domingo, 1 de novembro de 2009

A Máquina do Amor, Jacqueline Susann

Sinopse: O Homem criou a máquina. A máquina não sente amor, ódio, ou medo; não sofre úlceras, ataques do coração ou distúrbios emocionais.
Talvez a única possibilidade do homem sobreviver seja tornar-se uma máquina.
Alguns homens conseguiram isso.
Máquinas que passaram por homens dirigem muitas vezes sociedades; os ditadores são máquinas de força nos seus países. Um artista devotado pode transformar-se numa máquina de talento.
Por vezes, essa evolução ocorre sem que o homem repare nela.
Talvez aconteça da primeira vez em que ele diz: "Se eu abolir todos os sentimentos da minha vida, nunca mais poderei ser ferido!"
Amanda teria rido, se lhe tivessem dito isto a respeito de Robin Stone; porque Amanda estava apaixonada por ele.

A minha opinião: Este segundo romance de Jacqueline Susann segue na mesma linha do Vale das Bonecas. Três mulheres, três histórias diferentes, no entanto, com uma paixão em comum: Robin Stone.

Foi um romance bem ao seu género. Tinha todos os seus conhecidos ingredientes. Anos 60, o mundo do espectáculo. Os filmes de Hollywood. Os espectáculos da Broadway. A Televisão. Os Actores. Os Produtores... Mais uma vez é muito interessante entrar nesse mundo, que não se distanciava tanto da realidade, visto a autora ter sido actriz e apresentadora da televisão.

Acompanhamos a vida de Robin Stone. Uma vida aparentemente vulgar. Um repórter televisivo, no início da sua carreira, que namorava com Amanda, também ela pertencente ao mundo do entretenimento, sendo actriz. Um enredo completamente normal, situações do quotidiano, que no entanto, no desenrolar da história se vêm extrememente invulgares. Qualquer mulher que estivesse com Robin Stone não entendia como ele podia amar e ao mesmo tempo ser tão insensível. Robin Stone não possuía qualquer sentimento e, no entanto, era impossível resistir-lhe. Como poderia ser isso?


Este é um livro completamente direccionado para mulheres, assim como O Vale das Bonecas. Lê-lo é como se de repente, regressássemos ao passado, e ingressássemos no mundo do espectáculo. Como se nós fossemos uma das actrizes. Um dos produtores. Como se pertencêssemos aquele mundo.


Classificação : 7/10 - Bom

terça-feira, 27 de outubro de 2009

As Mulheres de Mozart, de Stephanie Cowell

Sinopse: As Mulheres de Mozart é um romance histórico que entretece com magnificência e sensibilidade factos e ficção. Habita nele a mesma grandiosidade que anima as óperas do compositor, como se o próprio génio de Mozart o tivesse orquestrado, impregnando-o do seu espírito vivo e apaixonado. No ano de 1777, Mozart chega a Mannheim, e, poucos dias depois, é convidado para um serão musical em casa da família Weber. É nessa noite que Mozart, com apenas vinte e um anos, conhece as quatro mulheres que virão a cativar o seu coração e a inspirar a sua música. Muito diferentes entre si, Josefa, Aloysia, Constanze e Sophie fundem-se numa única sensação difusa de juventude e sensualidade. Musas, confidentes, amadas, estas quatro figuras femininas vão reflectir-se nas heroínas das óperas de Mozart, elas serão, para sempre, as mulheres que ele amou e que o amaram. Uma obra de rara beleza, que se eleva às mais altas esferas da criação literária para fazer reviver, através do olhar das irmãs Weber, o génio sublime e intemporal de Mozart.

A minha opinião: Comecei a ler este livro com uma grande expectativa, porque sou uma autêntica admiradora, não só de música clássica, mas também da magnífica vida e obra de Mozart. Penso que foi exactamente por isso que não o pude apreciar totalmente.

O livro tem um excelente começo. São nos apresentadas quatro irmãs, as Weber, que terão uma enorme influência na vida de Mozart. A história é nos contada pela irmã mais nova, Sophie, na sua conversa com um investigador que procura informações sobre a vida do compositor.

