domingo, 18 de julho de 2010

Memórias de uma gueixa, de Arthur Golden

Sinopse: Sayuri tinha um olhar invulgarmente belo, de um cinzento translúcido, aquático, a reflectir numa miríade de cristais límpidos, o brilho prismático e incandescente do universo perfeito e atroz sobre o qual repousava. Era uma transparência súbita, inesperada, a contrastar violentamente com a estranha opacidade branca da máscara onde sobressaíam uns lábios exageradamente vermelhos. E se os olhos ainda reflectiam Chiyo, a menina de nove anos, filha de pescadores, de uma cidade remota, junto ao mar, a máscara inquietantemente delicada, o penteado ostensivo, a sumptuosidade dos quimonos de brocados, ricamente ornamentados pertenciam à mulher em que ela se tinha tornado, Sayuri, uma das mais célebres gueixas do Japão dos anos 30. É este mundo anómalo, secreto e decadente, construído sobre cenários de papel de arroz e que parece ser a manifestação da própria fantasia erótica masculina que Golden evoca com uma autenticidade notável e um lirismo requintadamente raro. Um romance sobre o desejo e a natureza indomitável do espírito humano, desafiador, cativante pela pureza da prosa, pela prodigalidade das nuances, das atmosferas, das imagens esculpidas com a precisão e subtileza da arte do bonsai. Memórias de uma gueixa foi considerado um dos melhores primeiros romances de 1997.



A minha opinião: Às vezes parece que não fomos nós quem escolheu o livro, mas foi o livro que nos escolheu a nós.

Antes de ler a crítica da White Lady, eu nunca tinha ouvido falar nem deste livro, nem do filme. Por casualidade, o livro pareceu-me tão interessante que, num impulso, o requisitei logo na biblioteca e comecei a lê-lo. Esperava algo bom, mas mesmo assim, surpreendeu-me.


Em Memórias de Uma Gueixa, é-nos dada a oportunidade de acompanhar a vida de Sayuri, uma gueixa do Japão dos anos 30 desde a sua curta infância na pequena cidade de Yoroido até se ter mudado para Nova Iorque. É-nos dado a conhecer como a criança Chiyo se tornou na gueixa Sayuri, desde o momento em que foi vendida à okiya (local onde viviam gueixas/futuras gueixas) onde iria passar grande parte da sua vida até ter quebrado os laços com esta.

Ainda que o objectivo principal deste livro seja apresentar a vida de uma gueixa no que diz respeito ao seu dia-a-dia, como este se vai modificando nas diversas etapas da sua vida e algumas particularidades desse mundo, gostei muito da história criada por Golden para atingir este fim. Embora estejamos centrados na vida de Sayuri, portanto pouco mais se sabe das personagens a não ser no momento em que que contactam com esta, achei que as personagens estavam muito bem desenvolvidas, diferentes entre si, parecendo mesmo reais.

Outro aspecto que gostei muito foi a "voz" de Sayuri. Consegui perfeitamente sentir o que ela sentia. Em nenhum momento pensei que a pessoa que me estava a contar a história não era uma mulher, mas sim um homem.

Por fim, o livro levanta algumas questões interessantes, sobre a nossa visão de ocidentais sobre as gueixas, a forma como pequenos acontecimentos podem mudar o rumo da nossa vida e até que ponto são as nossas escolhas que influenciam a nossa vida.

Como ponto negativo, apenas tenho a referir o facto de comparativamente ao início, o final pareceu-me um pouco apressado.

É sem dúvida um livro muito bom não só pelo conhecimento que se adquire sobre as gueixas, mas também pela belíssima história que o acompanha, que apesar de ser fictícia, é bastante credível.

Existem alturas para ler determinados livros. Não sei bem porquê, parece-me que estava com a disposição perfeita para ler este.

