completamente diferente de tudo o que li até à data.

A acção do livro decorre na época medieval, em Inglaterra. Apesar de não ser uma grande fã desta época, estou a gostar bastante desta história, em parte por causa das personagens. O contexto medieval encontra-se completamente representado por personagens credíveis e que ainda terão muito para dizer. Representando o clero, temos por um lado um bispo corrupto, Waleran, e por outro Philip, um monge com um bom coração e uma perseverança espantosa. A nobreza, também com dois lados, é representada por um por William, um homem sem escrúpulos, a meu ver repugnante, que apenas se interessa por terras e títulos e por outro por Aliena e Richard que são obrigados a lutar para recuperar o estatuto que perderam. Por fim, a família de Tom, o pedreiro que tem como sonho construir uma catedral, representa o povo, que humildemente luta pela sobrevivência.

No início, as histórias de cada personagem são apresentadas separadamente, porém rapidamente se interligam. Nada acontece por acaso e assim que nos damos conta, já todas as personagens se conhecem e contribuem para a criação de uma atmosfera tensa, onde as acções de uma personagem influenciam a vida das outras. Como pano de fundo ou elemento central - ainda não me decidi bem - está a construção da catedral de Kingsbridge. Caracterizo-a com uma certa ambiguidade, pois houve momentos em que era claramente uma protagonista, porque foi ela que serviu como elo de ligação entre as personagens todas. Porém, a partir de certa altura, esta parece deixar de ter tanta importância, ficando como algo que vai sendo construído lentamente. É quase como um elemento que se vai manifestando, nuns momentos mais, noutros menos.

Ainda está tudo muito em aberto, mas estou muito curiosa em relação à história de Ellen e ao rumo que este grande livro (penso que o posso dizer já) vai tomar.

(A minha opinião sobre o volume 2 d' Os Pilares da Terra, pode ser consultada aqui)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

El Tiempo entre Costuras (O Tempo entre Costuras), de María Dueñas

Sinopse: «O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.


A Minha Opinião: Quando me encontrava numa fnac madrilena, o único que procurava era um livro em Espanhol para oferecer à minha mãe que eu gostasse de ler quando ela o acabasse.

A escolha d' El Tiempo entre Costuras não poderia ter sido a mais certa. Apesar de estar um pouco receosa pelo marketing envolvido, após lê-lo concordo que o livro é sem dúvida é merecedor de tal destaque.

El Tiempo entre Costuras apresenta-nos uma história interessantíssima contada em 1ªpessoa por Sira Quiroga, uma jovem madrilena da primeira metade do século XX que desde cedo apresenta um talento para a costura e cuja vida é repleta de personagens autênticas, lugares tão próximos e ao mesmo tempo tão longínquos e experiências que nos agarram desde a primeira frase: "Una máquina de escribir reventó mi destino".

Muitas vezes faço a comparação da leitura de alguns livros com um rio e este é um excelente exemplo disso. Desde o início até ao final vamos embalados pela corrente, pelo que até nem precisamos de nos surpreender a cada minuto, pois os pormenores mais quotidianos do dia-a-dia da protagonista satisfazem-nos plenamente. É claro que uma escrita fluída ajuda, como é o caso da de María Dueñas, mas o enredo é também ele muitíssimo agradável de seguir. A dinâmica do livro é maravilhosa e as personagens simplesmente magníficas. É curioso como todas têm um papel tão importante e são uma presença tão sólida na vida de Sira e depois lentamente ou de repente o seu caminho separa-se do da protagonista para nunca ou mais tarde se reencontrarem. Tão parecido com o decorrer de uma vida, que é impossível não encontrar nestas personagens semelhanças a pessoas que conhecemos ou até connosco próprios.

Os acontecimentos que acompanhamos são igualmente fantásticos. Como referi, não são sempre algo absolutamente surpreendente - muitas coisas na vida não o são - mas as experiências de Sira são tão variadas e extremamente viciantes o que nos deixa ansiosamente à espera de pegar no livro de novo para ler só mais um bocadinho.