O livro é em si, agradável de ler. No entanto, e apesar de ser mostrada ao leitor uma nova faceta de Mozart, senti que muitas vezes ele ficava para segundo plano, o que era desmotivante para aqueles que queriam saber mais sobre o compositor. Isto não invalida o facto do romance, contexto histórico e a escrita não serem cativantes, pois até o são. Simplesmente não correspondeu áquilo que eu esperava do livro.

O livro proporciona boas horas de leitura. É muito interessante conhecer a vida das irmãs que foram fonte de inspiração para Mozart em inúmeras obras. Foi, de facto, bastante agradável de ler e introduzia o leitor no contexto da época e na dura vida que em especial os músicos levavam.

Penso que é um livro interessante para aqueles que querem conhecer outra faceta de Mozart, uma mais humana, de uma excelente forma.

Classificação:
6/10 - Bom,mas deixa a desejar

domingo, 25 de outubro de 2009

As Três MISS MARGARETS, Louíse Shaffer

Sinopse: Miss Peggy, Dra. Maggie e Miss Li'l Bit têm em comum o nome e uma amizade que dura há longos anos. Mas por detrás da fachada irrepreensível que as levou a serem consideradas verdadeiros ícones em Charles Velley, na Georgia, têm também um segredo explosivo, com décadas, que está prestes a ser revelado.
Trinta e tal anos antes, as três Miss Margarets fizeram algo extraordinário, clandestino e profundamente ilegal. Apesar de permanentemente assombradas por essa noite que mudou as suas vidas, acreditam ainda que o seu crime foi apenas uma forma de corrigir um mal imperdoável.
Porém, a chegada de um estranho à cidade e uma morte trágica vão abrir as comportas da memória, e a lealdade, a amizade e a honra serão postas à prova como elas jamais teriam imaginado - principalmente quando têm de enfrentar Laurel Selene, uma jovem que passou toda a sua vida a braços com uma mãe alcoólica e um rancor desmedido. Laurel está prestes a descobrir o que aconteceu na noite em que as três Miss Margarets fizeram o seu juramento secreto. Qualquer que seja a sua reacção, apenas uma coisa é certa: nada voltará a ser como dantes.


A minha opinião: Este é um livro que eu via à muito guardado na prateleira da avó, e que sempre me fez sentir uma certa curiosidade de saber qual o segredo que continha.
Foi uma história que me agarrou desde a primeira página, e que me deu sempre vontade de ler mais para saber o que acontecia a seguir, logo, li o livro em uma dentada.

O livro começa por apresentar as três personagens centrais, As Três Miss Margarets, Peggy, Maggie e Li'l Bit.

Louíse conta um pouco da história de cada Margaret, como se de uma memória se tratasse. Durante o primeiro capítulo, as três amigas recordam-se dos seus tempos de miúdas e do que naquela altura os habitantes do pequeno local Charles Valley pensavam delas. O Inicio desta história absorvente revela-nos o gesto que vai ajudar a desenterrar todos os segredos meticulosamente guardados pelas Margarets: as três encontram-se numa casa abandonada e despedem-se da vedeta local, Vashti, agora morta, que volta à sua terra natal quando está prestes a falecer.

Um jornalista, que está a escrever um livro acerca de Vashti, reconhece as três Miss Margarets, quando estas deixam a casa abandonada depois da despedida. A partir daqui, tudo vem ao de cima, quando o jornalista tenta descobrir mais acerca do que viu.

Esta história leva-nos numa viagem incrível ao longo de três gerações, e revela-nos coisas inesperadas acerca da vida de cada personagem. No fim, juntando todas estas recordações dos velhos tempos, o grande segredo que as três idosas Peggy, Maggie e Li'l Bit escondem é finalmente descoberto. As três coisas que vos posso dizer acerca deste segredo horrível é que nada é o que parece, existem vários "inocentes" envolvidos nele e, depois de revelado, nada volta a ser como dantes.

O único defeito que realmente se destaca, para mim, tem apenas haver com a pontuação do livro, não conseguimos distinguir bem quando acaba uma recordação e recomeça o presente.
Foi um livro que adorei e que certamente recomendo a todos, principalmente, aos que gostam de um bom segredo.


Classificação: 9/10 - Excelente


(Finalmente consigo partilhar ideias com vocês! Estas tecnologias deixam-me de rastos! ;) )

domingo, 18 de outubro de 2009

Os Filhos da Droga, Christianne F.