Classificação: 9/10 - Excelente

[Para aqueles que leram, encontrei questões muito interessantes de análise do livro. Curiosamente, algumas eu até me perguntei mim mesma]

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Club Dead, Charlaine Harris

Sinopse: Bill corre perigo e é o sensual Eric que ajuda Sookie a encontrá-lo. Mas quando Sookie descobre Bill - num acto de traição - ela não tem a certeza se o quer salvar... ou afiar estacas e dar cabo dele.
Há apenas um vampiro com a qual Sookie Stackhouse está envolvida, pelo menos de forma voluntária, e esse vampiro é Bill. Mas recentemente, ele tem estado um pouco distante. E noutro Estado. Eric, o seu chefe sinistro e sensual, julga saber onde encontrá-lo e, quando dá por isso, Sookie está a caminho de Jackson, no Mississippi, para se infiltrar no submundo do Clube de Sangue. Este clube é um local perigoso onde a sociedade vampírica se reúne para descontrair e beber um copo de O positivo. Mas quando Sookie finalmente descobre Bill - apanhado num acto de traição séria - ela não tem a certeza se o quer salvar... ou afiar estacas. (Sinopse da edição portuguesa da saída de emergência)



A Minha opinião: Antes de opinar sobre o livro propriamente dito, queria deixar algumas coisas bem claras.
1º Estou extremamente embrenhada neste mundo. Esta série é uma das minhas preferidas e só por isso é que consegui ao mesmo tempo que acabava o terceiro livro, ver a primeira temporada toda da série em 3 dias. (Já agora, só a posso recomendar, uma das melhores adaptações que já vi de livros.)
2º Apesar de ter lido os dois primeiros livros em português, decidi agora passar a lê-los em inglês. Resultado: Adorei.

Como já tinha falado anteriormente, a escrita é muito acessível e só por isso é que me atrevi a lê-lo em inglês. Afinal de contas, não quero perder nada daquilo que estou a ler. Felizmente, o meu palpite revelou-se correcto e atrevo-me a dizer que gosto muito mais da versão original. Isto porque é muito mais fácil assim estar dentro da cabeça de Sookie e revelou-se (ainda) mais divertido de ler.
Especificamente sobre este terceiro volume, apenas tenho a dizer que a autora manteve a qualidade. A leitura, como habitual, é agradável, divertida, original e viciante, sendo muito difícil desligar da história. Uma leitura leve, que se lê num instante.
Para finalizar, apenas tenho a dizer que adorei o facto de não termos quase Bill, mas sim Eric (yay!). Têm de compreender que senti uma certa afinidade com Eric logo no primeiro livro :)

Classificação: 8/10 - Muito Bom

Saga Sangue Fresco - opiniões :

Sangue Fresco -  2 Dívida de Sangue - 3 Clube de Sangue - 4 Sangue Oculto - Sangue Furtivo 6-Traição de Sangue 7- Sangue Felino


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Livros na língua original

Caros leitores,

hoje mesmo acabei de ler Club Dead, de Charlaine Harris, na sua língua original, inglês.
Ainda que não tenha sido a primeira obra que li nesta língua, foi a primeira com um carácter ficcional em que a linguagem utilizada era mais, digamos, literária.

Obviamente que tenho a noção de que não sou uma falante nativa de inglês, por isso comecei com uma escritora com uma linguagem acessível. No entanto, não consigo, infelizmente, ficar tranquila em perceber as palavras desconhecidas pelo contexto, tenho de saber o verdadeiro significado das mesmas. Desta forma, só li o livro em casa e ao lado de um dicionário.

Apesar da minha velocidade de leitura ter diminuído drasticamente, foi uma experiência muito positiva. Ao ler o livro um pouco mais devagar, apercebi-me de pormenores que, se estivesse a ler em português, me teriam passado ao lado; aprendi imensas palavras, e até tive a oportunidade de as assimilar, pois reparei que a autora as repete bastante, visto o livro estar escrito numa linguagem não muito rebuscada.

A voz da escritora parece que mudou. Li os primeiros dois livros em português, e agora neste, tudo me parece um pouco mais vivo, interessante, não sei se por estar mais atenta à escrita e aos trocadilhos, mas se por estar a ler na língua original.