A nível de romance este livro já tem tanto. A nível de romance histórico ultrapassou qualquer expectativa que tinha. As descrições do protectorado espanhol são de puro deleite, a realidade de um Madrid destruído pela guerra parece demasiado real. À medida que avançamos na história seguimos Sira de Madrid a Tetuán a Tanger ou Lisboa e vê-la de forma tão vívida a percorrer as suas ruas faz-nos difícil não imaginar quase com exactidão aquele cenário.

Apesar de alguma parte da sua vida ser passada com a Guerra Civil Espanhola esta não é o ponto fulcral deste livro, no entanto são-nos dados a conhecer vários aspectos da guerra e principalmente dos anos seguintes ( a influência britânica por um lado e a germânica por outro) que eu desconhecia por completo.

Confesso, no entanto, que fiquei um pouco desiludida com o final. Para um grande livro queria um final que o correspondesse, mas não foi essa a sensação com que fiquei quando o acabei. Ainda assim, o final não retirou o prazer que tive ao ler este livro, ainda que um bolo delicioso mereceria no topo uma cereja um pouco maior.

A minha mãe e eu aconselhamos vivamente.

Classificação : 9/10 - Excelente

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Duas Irmãs, Um Rei, de Philippa Gregory

Sinopse: Duas Irmãs, Um Rei apresenta uma mulher com uma determinação e um desejo extraordinários que viveu no coração da corte mais excitante e gloriosa da Europa e que sobreviveu ao seguir o seu próprio coração. Quando Maria Bolena, uma rapariga inocente de catorze anos, vai para a corte, chama a atenção de Henrique VIII. Deslumbrada com o rei, Maria Bolena apaixona-se por ele e pelo seu papel crescente como rainha não oficial. Contudo, rapidamente se apercebe de que não passa de um peão nas jogadas ambiciosas da sua própria família. À medida que o interesse do rei começa a desvanecer-se, ela vê-se forçada a afastar-se e dar lugar à sua melhor amiga e rival: a sua irmã, Ana. Então Maria sabe que tem de desafiar a sua família e o seu rei, e abraçar o seu destino. Uma história rica e cativante de amor, sexo, ambição e intriga.

A Minha Opinião:
As expectativas para este livro eram bastante elevadas, não só por ter gostado muito de Catarina de Aragão, A Princesa Determinada como também por ter adorado o filme quando o vi. Em Duas Irmãs, Um Rei, acompanhamos o caso das irmãs Bolena. Por um lado, Maria, a mais nova, uma alma generosa e obediente que se envolve com o rei por ser obrigada pela sua família e por outro, Ana, a mais velha, uma rapariga ambiciosa que não olha a meios para atingir os seus fins e que, por astúcia, acabará por casar com Henrique VIII. Gostei bastante de como Philippa Gregory retratou o percurso de vida de Ana Bolena e a sua influência no processo de distanciamento da Inglaterra da Igreja.

Como o título original (The Other Boleyn Girl) indica, a história é-nos contada não por Ana Bolena, como seria de esperar, mas pela outra rapariga Bolena, Maria, sua irmã. Achei uma ideia muito original por parte da autora, pois quando se fala desta altura fala-se principalmente de Ana Bolena.


Philippa Gregory é, de facto, talhada para escrever romances históricos. Por muito que sejamos conhecedores da época e dos acontecimentos relatados, a autora consegue dar-nos diferentes perspectivas dos mesmos, o que faz com que tenhamos uma ideia mais exacta/menos parcial daquilo que aconteceu e, ao fazê-lo, consegue agarrar-nos ao livro de uma maneira excelente.
Um excelente incentivo para continuar a ler a série de livros que tem sobre os Tudor.

Pelos dois livros que li dela, nota-se que nos dá uma perspectiva bem feminina dos acontecimentos relatados e estas têm personalidades fortes. Não sei se isto acontece na maioria dos seus livros, mas é algo que eu valorizo muito, pois dá-me assim a possibilidade de encarnar a personagem de uma forma quase real.


Ainda que, obviamente, o livro tenha um rigoroso fundo histórico, a autora conjuga os acontecimentos históricos com pormenores da sua autoria de uma forma perfeitamente credível, o que resulta numa história muito interessante.