Sinopse: Esta história é excepcional e, ao mesmo tempo, de todos os dias. Fala-nos de relações familiares deformadas, da passagem da infância à adolescência num ambiente de cimento e consumo passivo, mortal para a fantasia, da falta de orientação dos adolescentes e do diálogo entre eles e os adultos.

A minha opinião: Li este livro de uma rajada. No entanto, parti um bocado céptica em relação a este livro. Principalmente por duas razões. Tinha lido há uns anos A Lua de Joana e não gostei, ainda que na minha opinião, o tenha lido muito jovem. A segunda razão é o facto desta temática e livros verídicos não serem de todo o que costumo ler. No entanto, um primo meu só leu um livro inteiro na vida, este, e isso deixou-me no mínimo curiosa.

O livro começa com a mudança de Christiane da sua aldeia natal para Berlim. Tinha 7 anos e não sabia como a sua vida ia mudar depois dessa viagem. Cedo apercebe-se que a sua vida não é o que esperava, e cresce num local completamente desprovido de alegria. Foi uma questão de tempo até se envolver com más companhias e entrar no mundo da droga. Depois, em pouco tempo, vai passando das drogas mais leves, às mais pesadas e acaba por prostituir-se para suportar o seu vício. Ao longo deste livro, vamos acompanhando a sua evolução naquele mundo e as suas tentativas de cura.

É um livro absorvente, e reflecte um pouco daquilo que era Berlim nos anos 70, a geração que cresceu com pais demaisado liberais, para contrariar a sua educação conservadora e os problemas da sociedade que não conseguia fazer frente a esta situação. Foi interessante compreender algumas coisas daquele mundo e das pessoas que fazem parte dele, desde a dependência física à psicológica.

Este relato é surpreendente, principalmente por se passar com uma rapariga tão jovem. Não foi um livro que me tocou profundamente, no entanto, houve partes que me sensisibilizaram e dificilmente esquecerei algumas coisas. Penso, que tal como muitos do género, devem ser lidos pelos jovens, de modo a que entendam um pouco do que é viver dependente da droga.

Classificação: 6/10 - Bom,mas deixa a desejar

(Mais uma vez chamo a atenção que esta classificação é meramente indicativa da minha apreciação enquanto livro. Reconheço que dentro da temática poderá ter uma classificação bem melhor)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Morte No Nilo, Agatha Christie

Sinopse: A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.

A Minha Opinião: Este é o terceiro livro que leio dela e não é por acaso que a chamam e bem a Rainha do Crime.

Este livro, que li no decorrer da leitura conjunta do fórum Estante dos Livros, tem várias particularidades muito interessantes. Uma é o facto de o assassinato só decorrer no meio do livro, o que nos dá a possibilidade de conhecermos as personagens antes de serem suspeitas e também ver o que as levou a fazer a viagem pelo Nilo... Um aspecto que eu gostei e bastante. Outra é o facto de ter muitas personagens completamente distintas, vindas de imensos sítios, o que também enriquece o livro. Foi diferente dos dois livros que li, mas mesmo assim foi muito agradável ver outro estilo de história nos policiais dela, pois este destaca-se a nível de enredo e não só a nível da investigação.

O final, foi para mim, inesperado, embora não tenha sido para outros membros do fórum :P

Mais uma vez, foi uma experiência muito agradável fazer a leitura conjunta, além de ler os policias desta escritora magnífica.


Classificação : 8/10

domingo, 11 de outubro de 2009

O Leque Secreto, de Lisa See

Sinopse: Numa remota localidade chinesa do século XIX, assistimos ao desabrochar de uma das mais belas e inquietantes histórias de amizade. Numa sociedade em que as mulheres desempenham um papel de total submissão, resta-lhes a esperança de um bom casamento para minimizar o facto de serem raparigas – e uns pés delicados e sedutores podem garantir um futuro próspero. O primeiro passo é enfaixá-los com ligaduras para que mais tarde adquiram uma forma e tamanho perfeitos. Este é um momento de grande sofrimento que Lili terá de suportar com apenas sete anos, mas em breve conhece Flor de Neve, a jovem escolhida para ser a sua laotong – uma espécie de irmã de juramento – e estabelece-se entre elas uma ligação emocional que durará a vida inteira. Com o passar dos anos, as duas mantêm uma amizade profundamente sincera e cúmplice, trocando mensagens e poemas em nu shu – uma linguagem secreta feminina – inscritos num leque de seda. Mas um dia os laços de amor que sempre as uniram serão postos em causa…