De qualquer das formas, sinto que é uma excelente experiência e apesar de não poder ler à velocidade que desejaria, penso que ganho muito mais, até porque após o choque inicial, a minha leitura foi muito mais fluente na segunda metade do livro e precisei de muito menos interrupções.

E vocês, contem-nos as vossas experiências/ manias/ hábitos quando lêem noutras línguas!

terça-feira, 22 de junho de 2010

A Muralha de Gelo, de George R. R. Martin

Sinopse: Estes são tempos negros para Robert Baratheon, rei dos Sete Reinos. Do outro lado do mar, uma imensa horda de selvagens começa a formar-se com o objectivo de invadir o seu reino. À frente deles está Daenerys Targaryen, a última herdeira da dinastia que Robert massacrou para conquistar o trono. E os Targaryen sempre foram conhecidos pelo seu rancor e crueldade ....

Mais perto, para lá da muralha de gelo que se estende a norte, uma força misteriosa manifesta-se de maneira sobrenatural. E quem vive à sombra da muralha não tem dúvidas: os Outros vêm aí e o que trazem com eles é bem pior do que a própria morte...

Ainda mais perto, na Corte, as conspirações continuam. O ódio entre as várias Casas aumenta e desta vez o sangue mancha os degraus dos palácios e o veludo dos cadeirões dourados. E quando parece que nada poderia piorar, o rei é ferido mortalmente numa caçada. Terá sido um acidente ou um assassinato? Seja como for, uma coisa é certa: a guerra civil vem aí!

A minha opinião: O primeiro livro desta saga é, sem dúvida, brilhante e muito promissor.


À semelhança da primeira metade do livro, esta segunda parte não me desiludiu e manteve a qualidade da primeira.


É difícil escrever quando gostamos tanto de um livro. Pessoalmente, penso que o ponto mais positivo deste livro/série é o facto de ser uma fantasia diferente. Apesar do género ser inconstatavelmente fantasia, pois o mundo no qual se desenrola a acção é fictício e existem alguns elementos irreais, tudo o resto podia perfeitamente ter lugar na era medieval, e aliás é assim que o imagino. Desta forma, parece que todos os géneros se encontram condensados na história. Eu achava que isto era pouco provável, antes de lê-lo, mas é possível. E isso confere uma qualidade única: temos aventura, temos fantasia, temos política, temos mistério, temos tudo escrito de uma maneira que nos prende e dificilmente larga... Apesar de, por vezes, me fazer lembrar a saga de Paolini (Eragon, Eldest, Brisingr) por ser o género mais parecido a estes livros que conheço, e sem querer ofender os fãs de Paolini, gosto muito mais da saga de Martin.


Outro ponto muito positivo são as personagens. Que personagens! Não são estereotipadas ou algo do género. Cada uma é feita de um conjunto de traços únicos que fazem com que se assemelhe a algo da vida real, não aos clichés da esposa indefesa ou o senhor em que a honra esteve sempre acima de tudo o resto. Cada uma comete erros, erros esses que personagens daquele estereótipo não poderiam cometer. É impossível não gostar das mesmas. Durante este livro, surpreendi-me com a maioria delas.
Apenas tenho a apontar que, por vezes, a leitura foi um pouco densa na parte das tácticas militares e outros aspectos políticos. No entanto, isso deve-se ao meu interesse um pouco mais baixo pelas cenas de guerra e penso que, para quem goste, não será aborrecido nem por um segundo.

Classificação: 8/10 - Muito Bom

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, morreu hoje aos 87 anos de idade



Calou-se a voz da Liberdade e do pensamento literário Português!

José Saramago, morreu hoje ao 12:45 em Lanzarote, Espanha, aos 87 anos de idade.
Foi com total choque e emoção que a Cozinha das Letras recebeu a trágica notícia. 

José Saramago recebeu o prémio Nobel da Literatura em 1998.
Uma das suas mais conceituadas obras "Ensaio sobre a Cegueira" foi adaptada ao cinema.
O sua última publicação foi "Caim" que gerou uma enorme polémica.