Apesar das suas 600 páginas, este livro lê-se num instante para todos aqueles que, como eu, queiram mergulhar no mundo de Henrique VIII, percorrer os aposentos reais e ficar surpreendidos com tudo o que por lá poderá ter acontecido. A partir do momento em que estamos imersos no seu mundo, é difícil abandoná-lo.


Classificação: 9/10 - Excelente

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Catarina de Aragão - A Princesa Determinada, de Philippa Gregory

Sinopse: Catarina de Aragão nasce Catarina, Infanta da Espanha, de pais que eram reis e cruzados. Aos três anos, foi prometida ao príncipe Artur, filho herdeiro de Henrique VII de Inglaterra, e é educada para ser Princesa de Gales. Sabe que o seu destino é reinar sobre aquela terra distante, húmida e fria. A sua fé é posta à prova quando o futuro sogro a recebe no seu novo país com uma grande afronta; Artur parece ser pouco mais do que uma criança; a comida é estranha e os costumes vulgares. Lentamente, adapta-se à sua primeira corte Tudor, e a vida como mulher de Artur vai-se tornando mais suportável. Inesperadamente, neste casamento arranjado começa a nascer um amor terno e apaixonado. Mas, quando o jovem Artur morre, ela tem que construir o seu próprio futuro: como pode ser agora Rainha da Inglaterra e fundar uma dinastia? Só casando com o irmão mais novo de Artur, o alegre, mas mimado, Henrique. O pai e a avó de Henrique são contra; os poderosos progenitores de Catarina revelam-se de pouca utilidade. No entanto, Catarina é filha de sua mãe e o espírito lutador é indomável. Fará qualquer coisa para alcançar o seu objectivo; mesmo que tal implique contar a maior das mentiras, e mantê-la.

A Minha opinião: Escusado será dizer que as opiniões sobre os livros desta autora são mais do que boas e que eu, uma incondicional fã de história, estaria mais do que curiosa para ler os mesmos. A conselho da Papillon, decidi visitar os Tudors e mal posso esperar por regressar.

A figura central deste livro é Catarina de Aragão, a filha mais nova dos reis Católicos. A sua vida é-nos contada maravilhosamente por Philippa Gregory. Vemos primeiro Catarina como a Infanta de Espanha, de seguida, a sua vida quando chega a Inglaterra, os seus esforços para adaptar-se, o seu casamento, a sua viuvez, a ambição para alcançar o trono ao qual estava destinada e finalmente, quando se torna Catarina de Aragão, Rainha de Inglaterra. Acompanhamos assim o seu crescimento enquanto pessoa e as suas facetas de estrangeira, mulher e finalmente, governante.


Alternando entre um narrador ausente e um presente, temos a oportunidade de ver os acontecimentos tal como se passaram, mas também tudo aquilo que Catarina poderia ter pensado ou sentido quando estes tiveram lugar. Desta forma, tal como foi Catarina, somos surpreendidos por algumas acções de certas personagens, enquanto ficamos desiludidos com outras, pois estamos de tal forma absorvidos no desenrolar dos acontecimentos, que pensamos com ela.
Philippa Gregory consegue assim transportar-nos perfeitamente para o cenário da época.

A meu ver, o livro só peca no final. Após termos seguido toda a vida de Catarina com tanto pormenor, fiquei com pena que não a tenhamos seguido até ao seu fim. No entanto, este é o único defeito que posso apontar.
Mais uma vez, é muito interessante perceber que, ainda que na sombra, grandes mulheres conseguiram muito mais do que lhes seria, à partida, permitido. Catarina de Aragão fez justiça ao seu nome, como filha de uma das mais importantes mulheres do seu tempo, Isabel, a Católica.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

domingo, 23 de maio de 2010

As Memórias de Cleópatra, de Margaret George - Volume III

Sinopse: Neste volume final, Cleópatra conclui as suas memórias, Num esforço heróico para manter o seu amor e o seu império intacto, Marco António e Cleópatra levantam um exército e uma marinha de proporções imensas contra o inimigo romano, Octávio, que se tornou conhecido como Augusto César. Depois da crítica batalha de Áccio e da derrota humilhante, regressam os dois ao Egipto. Cleópatra planeia a sua própria morte, para não ser carregada em triunfo, como prisioneira, pelas ruas de Roma. Com a morte de Cleópatra, encerra-se no Egipto a dinastia dos Ptolomeu e o país passa a integrar o Império Romano. (Nota da editora)

A Minha Opinião: Cleópatra. Um nome imponente, não acham? E não é por acaso que é Cleópatra VII a mais célebre de todas as Cleópatras.

