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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os Jogos da Fome (Volume I), de Suzanne Collins

http://www.presenca.pt/livro/ficcao-e-literatura/romance-fantastico/os-jogos-da-fome/
Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espetáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um ato de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

A minha opinião: Confesso que quando estava, de facto, na moda ler os livros desta trilogia, esta me passou um pouco ao lado. A principal razão devia-se à impressão que tinha de esta ser uma leitura demasiado comercial, como acontece vulgarmente com os fenómenos literários.

É fácil perceber porque os jogos da fome têm um sucesso tão grande. A leitura é extremamente viciante, tem personagens carismáticas e o universo distópico apresentado é ainda mais interessante. Não sei até que ponto será inovador no género, porque não sou leitora assídua de livros de ficção científica, mas o conceito agradou-me bastante. 

Até porque se, numa primeira leitura, o livro parece ser apenas um grupo de crianças a lutar pela sobrevivência, vivendo o leitor a adrenalina de descobrir o vencedor, num ponto de vista mais aprofundado, o contexto social e político apresentado é também ele digno de nota. À maioria dos leitores mais jovens a adrenalina e a luta pela sobrevivência poderão eclipsar algumas conversas e acções que são muito mais do que aparentam. Não sei como a autora irá desenvolver este tópico político/social, mas estou desejosa de ler o segundo livro o quanto antes.

Do meu ponto de vista, mesmo tendo em conta o público-alvo dos livros, sinto que as personagens poderiam ser melhores construídas, pois a sua linearidade contribui para alguma previsibilidade na leitura, assim como preferiria que o livro fosse narrado na 3ªpessoa, mesmo acompanhando maioritariamente a Katniss.

Dito isto, não sendo, obviamente, uma obra-prima, os Jogos da Fome apresentam uma narrativa cativante tanto para o público juvenil como para o young adult, conseguindo tirar o sono ao leitor até este alcançar a última página. 

Classificação: 8/10 - Muito Bom


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

http://www.interconectadossaojudas.com.br/images_jol/181/admi.gif
Sinopse: Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.

A minha opinião: Brilhante. Admirável Mundo Novo é uma referência no que diz respeito a distopias e, a meu ver, o seu lugar é merecido.

A sociedade descrita é inesquecível. Cada indivíduo foi condicionado aquando a sua gestação para se conformar com as normas desta sociedade. Deste modo, sente-se perfeitamente integrado na sua casta e convencido de que esta é a melhor para ele. Quer seja alfa (os mais evoluídos) ou epsilon (os que fazem trabalhos de escravo), o condicionamento é eficaz e, caso haja sentimentos anormais, estes são apagados facilmente pelo soma, a droga reconhecida.

São várias as questões que a leitura motiva. A óbvia é, claramente, quão longe estamos nós do relatado. Mas há mais. Quão facilmente somos manipulados à nascença ou quantas crenças limitam drasticamente a nossa visão? Quão frequentemente nos refugiamos em somas? Como olhamos nós aqueles que fogem à normalidade? Até que ponto conseguimos perder a nossa individualidade em prol da sociedade?

Escrevo esta opinião passadas já umas semanas da leitura do livro. Porém, dei por mim a relembrar em diversos momentos algumas passagens sobre religião, arte, política. A verdade é que, às vezes, só conseguimos notar como um livro nos marcou quando este sobrevive à passagem do tempo. Não tenho dúvidas de que este é o caso de Admirável Mundo Novo.

É ainda de destacar o excelente trabalho do tradutor, Mário Henrique Leiria, pelas várias notas que ajudam a compreender referências extra-textuais que aparecem ao longo da narrativa.

Recomendadíssimo.

Classificação: 9/10 - Excelente

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Sinopse (contracapa): Edição comemorativa 50º aniversário da primeira edição de um dos grandes clássicos literários sobre futurologia do Século XX, comparável a obras com 1984 ou o "Admirável Mundo Novo". Imortalizado também no cinema pela mítica adaptação de Stanley Kubrick, é uma obra ímpar e de indispensável leitura, já que nem sempre a versão cinematográfica coincide com o texto do romance. Além disso esta edição Inclui material inédito: textos e ilustrações do autor, assim como ensaios sobre a obra e a sua polémica Narrada pelo protagonista, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário que então domina a sociedade. Os processos utilizados e as fantásticas e inesperadas conclusões ainda hoje são tão polémicas como actuais.


A minha opinião: A Laranja mecânica é uma referência nas distopias, colocada injustamente ao lado de 1984 ou Admirável Mundo Novo. A meu ver, esta comparação é tão adequada como colocar o Drácula ao mesmo nível que o Crepúsculo.