Em nome da Cozinha das Letras, um Muitíssimo Obrigada a este ícone da cultura Portuguesa! A sua perda é irremediável! 
Mais informações, aqui.

                                                                 Até Sempre, José Saramago!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aniversário!

Caríssimos Leitores,
É com o maior dos prazeres que vos anuncio e comunico um ano de existência de Cozinha das Letras! É verdade queridos leitores, o tempo é algo mágico e encantador, porém traiçoeiro e indesejável.
Um ano de Cozinha, Um ano de Letras!
Queremos sobretudo agradeçer a vossa gentileza e amabilidade por disporem do vosso precioso tempo com as nossas críticas, comentário e crónicas, pois sem voces esta realidade não seria possível. Como autora deste pequeno texto de agradecimento festivo (Papillon) o meu muitíssimo obrigada, às minhas eternas companheiras Jacqueline e Juliet!
Que muitos aniversários se sucedam recheados de alegria e novidades!
Feliz Aniversário Cozinha das Letras e respectivas Cozinheiras!

sábado, 5 de junho de 2010

Harém, Dora Levy Mossanen

Sinopse: História, fantasia e exotismo na Pérsia do séc. XIV. Um fabuloso conto das 1001 noites, onde os laços que unem mães e filhas se cruzam com importantes acontecimentos históricos e luxuriosas imagens de desinibida sensualidade.

Tendo o Bairro Judeu da Velha Pérsia como ponto de partida, Dora Levy Mossanen faz-nos embarcar numa viagem sedutora ao mundo fascinante dos xás, adivinhos, eunucos e sultanas. Harém segue três gerações de mulheres determinadas e astutas: Rebekah - uma rapariga pobre casada com Jacob, o Sem Pai, o ferreiro grosseiro - a quem o casamento desastroso deixa uma marca entre os seios; Pó de Ouro, a filha querida de Rebekah, que entra no mundo opulento e perigoso do harém e cativa o Xá com os seus ossos cantores; e a filha de Pó de Ouro, a reverenciada e temida princesa albina Corvo, que um dia governará o Império. Rico em imagens, Harém descreve com vivacidade os bazares exóticos, as ruelas perigosas da cidade, e os aposentos do palácio, repletos de conspirações e traições - assim como de amor e redenção. Romance de textura intrincada habilmente trabalhado, Harém representa o começo de uma carreira literária notável.


A minha opinião: Como já devem ter reparado, gosto muito de ler livros cuja acção se desenrola no Oriente. Desta forma, o tema não me podia agradar mais, pois tinha mais do que um aroma oriental.

No que diz respeito às personagens, penso que foram bem conseguidas. Foi bastante interessante poder acompanhar três gerações de uma família: avó, mãe e filha e assim reconhecer características herdadas, mas ao mesmo tempo ver como eram tão diferentes. Isto sem mencionar o facto de poder ver como a determinação e astúcia da avó conseguiram colocar as gerações seguintes no clima ostentoso do palácio, tornando a filha a favorita do Xá e a neta a princesa da Pérsia, quando o que as esperava era uma casa decadente no bairro judeu, à semelhança dos seus antepassados.


Outro aspecto a apontar são as descrições. Talvez por ser uma realidade algo próximo à autora - afinal ela tem ascendência de Israel - esta conseguiu perfeitamente fazer o contraste entre o ambiente do harém/palácio e as pobres ruelas do bairro judeu. Nesse aspecto fui completamente transportada para a Pérsia do século XIV.

Quando à narrativa, é interessante. Não sendo uma leitura propriamente leve, dá-nos a possibilidade de acompanhar ambientes e acontecimentos diferentes e característicos, que conseguem prender o leitor.

Apesar de não conseguir apresentar em concreto aspectos negativos, afinal de contas, gostei das descrições, das personagens e da história, penso que de certa forma faltou algo. Enfim, talvez tenha esperado mais do que este livro podia dar. No entanto, dado que este é o romance de estreia da autora, não tenho dúvidas que o seu próximo livro deverá passar de interessante a muito bom.


Classificação: 7/10 - Bom