Após ler a última parte da sua vida contada numa versão dela - e não histórias deturpadas por simpatizantes de César Augusto - a admiração que sentia pela sua coragem, a sua astuta maneira de governar tiveram ainda mais valor ao conhecer as escolhas que teve que fazer como mãe, esposa, mulher. E por isso, os meus parabéns à autora. Os quatro anos em que andou a pesquisar sobre esta personagem resultaram numa excelente obra, que foi um relato bastante fiel - é claro, que dentro do possível - do que Cleópatra escreveria se sentisse a necessidade de relatar o que fora a sua vida.

Sendo este um livro único , mas dividido em três volumes, as minhas impressões ao longo do livro foram na maioria escritas nas opiniões anteriores. No entanto, neste terceiro volume dei-me conta de um aspecto muito bom da escrita desta autora, que poderá ser uma das razões pelo sucesso dos seus romances históricos: o facto de descrever o quotidiano das personagens tão bem, o que aliado a uma informação bem documentada, proporcionam ao leitor uma viagem àquele tempo para conhecer desde o ínfimo pormenor da vida retratada à mentalidade da época, desde o quotidiano da mesma aos acontecimentos mais que documentados na história. Este livro é, portanto, um excelente meio para conhecer os mesmos, através de uma vida impressionante.

É por isso que após a leitura das Memórias de Cleópatra - que, aproveito para dizer, tem um título que se ajusta perfeitamente ao que acabei de ler, pois parece mesmo que era Cleópatra a relatar as suas vivências e pensamentos - sinto que tive a oportunidade de ver e compreender em primeira mão muitos dos aspectos da vida de Cleópatra, o que me leva a afirmar que mais do que uma grande governante, ela era uma mulher muito avançada para o seu tempo.

Classificação: 8/10 - Muito Bom


Volume 1 (A Filha de Ísis)/ Volume 2 (O Signo de Afrodite) / Volume 3 (O Beijo da Serpente)

domingo, 2 de maio de 2010

As Memórias de Cleópatra, de Margaret George - Volume II

Sinopse: Entre no reino mais esplendoroso da História. Conheça a rainha mais poderosa da Antiguidade. Viva a história mais fascinante de sempre. A autora do best-seller mundial A Paixão de Maria Madalena está de volta com o segundo volume de um convite irrecusável: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo.

Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. Mas, mais do que uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, As Memórias de Cleópatra são uma grande historia de amor.

Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando história, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.


A minha opinião: Depois de um começo tão promissor, as expectativas para o segundo volume eram mais do que elevadas.

Nesta segunda parte, acompanhamos essencialmente o romance entre Marco António e Cleópatra, após o assassinato de César.

Como acontecera no volume anterior, muitos dos acontecimentos narrados eram já do meu conhecimento, sendo que às vezes é como se já tivesse lido o livro e o estivesse a reler para encontrar pormenores. No entanto, nem por um momento o livro se torna entediante. É mesmo muito interessante ver alguns pormenores, associando determinadas acções a futuras decisões no futuro.

Outro ponto forte desta segunda parte é o facto de tratar de um tema do meu interesse. Sem dúvida que estava muito curiosa para saber como Margaret George iria relatar a relação entre Cleópatra e Marco António, e não me desiludi. A autora consegue mesmo transmitir aquilo que a personagem (Cleópatra) sente, deixar-nos na expectativa, ainda que já saibamos o desfecho. Conseguiu, com sucesso, descrever este magnífico, polémico, maravilhoso romance, que inspirou muitas obras literárias, como a escrita por Shakespeare. Sem dúvida, uma história que merece ser lida.

Estou de tal modo entusiasmada que já fui requisitar o último livro, que pela parte da vida de Cleópatra relatada, me desperta muita curiosidade!

