domingo, 26 de junho de 2011

Musicofilia, de Oliver Sacks

Sinopse: Com a mesma marca de compaixão e erudição de O Homem Que Confundiu a Mulher com um Chapéu, Oliver Sacks explora o lugar que a música ocupa no cérebro e como é que ela afecta a condição humana. Em Musicofilia, o autor apresenta uma variedade daquilo que designa por «desalinhamentos musicais». Entre eles: um homem atingido por um relâmpago que subitamente deseja ser pianista aos quarenta e dois anos; um grupo de crianças com síndrome de Williams, que desde a nascença são hiper-musicais; pessoas com «amusia», para quem uma sinfonia soa a ruído de panelas; e um homem cuja memória dura apenas sete segundos excepto quando se trata de música.


A Minha Opinião: “A música faz parte do ser humano e não há cultura em que não conheça um desenvolvimento eminente ou não seja estimada.” Parece, portanto, que a música exerce um grande poder sobre nós, seres humanos, sem que tenhamos, às vezes, consciência disso.

Li Musicofilia para realizar um trabalho escolar, mas logo no prefácio percebi que ia ser uma experiência muito mais interessante do que estava à espera. A música é uma das coisas mais importantes na minha vida, não só porque toco um instrumento e gosto de ouvir vários géneros musicais, mas também porque teve uma grande influência no que sou hoje.

Ao lermos este livro, apercebemo-nos de que ouvir música é uma
experiência extremamente rica, não só a nível auditivo como também a nível emocional e motor, pois por detrás dessa experiência existe um circuito neuronal altamente complexo. A nossa resposta emocional à música, por exemplo, envolve não só as regiões corticais como as subcorticais do cérebro.

Em Musicofilia, Oliver Sacks (neurologista) mostra-nos essa mesma relação existente entre o
cérebro e a música e o modo como, internamente, reagimos à mesma, com o estudo da resposta musical de doentes com diversas patologias, como demência, parkinson, síndrome de Tourette , etc. É através dos casos de pacientes seus, correspondentes e estudos científicos bem documentados que a pouco e pouco nos vamos dando conta do verdadeiro poder da música e das suas aplicações práticas. Esta tem um importante papel não só a nível
emocional, como também anatomicamente, ao moldar o nosso cérebro. O objectivo deste livro é que o leitor altere a sua visão da percepção física e emocional da música e a razão pela qual esta, após tantos anos, se mantém como algo tão essencial em cada cultura. Para tal, o livro organiza-se em vários capítulos, cada um tendo um aspecto relacionado com o cérebro e a música, como por exemplo, a existência de vários tipos de surdez, aplicações da música como terapia para várias doenças, casos de pessoas que têm ataques epilépticos causados pela música, outras que desenvolvem um gosto repentino pela mesma (musicofilia), importância da música em doentes com Síndroe de Williams, etc.

Após a leitura de Musicofilia, a minha visão sobre a música e do cérebro ficou bastante mudada,pois não tinha consciência da grande influência que a música exerce sobre o cérebro
e da quantidade de casos neurológicos que estão relacionados com essa influência. Nunca pensei realmente na maneira como o cérebro processa a música nem que os seus elementos – ritmo, tons, etc – se encontravam distribuídos por várias áreas cerebrais. Porém, uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as aplicações que tem para curar ou melhorar o estado de pacientes com várias doenças. Esta aplicação da música como uma ajuda real neurológica e com benefícios físicos além do bem estar, que era dos únicos que tinha conhecimento porque o experenciava, ajudaram-me a perceber que a música é mais do que uma arte e possui um verdadeiro poder curativo que começou a ser investigado e aplicado nos últimos anos, mas que ainda não se descobriu por completo.

Uma leitura memorável, que aconselho a todos os músicos, mas também a todos os que sentem uma curiosidade pelo funcionamento do cérebro, casos médicos interessantes e claro, a todos aqueles que desejam descobrir um pouco sobre o poder da música neles próprios. Garanto que, com a variedade de casos e situações descritas no livro, verão a música como algo completamente diferente e com um valor muito maior. Fiquei muito bem impressionada com o livro deste neurologista.

Classificação: 8/10 (Muito Bom)

1 comentário:

angela disse...

Ah! vou ver se acho para ler, obrigada pela dica. Li o homem que confundiu sua mulher com o chapéu, gostei, e eu não gosto de música, quer dizer, não como a maioria das pessoas gosta, gosto e amo algumas músicas. E meu marido, coitado, é um compositor de primeira que ama música, qualquer uma! e não pode ouvir música como gostaria por minha causa!!