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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O Filho de Thor, de Juliet Marillier


Sinopse: Depois do sucesso obtido com a trilogia Sevenwaters, a Bertrand apresenta a nova série de Juliet Marillier A Saga das Ilhas Brilhantes, com o primeiro volume intitulado O Filho de Thor Eyvind sempre quis ser um dos maiores guerreiros viquingues – um Pele-de-Lobo – e lutar pelo seu chefe em nome do deus Pai da Guerra, Thor. Não concebe outro futuro mais glorioso. Mas o seu amigo Somerled, um rapaz estranho e solitário, tem outros planos para o futuro. Um juramento de sangue feito na infância força estes dois homens a uma vida de lealdade mútua.
 A um mundo de distância, Nessa, sobrinha do Rei dos Folk, começa a aprender os mistérios da sua fé. Nem a jovem sacerdotisa nem o seu povo imaginam o que lhes reserva o futuro.
 Eyvind e Somerled parecem destinados a seguir caminhos diferentes. Um torna-se um feroz servidor de Thor e o outro um cortesão erudito. Uma viagem chefiada pelo respeitado irmão de Somerled, Ulf, junta de novo os dois amigos, que acompanham um grupo de colonos que se vai instalar numas ilhas maravilhosas do outro lado do mar. Quando um facto trágico acontece a bordo de um dos navios, Eyvind começa a suspeitar de que talvez não tenha sido um acidente...

A minha opinião: Já tinha saudades de ler Juliet Marillier. Os seus romances que enlaçam fantasia e tradições celtas são, sem dúvida, um prazer de ler. Apesar da trilogia Sevenwaters, que li há uns anos, ter sido maravilhosa, o que coloca sempre altas expectativas em relação aos livros desta autora, o Filho de Thor revelou-se também num livro com poderosas mensagens e personagens fascinantes. 

Neste livro, Juliet apresenta-nos uma narrativa que tem lugar na Noruega e nas ilhas Órcades, a norte da Escócia, onde viviam os pictos antes destas serem ocupadas pelos vikings. Existe assim um ligeiro fundo histórico, não só a nível da ocupação das ilhas, mas também noutros aspetos, como a existência dos guerreiros que recebiam o chamamento cego (não de Thor mas de Odin) que os levava à sede da guerra. O facto é que estes detalhes encontram-se muito romanceados, não sendo a mais-valia do livro, apesar de fornecerem um pano de fundo interessantíssimo.

Neste cenário, acompanhamos então a expedição de Ulf, pertencente ao povo norueguês, para as ilhas brilhantes, onde vivem os Folk, povo muito antigo que tem uma relação íntima com a natureza daquelas ilhas e que, se ao contrário dos noruegueses não prima pelas armas, prima pela sua sabedoria. Curiosamente, é também este contraste que se verifica entre Eyvind e Somerled, dois jovens que partem com Ulf para estas ilhas e que partilham um juramento de sangue. Somos assim presenteados com personagens educadas em culturas bastante diferentes que têm contudo de descobrir como será a sua coexistência naquelas ilhas.
N' O Filho de Thor , as personagens são assim levadas a situações que nos levam a reflectir sobre o poder da manipulação e da mentira, a fronteira entre a lealdade e traição, a beleza da justiça e, sobretudo, o desafio da compreensão de culturas tão diferentes.
Os dilemas da personagem que mais surpreende pela sua evolução, Eyvind, são reais e, com outros contornos, todos nós, como ele, já estivemos em posições onde tivemos de tomar escolhas que não queríamos tomar em prol do que sabíamos estar certo. Por dar a entender, no início, que é uma personagem linear, a sua adaptabilidade e coragem surpreendem imenso e mostram que um bom coração nunca deve ser subestimado.

Do lado dos Folk, também se encontram personagens fascinantes. O rei Engus, Rona, Nessa, Kinart, todos surpreendem pela sua coragem que se demonstra de maneiras tão diferentes, porque eram menos fortes, mais velhos ou mais impulsivos e menos experientes, sentindo no entanto que pertenciam a algo maior do que eles e, como tal, teriam de ter a persistência necessárias para permanecer. Nessa, em especial, é uma personagem feminina marcante que, por incorporar o espírito de comunhão com a natureza das ilhas, me fez instantaneamente gostar dela.