Classificação: 8/10 - Muito Bom


Volume 1 (A Filha de Ísis)/ Volume 2 (O Signo de Afrodite) / Volume 3 (O Beijo da Serpente)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

As Memórias de Cleópatra, de Margaret George - Volume I

Sinopse: A autora do best-seller mundial A Paixão de Maria Madalena está de volta com um convite irrecusável: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo. Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma. Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando História, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

A minha opinião: O Egipto fascina-me desde pequena e Cleópatra - uma das personagens mais conhecidas deste país, se não mesmo a mais conhecida - foi uma rainha que sempre me inspirou muita admiração, por se ter destacado num mundo de homens.

Desta maneira, parti com grandes expectativas em relação a esta obra e não me desiludi. Desde já, a escrita de Margaret George é excelente. Ao ler este livro, as descrições das cidades; do fórum e dos divertimentos romanos; das paisagens naturais etc. faziam com que tudo parecesse completamente real. Como se tivéssemos sido nós a ver um dos Triunfos, a ouvir as liras, a inspirar um perfume longínquo vindo do Oriente, a falar com César, a ser uma estrangeira em Roma. Gostei muito desse aspecto da escrita dela, que consegue descrever tudo de forma pormenorizada, sem, no entanto, levar à exaustão. Pegando numa frase do Memphis Commercial Appeal - "A escrita talentosa de Margaret George consegue apelar-nos aos cinco sentidos." E eu não podia concordar mais.

Ainda que soubesse de antemão muitos dos acontecimentos históricos narrados, a autora conseguiu prender-me, fazendo-me descobrir muitos pormenores sobre os referidos acontecimentos, perceber a mentalidade da época e surpreender-me com estas personagens históricas.

Como referido pela Entertainment Weekly é "como se os frescos egípcios ganhassem vida". Só tenho a acrescentar que não são apenas os frescos egípcios. É como se todas as personagens históricas que tão bem conhecemos, como César, Marco António, Cícero, Pompeu e claro, Cleópatra, ganhassem vida e fossem recontá-la a quem não pôde ver o seu esplendor. Uma autêntica viagem por este interessantíssimo período da história.

Não li os restantes livros, mas prevejo que não me vão desiludir.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

Volume 1 (A Filha de Ísis) / Volume 2 (O Signo de Afrodite)/ Volume 3 (O Beijo da Serpente)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As Mulheres de Mozart, de Stephanie Cowell

Sinopse: As Mulheres de Mozart é um romance histórico que entretece com magnificência e sensibilidade factos e ficção. Habita nele a mesma grandiosidade que anima as óperas do compositor, como se o próprio génio de Mozart o tivesse orquestrado, impregnando-o do seu espírito vivo e apaixonado. No ano de 1777, Mozart chega a Mannheim, e, poucos dias depois, é convidado para um serão musical em casa da família Weber. É nessa noite que Mozart, com apenas vinte e um anos, conhece as quatro mulheres que virão a cativar o seu coração e a inspirar a sua música. Muito diferentes entre si, Josefa, Aloysia, Constanze e Sophie fundem-se numa única sensação difusa de juventude e sensualidade. Musas, confidentes, amadas, estas quatro figuras femininas vão reflectir-se nas heroínas das óperas de Mozart, elas serão, para sempre, as mulheres que ele amou e que o amaram. Uma obra de rara beleza, que se eleva às mais altas esferas da criação literária para fazer reviver, através do olhar das irmãs Weber, o génio sublime e intemporal de Mozart.

A minha opinião: Comecei a ler este livro com uma grande expectativa, porque sou uma autêntica admiradora, não só de música clássica, mas também da magnífica vida e obra de Mozart. Penso que foi exactamente por isso que não o pude apreciar totalmente.

O livro tem um excelente começo. São nos apresentadas quatro irmãs, as Weber, que terão uma enorme influência na vida de Mozart. A história é nos contada pela irmã mais nova, Sophie, na sua conversa com um investigador que procura informações sobre a vida do compositor.

O livro é em si, agradável de ler. No entanto, e apesar de ser mostrada ao leitor uma nova faceta de Mozart, senti que muitas vezes ele ficava para segundo plano, o que era desmotivante para aqueles que queriam saber mais sobre o compositor. Isto não invalida o facto do romance, contexto histórico e a escrita não serem cativantes, pois até o são. Simplesmente não correspondeu áquilo que eu esperava do livro.