Passo a explicar. Numa primeira parte, A Laranja Mecânica apresenta uma sociedade futurista promissora do ponto de vista distópico. Desde o início se cria uma repulsa pela violência despropositada que Alex e os seus "drucos" - amigos- praticam como forma de entretenimento nas suas saídas nocturnas. Esta repulsa provém não só dos próprios atos descritos, mas também do bom trabalho ao nível da narração que transmite a ideia da violência como algo não só natural para estes adolescentes, mas principalmente como algo justificável e sublime. Certamente, haveria muito por explorar, principalmente quando Alex - o narrador - é preso e, como forma de o correção, através de tratamentos de choque, criam nele uma repulsa física completa pela violência, de modo a que ele já não possa escolher o bem, mas sim seja obrigado a não escolher o mal, por todo o constragimento físico que o simples pensar na violência lhe provoca.

Sem dúvida somos levados a pensar, numa primeira análise, se é de algum modo justificável retirar o livre-arbítrio de uma pessoa, para a impedir de praticar o mal. Porém podemos, numa segunda análise mais introspetiva, tentar perceber até que ponto é assim tão diferente escolhermos o "bem" não porque seja essa a nossa verdadeira opção, mas sim porque, por alguma razão, impigida social ou legalmente, nos impele a não escolher o mal.

No entanto, ainda que com o argumento promissor, a leitura ficou muito aquém.  A utilização do "nadescente"  - calão dos adolescentes - ao longo da narrativa foi, para mim, excessiva e desinteressante. Ao longo do livro o leitor habitua-se, mas confesso que, para mim, não acrescentou rigorosamente nada ao livro, antes pelo contrário. Aliás, não fosse o livro tão famoso e tê-lo-ia largado nas primeiras páginas quando percebi o uso que o nadescente iria ter.

Mas o pior foi a própria condução da narrativa. Todo o livro parece querer que o leitor repudie a violência de uma forma tão óbvia, o que se torna completamente desinteressante. Não há assim espaço para uma verdadeira construção da personagem do narrador, ou visão ligeiramente mais geral da sociedade em questão. Parece assim que o livro tem apenas o propósito de criar uma reação imediata no leitor, demasiado primitiva na minha opinião.

Este livro foi um pesadelo para acabar. Mas acima de tudo uma grande desilusão.

Classificação: 5/10 - Razoável

Sinto me na obrigação de fazer a ressalva que apenas o potencial (não desenvolvido) é a razão pela qual classifico quantitivalmente com esta pontuação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Sinopse: O Sistema era simples. Toda a gente compreendia. Os livros deviam ser queimados, juntamnte com as casas conde estavam escondidos. Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos e gostava do seu trabalho. Era bombeiro há dez anos e nunca questionara o prazer das corridas à meia-noite nem a alegria de ver páginas consumidas pelas chamas... Nunca questionara nada até conhecer uma rapariga de 17 anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam pensar. E Guy apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer...

A minha opinião: Nunca tinha lido nada da categoria
da distopia, pelo que também não o posso comparar a outros livros, no entanto, daquilo que li, gostei bastante de experimentar este género.

Uma das coisas que me levou a ler este livro foi o seu conceito fenomenal. Já imaginaram viver numa sociedade onde cada casa que tivesse livros fosse queimada, em que se pensasse que os livros não diziam nada, pois eram demasiado reais. No entanto, a medida que a história se desenrola, vamos percebendo como a partir desta sociedade caminhámos para o que acontecia naquela. Um conceito assustador, mas não tão irreal como deveria ser. [Na verdade, os livros agora não são queimados, mas muitos são deixados nas prateleiras por ler, ou comprados para fazer decoração.] E o que é um livro se não é lido? Fahrenheit 451 é realmente um daqueles livros cuja leitura nos faz inúmeras questões sobre o mundo em que vivemos.
Através de várias passagens e metáforas que deixam o leitor questionar-se ou reconhecer muitas coisas da sociedade retratada com a nossa, podemos chegar a várias conclusões, que variarão de leitor para leitor.

Fiquei com pena que o livro fosse tão pequeno. Na minha opinião, a temática podia ainda ser melhor explorada, no entanto, esse é o único ponto fraco que tenho a apontar. De resto, este foi um livro que me proporcionou excelentes horas de leitura.

Classificação: 8/10

Deixo agora uns excertos:

"Os bons escritores tocam muitas vezes na vida. Os medíocres passam uma mão rápida sobre ela. Os maus violam-na e deixam-na às moscas." Como é verdade...

" Percebe agora porque os livros são odiados e temidos? Revelam os poros na face da vida. As pessoas acomodadas querem apenas rostos redondos de cera, sem poros, sem pêlos, sem expressão"

A fonte da frase entre parentesis é esta