A minha opinião: A sociedade chinesa sempre me fascinou. Sejam os seus caracteres, o facto de serem uma sociedade muitíssimo culta, inventora de numerosos inventos que utilizamos no dia-a-dia, a capacidade de adaptação dos seus habitantes, enfim. Sempre foi uma cultura que desejei conhecer. E graças a esta leitura, pude conhecer melhor a sua realidade e consolidar alguns dos meus conhecimentos.

Este foi um livro com uma história simples, mas que me agarrou do início até ao final. Foi extremamente interessante perceber e entrar nesta cultura, especificamente na dura vida das mulheres desta. Neste livro, acompanhamos Lírio, desde criança até viúva, passando pelo seu enfaixe de pés, à morte da sua família, ao abandono da sua casa natal e a relação que ela estabelece com a sua laotong (uma espécie de amiga-irmã que a acompanha durante toda a sua vida).

Graças à investigação junto do povo chinês por parte de Lisa See, podemos entender um pouco dos sentimentos destas mulheres e de como era viver numa sociedade tão injusta para elas. Adorei o facto de acompanharmos Lírio desde criança e ver como a sua perspectiva sobre a vida vai mudando. Esse foi um ponto forte por parte de Lisa See, pois além de conseguir transmitir para o papel os sentimentos da protagonista que vão mudando e bastante ao longo do tempo, podemos também ver a sua evolução enquanto pessoa.

Para mim, este foi um livro bastante difícil em termos emocionais e que me demorou um pouco de tempo a processar. Alguns relatos eram bastante cruéis, não só o enfaixe de pés, mas também a forma como eram vistas as mulheres. No entanto, outros eram muito profundos, como os relatos de irmãs de juramento e laotongs. Contudo, foi uma agradável surpresa, pois enriqueceu-me imenso e fiquei com uma enorme vontade de ler mais sobre a sociedade chinesa.

Não sendo uma obra-prima da literatura, foi uma leitura lindíssima, um livro que me disse muito e que certamente não deixará os leitores indiferentes à sua leitura.

Classificação : 8/10

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie

Sinopse: Roger Ackroyd sabia de mais. Sabia que a mulher que amava envenenera o primeiro marido, um homem extremamente violento, e suspeitava que ela era vítima de chantagem. Agora, que as trágicas notícias sobre a sua morte apontavam para um suícidio por overdose, eram muitas as perguntas que pareciam não ter resposta. Mas quando pensava estar perante as primeiras pistas sobre o caso, Ackroyd ver-se-ía envolvido num homicídio brutal: o seu! O Dr. Sheppard, médico da aldeia, fala então com o vizinho, um detective reformado que escolhera o campo para passar tranquilamente os seus últimos anos de vida. A escolha não podia ser mais acertada pois o pacato vizinho era nem mais nem menos que o belga Hercule Poirot...

A minha opinião: Acabei de lê-lo e ainda estou de boca aberta. Agatha Christie é de facto uma escritora excepcional. Tinha uma capacidade enorme de contar policiais, pois através de um fio condutor coerente e constante que nos prende desde o início, temos um final totalmente inesperado e surpreendente.

Neste livro somos confrontados também com um clássico dos mistérios. Um velho muito rico que morre no escritório, e cujo testamento aponta para vários culpados. Até aqui, nada de especial, mas à medida que a história se desenrola este livro é tudo menos banal.

Para já, uma ideia muito interessante é que a história é contada na primeira pessoa, não pelo detective, mas por uma pessoa completamente normal, o médico. Esta perspectiva é muito interessante, pois permite ao leitor assumir claramente a pele de um expectador, que tendo acesso à informação na íntegra, não consegue desvendar o mistério (ou melhor, eu pelo menos não :)

Foi, sem qualquer dúvida, um grande prazer voltar aos policiais de Agatha Christie. É uma autora mais que recomendada.


Classificação: 8/10