O livro proporciona boas horas de leitura. É muito interessante conhecer a vida das irmãs que foram fonte de inspiração para Mozart em inúmeras obras. Foi, de facto, bastante agradável de ler e introduzia o leitor no contexto da época e na dura vida que em especial os músicos levavam.

Penso que é um livro interessante para aqueles que querem conhecer outra faceta de Mozart, uma mais humana, de uma excelente forma.

Classificação:
6/10 - Bom,mas deixa a desejar

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Remédio, de Michelle Lovric

Sinopse: Numa noite inesquecível de 1785, a alquimia do amor e do crime, funde as vidas de uma actriz de Veneza e do rei do crime londrino.

Numa noite inesquecível de 1785, num famoso teatro londrino, a alquimia do amor e da morte funde subitamente as vidas de uma actriz veneziana e de um aristocrata inglês. Mas nenhum deles é quem aparenta ser. Ela é uma espia ao serviço de Veneza, ele, o maior charlatão de Londres. Segredos perigosos e mentiras elaboradas cedo empurram os dois amantes em direcções opostas, desesperados em saber a verdade um sobre o outro, mas também sobre si próprios. É um tempo de remédios fabulosos - excremento de pavão e pó de ouro são considerados tão eficazes quanto serpentes esmagadas - e os amantes procuram um bálsamo para aplacar todas as doenças, todas as feridas do amor. A sua busca leva-os das ruelas mais obscuras de Londres à enigmática Veneza. Uma dança entre teatros e bordéis, boticários e conventos, onde o par pode ser um fidalgo, um espião ou um assassino.

A minha opinião: A história ora acompanha o lado da vida da actriz, ora a do contrabandista. Esse aspecto tornava a narrativa muito interessante, pois permitia, além de compreendermos melhor as duas personagens, irmos sabendo os segredos de cada uma. No entanto, penso que não foi bem trabalhado, pois a nível de ritmo, este era muito inconstante. Além disso, os lados negros das duas cidades não foram bem explorados. Foi uma grande desilusão, pois deparei-me com uma descrição suave demais.

Ao contrário daquilo que me disseram, eu gostei do início. Para já, a escrita da autora é bastante fluída e rica, o que torna a história um pouco mais interessante. Além disso, as descrições das duas cidades, Londres e Veneza, são também bastante boas, pois apesar de não descrever até à exaustão, dá nos uma ideia clara do lugar onde nos encontramos.

O grande senão é mesmo o argumento, digamos assim. A autora retardou um final previsível que eu tinha percebido no início, e havia muitas partes sem qualquer interesse para a história. A meu ver, poderia ter explorado muito mais a parte histórica e não se ter deixado ficar pelo romance essencialmente. Este foi um dos aspectos que me levou a ter uma opinião menos agradável sobre este livro, pois estava à espera de uma maior descrição histórica. No entanto, é de referir que é bastante positivo haver uma nota histórica no final, de modo a que uma pessoa fique elucidada sobre a veracidade de alguns aspectos retratados no livro.

Sinceramente, pensei que esta história tinha muito mais potencial do que a autora desenvolveu. Ainda esperei por uma reviravolta, pois me disseram que o livro ia melhorar lá para o final, mas foi muito desmotivante ler o que já tinha percebido 200 páginas atrás...

Penso que escolhi o livro errado de Michelle Lovric e porque realmente gostei da escrita da autora e da (pequena) parte histórica que retratou, dar-lhe-ei mais uma oportunidade e lerei O Carnaval em Veneza.

Classificação: 5/10 - Razoável

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O Nascimento de Vénus, de Sarah Dunant

Sinopse: Desnudo o corpo da irmã Lucrezia, as freiras observam a estranha tatuagem em forma de serpente que percorre o seu ventre. Lucrezia um dia fora conhecida por Alessandra. Jovem e inteligente, ela vivera o esplendor e luxo dos Médicis em pleno Renascimento. Como fora ela parar àquele convento? O que significaria aquela tatuagem no seu corpo? De que morrera, afinal? O Nascimento de Vénus é um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar a detalhe e minúcia a arte, a riqueza e a podridão de Florença.