O único ponto negativo a apontar é uma certa previsibilidade ao longo do livro. Não querendo transparecer que não tenham existido momentos em que fui surpreendida, o facto de, no final, parecer que tudo correu tão bem, apesar dos Folk praticamente dizimados, conferiu-me um sentimento de uma certa irrealidade. A meu ver, o final poderia ter sido melhor explorado.
 
Porém, houve tantas mensagens belíssimas, tantos contos celtas subtilmente colocados na narrativa, tantos momentos de sofrimento com as personagens, até mesmo de desilusão e tantos outros marcantes. Sendo este o primeiro volume da saga das ilhas brilhantes, tenho uma enorme vontade de ler o seguinte. Enfim, que posso mais dizer, já tinha saudades de ler Juliet Marillier.
Classificação: 8/10 - Muito Bom

sábado, 16 de outubro de 2010

Sangue-Do-Coração

Sinopse: Uma floresta assombrada. Um castelo amaldiçoado. Uma jovem que foge do seu passado e um homem que é mais do que parece ser. Uma história de amor, traição e redenção.

Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza de um chefe tribal cujo nome se pronuncia na região com repulsa e amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que prenuncia desgraças a cada sussurro.
No entanto, a fortaleza solitaria é um porto seguro para Caitrin , uma jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refugio de que ela tanto precisa. À medida que o tempo passa Caitrin aprende que há mais por detrás do atormentado jovem e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Só através do seu amor e determinação é que a maldição poderá ser desfeita e Anluan e a sua gente libertados...

A minha opinião: Em primeiro lugar devo dizer que este livro me surpreendeu bastante, pois estava à espera de encontrar uma tipica "história Juliet Marillier", e no entanto deparei-me com um conto de encantar, que em muito faz lembrar uma mistura de histórias Disney, A Bela e o Monstro e Cinderela.
Pessoalmente penso que Juliet terá tentado dirigir este livro a um público mais jovem, adolescente, acrescentando assim um cheirinho das modas de hoje em dia: um amor impossível entre uma humana e uma criatura sobrenatural. Mas, se são como eu e desprezam todo o tipo de livro que tente, de certo modo, "imitar" a tão conhecida Saga Twilight, de Stephenie Meyer, não se deixem enganar! Sangue-Do-Coração apenas tem um "flavour" de toda esta loucura adolescente, o suficiente para nos cativar a entrar em Whistling Tor e nos manter prisioneiros no castelo de Anluan até ao fim da narrativa.

Caitrin é uma jovem rapariga, bonita mas de figura ligeiramente cheia.
Depois da morte de seu pai a irmã de Caitrin vai viver com o marido para longe da sua aldeia natal, e deixa Caitrin aos cuidados da tia. Rapidamente, Caitrin descobre que a tia só está interessada na herança que o pai lhe deixou, tentando que esta se case com o seu filho.
Devido às suas resistências e tentativas de manter a dignidade a rapariga é maltratada pelo primo, um homem violento que limita a sua existencia à ganância pela herança de Caitrin. Na tentativa de pôr um ponto final na situação, Caitrin foge de casa, deixando assim a aldeia para trás.
Após as dificuldades da sua viagem atribulada, Caitrin dá por si numa povoação muito estranha, onde as pessoas nutrem um profundo ódio pelo seu chefe tribal, tomando-o como um homem inútil. Todo o tipo de histórias lhe são contadas acerca de Whistling Tor, e Caitrin acaba por ficar curiosa, embora tenha algumas dificuldades em acreditar em tudo o que lhe dizem.
O caminho de Caitrin acaba por se cruzar com o de Anluan, o detestado chefe tribal, quando este lhe oferece um trabalho como escriba, durante o Verão.
Dia após dia, Caitrin vê-se envolvida no manto de mistério que cobre Whistling Tor em forma de nevoeiro.
Esta é a história de uma jovem, que aos poucos vai descobrindo os segredos do seu chefe tribal e que com amor e esperança o ajuda a derrotar os demónios do passado, vencendo uma batalha que há muito se julgava perdida.

Esta é uma leitura ligeira, que recomendo a todos, um livro que me apaixonou, ainda que não fosse o que estava à espera.

Classificação: 7/10 - Bom