A minha opinião: É um livro fascinante, em que o mistério nunca acaba.

Alessandra é uma jovem italiana, em pleno Renascimento, que nutre um prazer incrível pela pintura. Ela tem o toque, a sensibilidade e a cultura de um artista, mas algo a impede de ser livre e de se dedicar inteiramente à sua paixão. Ser mulher. Com a chegada de um misterioso pintor, a sua casa, Alessandra atravessa a barreira do proíbido, e envolve-se numa frenética paixão.

Porém, as suas obrigações como futura e boa esposa continuam, acabando Alessandra por ter o mesmo destino que todas as mulheres. O casamento. Como acaba, Alessandra, a sua vida num convento? Qual será o significado da estranha tatuagem que lhe envolve o corpo? Isso terão vocês que descobrir. Com um final emocionante, esta é uma apaixonante aventura, recheada de mistérios e sedução que nos envolve, desde o início até ao fim.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

domingo, 21 de junho de 2009

A Escrava de Córdova, de Alberto Santos

Sinopse:A Escrava de Córdova segue a vida de Ouroana, uma jovem cristã em demanda pela liberdade e pelo seu lugar especial no mundo. Uma história inolvidável de busca de felicidade que tem lugar nos séculos X-XI, numa época pouco tratada pela Historiografia oficial e mesmo pela ficção romanceada. Um pretexto para uma brilhante explicação sobre o caldo cultural e civilizacional celto-muçulmano dos actuais povos peninsulares e uma profunda explanação sobre as origens, fundamentos e consequências da conflituosidade étnico-religiosa que hoje, tal como no distante ano 1000, ainda grassa no mundo.

A minha opinião:
A Escrava de Córdova é um livro bem interessante. Para além de relatar uma época pouco retratada neste estilo literário, é também passada na nossa península, o que me permitiu completar algo do meu conhecimento.

A narrativa fala sobre uma princesa cristã, Ouroana, que é feita prisioneira por um grupo e que a vende como escrava em Córdova. É la que conhece o filho do casal, Abdus, pelo qual se apaixona. Através da vida de Ouroana e de todos aqueles com quem teve contacto, podemos ver o lado cristão e o lado árabe na mesma época, pelo tempo que ela passa nos dois locais. Gostei muito de notar as suas diferenças e como as três religiões co-habitavam. Envolvi-me completamente no contexto e foi cativante acompanhar a narrativa. Na minha opinião, os aspectos do quotidiano, em particular do árabe, foram bem descritos e eu, que pessoalmente não sou fã de descrições demasiado longas, gostei da escrita deste autor. Fico à espera do seu novo livro.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A Paixão de Artemísia, de Susan Vreeland

Sinopse: No século XVI o mundo era dos homens. Então apareceu uma mulher que ousou desafiar as leis, a sociedade, as artes... e o mundo nunca mais foi o mesmo. Esta é a história verdadeira de Artemísia, a primeira mulher a ser aceite na prestigiada Academia de Artes de Florença. Cruzando-se com Galileu e ganhando o patronato dos Medici, Artemísia faz explodir o seu génio no auge do Renascimento e, ao recusar-se a ser menos do que os homens, torna-se numa heroína intemporal.

A minha opinião: Não costumo ler as sinopses de livros que me emprestam, simplesmente confio que se me os recomendam, são bons. No entanto, neste livro até a sinopse me cativou. Não conhecia a vida da pintora que inspirou este livro, e isso foi uma das mais-valias quando o li. Apesar das grandes descrições sobre pintura que são feitas, confesso que gostei bastante de ver a perspectiva (tão artística) desta pintora, bem diferente do que costumo ler e também de conhecer as dificuldades por que esta pintora passou. Penso que é por isso que o verdadeiro ponto forte deste livro é a personagem feminina que tem, Artemísia. Pessoalmente, gostei de todo o contexto histórico, pois é passado no Renascimento e em várias cidades de Itália, ambas coisas de que gosto muito. Recomendo vivamente a todos os que, como eu, apreciam um romance histórico desta época.